O primeiro livro de Paolo Bacigalupi, intitulado The Windup Girl decorria num Mundo ecologicamente destruído pelos seres humanos, onde qualquer fonte de energia ou calorias era preciosa. Direccionado para um público mais jovem, Ship Breaker decorre, também, num futuro em que são visíveis os danos ecológicos provocados pela humanidade, mas ao invés de se centrar nesses danos, centra-se nas crianças que terão de viver nesse futuro.
Pobre e órfão de mãe, Nailer, apenas um rapaz, trabalha para se sustentar, integrando uma equipa de jovens exploradores que procuram, entre os destroços de navios, restos de metais aproveitáveis. Numa destas pesquisa, fica preso num tanque de petróleo. Nailer pede ajuda a uma colega, Sloth, mas esta ignora-o e aguarda que se afogue para poder obter o lucro da venda do combustível encontrado. Nailer consegue, no entanto, escapar e Sloth é expulsa do grupo.
Com alguns ferimentos, Nailer aproveita uma tempestade para ir a casa, onde o espera o pai, bêbado e violento como sempre. Mas a tempestade é mais forte do que esperavam, e destrói o bairro. Depois de fugir, Nailer convence a mãe de uma amiga, Pima a salvar o pai, tarefa que, apesar de difícil, é concretizada com sucesso. Com a tempestade, não foi só o bairro que ficou destruído, provocando também o naufrágio de um navio.
Aproveitando o facto de serem os primeiros a avistar o barco encalhado, Nailer e Pima aventuram-se a bordo, pilhando tudo o que conseguem, enquanto se maravilham com as riquezas de divisão em divisão: cobre, prata e ouro. Entre as divisões encontram o quarto onde jaz uma rapariga mas quando tentam roubar-lhe as jóias dos dedos, esta reage. Receosos, Nailer e Pima decidem-se a salvar a rapariga que, mais tarde, se apresenta como a filha de um empresário que irá, sem dúvida, recompensá-los, quando, depois de seguirem o localizador do navio, a encontrarem.
As horas passam, mas ninguém aparece em busca da rapariga. Quando o pai de Nailer descobre o navio encalhado, reúne um bando para o pilhar, e descobre os três jovens. Ganancioso e rancoroso, prende os três, com o objectivo de recolher a recompensa. Os três acabam, no entanto, por escapar, com a ajuda da mãe de Pima. Com medo do pai, Nailer acompanha a rapariga em busca do pai, guardados por um ser geneticamente modificado, metade homem, metade cão.
De tom bastante mais juvenil que The Windup Girl, Ship Breaker é uma história engraçada, mas que parece centrar-se muito mais nos efeitos ecológicos e nas suas consequências que nas personagens. Temos, assim, animais geneticamente modificados (e misturados com seres humanos), tempestades desoladoras, aumento do nível do mar ou racionamento do combustível. Estas alterações resultam do abuso da espécie humana da natureza, e têm consequências no estilo de vida de quem vive no futuro.
Talvez pelo diminuto tamanho da história, talvez pela conjugação do tom juvenil com o centralismo nas questões ecológicas, foi uma história que falhou em me conquistar, ao contrário de The Windup Girl.

Se não me engano este não foi um dos livros recomendados para leitura de Verão? Já não sei ao certo.
De qualquer forma o livro parece interessante o suficiente.
Sim, foi um dos mencionados
http://io9.com/5582419/io9s-top-picks-for-summer-reading
Ainda assim, dessa lista, queria ler o Clementine, e os dois do Ian McDonald.
Sim, tem partes interessantes, mas acho que a nível de personagens poderia estar melhor. 🙂