This is a novel somewhat in the telegraphic schizophrenic manner of tales of the planet Tralfamadore, where the flying saucers come from. Peace.
Depois de ler Cat’s Cradle, de Kurt Vonnegut, fiquei curiosa em relação aos restantes livros do autor, mais especificamente, em relação a Slaughterhouse Five. Ainda que Cat’s Cradle seja baseado nalgumas experiências pessoais de Kurt Vonnegut enquanto jornalista, Slaughterhouse Five é uma obra quase auto biográgica, em que o autor utiliza a sua vivência enquanto soldado na Segunda Guerra Mundial. Ainda que não seja continuamente referido, um dos acontecimentos fulcrais do livro é o bombardeamento de Dresden, uma chacina de civis, o qual Kurt Vonnegut terá presenciado enquanto prisioneiro de guerra da cidade.
Slaughterhouse five é considerado um livro anti-guerra, não porque apresente visivelmente argumentos contra a guerra, mas pela forma como nos apresenta a guerra – sem exacerbar feitos heróicos, retratando os soldados como jovens imberbes, que pouco ou nada sabem da vida, com corpos imperfeitos, e que sem saberem muito bem como, se encontram nas trincheiras.
Billy é o exemplo perfeito de um soldado que é uma criança crescida, que carece de destreza ou de vontade de combater e de viver, mas que é continuamente arrastado pelos colegas. Billy é um idiota. Ou pelo menos age como tal – não demonstrando grande vontade ou opinião, um cobarde que desiste muitas vezes de continuar em frente. Mas o que ninguém sabe é que Billy tem a capacidade de viajar no tempo, mais especificamente entre momentos futuros ou passados da sua própria vida.
He is in a constant state of stage fright, he says, because he never knows what part of his life he is going to have to act in next.
Para além disto, Billy é raptado por extra-terrestres, Trafamadorianos que vivem numa realidade de quatro dimensões, em que o tempo, como o conhecemos, não existe – o passado, o presente e o futuro são simultâneos. Desta forma, olhando-se para uma pessoa, não se vêm duas pernas, mas várias – as de uma criança, as de um adulto e as de um velho – as das várias fases da vida. Durante algum tempo vive num zoo, numa casa construída pelos extraterrestres, onde tem uma mulher e um filho.
Na terra, a sua vida continua normalmente, já que, segundo os parâmetros humanos, é devolvido no mesmo segundo em que é raptado.
Das várias frases chave que fazem parte do livro, So it goes será daqueles que se destaca por ser um género de ponto parágrafo … da vida. So it goes. Outra, é o lema de vida de Billy, uma frase que vai sendo desmistificada com o desenrolar da história:
God grant me the serenity to accept the things I cannot change, courage to change the things I can, and wisdom to always tell the difference.
Tal como em Cat’s Cradle, Slaughterhouse five encontra-se impregnado de passagens fatalistas, irónicas e sarcásticas, frases sublimes que marcam ou resumem as situações de forma inesperada, ou que, inclusivamente, nos relatam a vida crua, sem artifícios:
But the Gospels actually taught this:
Before you kill somebody, make absolutely sure he isn’t well connected. So it goes.
An American near Billy wailed that he had excreted everything but his brains. Moments later he said, ‘There they go, there they go.’ He meant his brains.
Um livro sobre a guerra, sobre a capacidade de tentar reconstruir a vida depois de presenciadas mortes e chacinas, depois assistir a episódios irracionais de violência que se tornam estranhamente irónicos e até cómicos, se se isolarem do horror que rodeia a cena.
Decididamente um dos melhores livros que li ultimamente, no qual se conseguem sempre descobrir novas camadas e novos sentidos.
