Escritor de fantasia negra e horror, Tim Lebbon ganhou já o prémio Bram Stoker por uma história curta, e o Britisth Fantasy Society pela obra Dusk. Por sua vez, As the Sun Goes Down não ganhou nenhum prémio mas foi nomeado para o prémio Bram Stoker e é uma das melhores colectâneas de contos que li nos últimos tempos.

Em Dust, uma das histórias que mais apreciei, acompanhamos um homem obeso que, numa nave espacial, fica preso num quarto. Esta prisão não foi um evento acidental, antes um acto premeditado dos colegas para que ele não consuma o escasso conteúdo da depensa. Os poucos sobreviventes aguardam, na nave encalhada, por auxílio que poderá não chegar a tempo.

Numa outra realidade onde os mortos retornam algum tempo após a sua morte, para acompanhar os entes queridos e vivos, uma mulher encontra o falecido marido numa cadeia do quarto e sabe que terminaram os seus dias de sossego – os mortos acompanham os vivos, mas apáticos, quais sombras, calados e insensíveis, não deixando transparecer qualquer pensamento ou sentimento. É esta a premissa do conto The Last Good Times.

King of the Dead conta a história de um rei que a seu cargo mantém três necromantes. Embora o povo daquele reino seja pacífico e esteja bem localizado geograficamente, é atacado por uma medonha e sobrenatural força que se prevê implementar o terror na região. O rei resolve então pedir aos necromantes para utilizarem os seus negros poderes.

Na sua maioria os contos de Tim Lebbon exploram hipóteses negras do dia a dia – um rapaz que face à queda de um amigo num buraco negro na floresta vê a hipótese de lhe ficar com os brinquedos; um casal que espera re-estabelecer o relacionamento durante uma viagem; uma rapariga a quem a mãe odeia; ou um homem a quem o preço de ter sido salvo da queda de um avião se torna demasiado elevado.

Publicado em sólida capa dura, As the Sun Goes Down possui várias histórias negras que não se enquadram no típico terror ou horror. Não existem assassinos de faca na mão ou monstros escorregadios que possam mudar de forma – apenas pessoas reais que podem ser algo mais do que vemos ou que fazem escolhas maldosas sem razão lógica.