Publicado na colecção Space Opera da Gollancz (da qual também fazem parte The Centauri Device (M. John Harrison) e Stone (Adam Roberts)) é uma das obras de Poul Anderson nomeada para o prémio Hugo.
Baseado numa história curta, To Outlive Eternity, Tau Zero conta a história de um grupo de 50 pessoas que deixa o Sistema Solar a borda da nova Leonora Christine, com o intuito de fundar uma nova colónia, a 35 anos luz da Terra. Como seria de esperar, algumas alianças e relacionamentos estabelecem-se mesmo antes dos futuros colonos embarcarem, e a história centra-se no romance entre Charles Reymont e Ingrid Lindgreen.
A viagem decorre sem contratempos até encontrarem uma nublosa que danifica o sistema de desaceleração. Dado que a nave só pode ser reparada num local de baixa radição, os tripulantes vêem-se obrigados a acelerar continuamente para atingir um espaço entre galáxias. Com o aumento contínuo de velocidade aumenta a diferença entre o tempo a bordo da nave e o tempo decorrido no exterior – esta discrepância atinge valores absurdos o que afecta psicologicamente os tripulantes, afastados fisica e cronologicamente de tudo o que conheciam.
A obra explora uma temática bastante comum – a colonização de outros planetas; adicionando-lhe um factor de stress extremo ao lançar os viajantes num futuro incerto para além de todas as expectativas. Ainda que haja uma exploração extensa do relacionamento entre os seres humanos, a história centra-se na possibilidade de acelerar eternamente uma nave, de tal forma que, dentro dela, se assiste à evolução do Universo.
É um livro pequeno e interessante, ainda que não tenha apreciado totalmente – a premissa da aceleração é desenvolvida ao extremo e, no limite, torna-se surreal. Por outro lado, ainda que a história se debruce sobre alguns dos relacionamentos a bordo da nave, senti que estes eram, por vezes, demasiado analisados, o que pode alienar o leitor.
