Na mesma semana em que decorreu o lançamento da Bang 8 tive a oportunidade de me deslocar ao Colóquio Mensageiros das Estrelas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. À entrada da faculdade podíamos encontrar, não só as indicações para a sala, mas também uma pequena feira do livro onde podíamos encontrar as editoras mais dedicadas ao género (Saída de Emergência, Gailivro ou Editorial Presença) assim como livros estrangeiros das colecções SF Masterworks ou a Vaporpunk, uma colectânea de histórias Steampunk de autores portugueses e brasileiros, publicada pela Editora Draco.

A tarde de 4 de Novembro caracterizou-se pela apresentação do sub-género Steampunk, com exemplos de obras e músicas, seguida da audição do programa de rádio que, à semelhança de A Guerra dos Mundos em Nova Iorque em 1938, terá assustado a população portuguesa ao retratar uma invasão de marcianos em Cascais, ainda durante a Ditadura.

Na mesa redonda “A Ficção Científica está a morrer?” Luís Filipe Silva, João Seixas, João Barreiros, António Macedo e Nuno Neves recordam a glória da ficção científica há várias décadas, um cenário onde existem livrarias repletas de obras de FC não renegadas para as prateleiras escondidas: o paraíso. Para mim, que não vivi o auge do género, este sempre esteve envolvido com os preconceitos actuais:  discriminado pela associação a naves espaciais e spocks, sinónimo de leitores anti-sociais com piadas estranhas, expressão de meia dúzia de lunáticos incapazes de escrever literatura séria. Ideias pouco precisas de quem não conhece o género.

O dia terminou com a apresentação de A Guerra das Bruxas pela própria autora, Maite Carranza. Este será o segundo volume de uma trilogia fantástica envolvendo bruxas, em que a autora se terá baseado em dois estereótipos de bruxas: o das feiticeiras, distantes e poderosas; e o das curandeiras, próximas do povo e da terra, parteiras conhecedoras das ervas. Ainda que a história não pareça enquadrar-se nos meus gostos, a exposição da autora foi excelente, explicando a simbologia que integrou nas personagens.

A tarde de 5 de Novembro começou com a apresentação, excelente de Geoff Ryman, que aproveitou a sua juventude para expor o tema “Science Fiction and Identity”. Mais conhecido em Portugal por Jardim de Infância (publicado pela colecção da Clássica Editora) ou Ar (publicado recentemente pela Gailivro), o autor revelou-se uma pessoa bastante simpática de humor inteligente, assim como Farah Mendlesohn.

Seguiu-se o momento mais aborrecido da tarde “Utopia e Distopia: Futuros (Im)Possíveis? / Utopia and Dystopia: (Im)Possible Futures?”, onde três académicos dissertaram sobre as obras de Octavia Butler, Cory Doctorow e Philip K. Dick. As obras eram interessantes, assim como a temática apresentada, mas foi a forma como foram expostas que estragou o momento: sentados a ler, monocordicamente, artigos em inglês.

No final, ao invés de um debate entre editores, assistimos a um pequeno debate sobre experiência em organização de eventos deste género, sobre o que esperar e como atrair mais pessoas.  Aqui fica uma nota minha: publicidade. Se não conhecesse alguns dos organizadores e convidados do evento, provavelmente nem saberia que existia.

O balanço é positivo, mas totalmente ofuscado pelo sucesso do Fórum Fantástico deste ano, destacando-se mais pelos convidados estrangeiros que pela componente académica.