Nomeado para o prémio Philip K. Dick, City of Pearl é o primeiro livro de Karen Traviss, uma série que se alongou já por seis volumes. Para além desta saga, Karen Traviss tem contribuído para vários volumes da série Star Wars e Gears of War.

Ainda que seja o primeiro de uma saga, City of Pearl pode ser lido isoladamente. A personagem principal, Shan Frankland pertence a uma polícia de segurança ecológica que, num mundo devastado tem como intuito, por exemplo, tentar proteger os últimos elementos de espécies raras.

Devido à sua elevada posição e extenso currículo Shan é contratada para participar numa estranha missão, cujos detalhes esquece como resultado de um género de hipnose. E assim se vê numa nave a caminho de um outro planeta, no qual terá parecido uma colónia humana.

Neste outro planeta existem, no entanto, várias outras espécies inteligentes alienígenas: uma nativa (bezeri), uma outra que pretende conquistar novos espaços (isenj) e uma terceira que tem como objectivo regular os interesses de ambas (wess’har).

Na nave de Shan viajam militares e cientistas e é com surpresa que vêm a nave neutralizada quando chegam ao destino e descobrem uma colónia de seres humanos cristãos. Shan terá então de gerir um grupo de militares irrequietos e um grupo de cientistas curiosos que tentarão por todos os meios obter amostras biológicas ainda que de tal tenham sido proibidos pela espécie alienígena com maior potencial militar.

A história tem alguns aspectos que considero fracos, centrando-se demasiado numa única personagem, uma mulher forte mas pouco flexível e linear na sua visão do mundo. Por outro lado, Shan estabelece dois relacionamentos proibidos – uma com um militar que não pode consumar porque este se encontra continuamente monitorizado; outra com um alienígena com quem tem vários aspectos em comum.

A relação entre as várias espécies inteligentes e o desenvolvimento da colónia humana constituem as componentes mais interessantes do livro: as várias espécies possuem interesses diferentes no mesmo planeta, uns pretendem manter o seu habitat intacto, outros (sobrepopulados) pretendem expandir-se; por seu lado, a colónia humana coagida pelos alienígenas, aprendeu a viver sem afectar o ambiente que os rodeia e vive acreditando ter um papel chave na evolução da espécie humana.

Ainda assim, gostei do que li. A história não é perfeita, mas Karen Traviss soube construir uma história interessante, misturando preocupações ecológicas com colonização de outros planetas e conflitos entre espécies inteligentes.