Adam Roberts é o escritor responsável por vários livros miniatura como The Soddit, ou The McAtrix Derided que têm como objectivo brincar com obras como The Hobbit ou The Matrix (respectivamente). Estas paródias são escritas sob vários pseudónimos, A.R.R.R. Roberts, A3r Roberts ou Don Brine.

Para além destes livros, Adam Roberts escreve Ficção Científica sendo talvez mais conhecido por livros como Salt ou Gradisil, obras nomeadas para o prémio Arthur C. Clarke. Stone, publicado na recentemente lançada colecção Totally Space Opera da Gollancz, apresentou-se-me como um livro atraente não só pela colecção da qual faz parte, como também pela premissa.

O Mundo é perfeito. Ou quase. Os t’T dominam a tecnologia – são capazes de realizar viagens acima da velocidade da luz e de viver centenas de anos graças à nanotecnologia. Estas pequenas máquinas são responsáveis pela manutenção do corpo dos seres humanos até ao penúltimo detalhe – o cérebro, órgão responsável pela consciência humana é o único local ao qual não têm acesso.

Ae é o único criminoso conhecido desta civilização extremamente evoluída, uma aberração viva, uma raridade quase digna de museu. Aprisionado dentro de uma estrela, tem apenas como companhia a carcereira e o seu companheiro. É esta que lhe retira a nanotecnologia, o que significa torná-lo um ser humano mortal em rápido envelhecimento, com dores e lacunas físicas visíveis.

A capacidade de matar outros seres humanos torna Ae único e valioso aos olhos dos seus empregadores que pretendem eliminar a vida humana de um planeta inteiro, sem no entanto divulgarem a sua identidade ou a razão do crime. Tratam no entanto, de o libertar e de lhe fornecer os meios para cumprir a sua missão.

O facto de nos descreverem uma sociedade paradisíaca sem crimes, desprovida de ambições e repleta de hobbies é algo que desperta a ironia no leitor e quase promete uma obra medíocre – não fosse a personagem principal ser um esquizofrénico assassino, que desenvolve AI’s no cérebro e se envolve em teorias da conspiração para descobrir quem são os seus empregadores.  Ae não tem remorsos nem simpatia pelos seus semelhantes.

Os mundos que nos são dados a conhcer, assim como os detalhes sociais são interessantes – mas é a personagem principal a força motora da história. Por outro lado, a acção é uma constante que nos deixa pouco espaço para pensar seriamente nas cenas de violência crua que se desenrolam.

A premissa da história possui vários defeitos quando analisada cruamente, mas a maioria destes não são visíveis durante a leitura, tendo sido por isso que Stone se encontra entre os livros de FC que mais apreciei nos últimos tempos.