Eventos: Editorial Divergência na Feira do Livro do Porto

A Editorial Divergência marca presença na Feira do Livro do Porto com três sessões de autógrafos. Clicando em cada uma das três imagens são direccionados para a página oficial do evento onde podem saber mais.

 

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Assim foi – Worldcon Dublin 2019 – uma perspectiva pessoal

Foto oficial do Centro de Convenções de Dublin (edifício à direita)

Este ano a Worldcon foi em Dublin, num edifício que desafia a imaginação, quer em termos de formato, quer em termos de tamanho! Já o evento em si tem um tamanho inesperado – existem tantas palestras e actividades em simultâneo que cada visitante terá uma experiência única. Esta é a minha.

Infelizmente apenas pude estar no evento dois dias, Domingo e Segunda. A sensação, à chegada, é de um mundo à parte. A Worldcon ocupou pelo menos 6 pisos do centro de convenções, e cada piso tinha várias salas. Cada sala tinha uma lotação de 60 a 400 pessoas. E mesmo assim, existiam pessoas a ficar de fora consecutivamente.

 

Estive com pouca bateria durante o evento pelo que várias das fotos usadas nesta entrada foram disponibilizadas por Dan Ofer.

Exposições / comércio

O primeiro local a visitar é, claro, o piso térreo onde se encontram as bancas de comerciantes, as exposições e várias mesas de vários fandom. À entrada deparávamo-nos com este fabuloso DeLorean. Do lado esquerdo encontravam-se exposições, inclusivé uma do autor das capas da série fantástica The Elephant and Macaw Banner de Christopher Kastensmidt, Guilherme Da Cas.

Entre simuladores de pontes de comando de naves espaciais, encontramos bancas de todas as grandes editoras anglosaxónicas de ficção científica e fantasia! Mas não só! Também encontramos editoras mais pequenas mas marcantes no meio, bem como vários artesãos que vendem os seus próprios trabalhos.

Para além das exposições presentes neste edifício, existia outro (ao qual não tive oportunidade de ir) com um grande espaço dedicado a Lego.

Ainda que tivesse um tamanho considerável, esta zona foi a que, simultaneamente, me desiludiu e superou as expectativas. Comparando com a Eurocon Barcelona, e dada a quantidade de pessoas na Worldcon, esperava que a zona de comércio fosse maior e com mais oportunidades de compra.

A capacidade de organização

Eis uma componente que merece ser destacada. Sei que existiram várias queixas (quer relativas a festas com lotação máxima, quer relativas ao streaming dos prémios) mas, mesmo assim, foi uma questão essencial para que tudo corresse dentro do previsto.

Por razões de segurança, a assistência não podia ser maior do que a lotação da sala. De forma a garantir tal limitação, existia sempre, para cada sala, alguém responsável por garantir que as pessoas com falta de mobilidade entravam primeiro (existiam sempre lugares reservados) e que só entravam pessoas até serem preenchidos todos os lugares.

Tendo participado em duas palestras, assisti ao outro lado da organização. Para além de existir troca de pareceres algumas semanas antes do evento, na chegada era distribuído um envelope a cada participante. Este envelope continha um horário personalizado que indicava onde e quando teria de estar, bem como as regras de etiqueta a garantir durante as palestras. Era esperado que, meia hora antes da palestra, os participantes se reunissem numa zona reservada para trocar impressões e criar empatia.

Assim que entrávamos na sala já existiam etiquetas com os nossos nomes e um técnico de som. Para cada sala existia uma fila organizada que só prosseguia para a sala quando os “sinaleiros” assim o indicassem. No final, alguém alertava para os últimos cinco minutos. Assim se garantia que a palestra terminava a horas e que todas as pessoas saíam antes de poder deixar entrar para a seguinte.

Ninguém se aguenta sem comida

Existiam diversos pontos disponíveis por todo o edifício. O preço não era excessivo, mas também não era propriamente barato. Sim, eram muitas pessoas. Mas dada a quantidade de locais disponíveis, as filas para comer oscilavam entre 4 e 5 pessoas nos locais a que fomos.

Livros gratuitos

Alguns dos livros gratuitos disponíveis.

Não apanhei os dos primeiros dias, mas mesmo assim, eram vários. Podiam ser recolhidos numa zona própria (assim como pin’s e outros materiais publicitários de fandom, editoras e escritores) ou mesmo na zona de comércio.

Para além disto

Entre o cansaço, as palestras em que participei e alguns contratempos, não foi possível assistir aos espectáculos. Existiam actividades com desenhadores de jogos de tabuleiro, concertos, peças de teatro, bailes de máscaras, leituras e workshops. Ainda assim, descansámos os pés na sala de jogos de tabuleiro (no meu entendimento pequena para este evento mas com uma boa selecção de jogos).

Conclusão

Ir à Worldcon é ir na mesma escada rolante que o George R. R. Martin, cruzarmo-nos com Scott Lynch no corredor e trocar umas frases com Charles Stross ou Steve Jackson. É vermos dezenas de escritores de que gostamos, ao vivo e a cores, num só local. É percebermos que Joe Abercrombie tem um sentido de humor peculiar e que a fabulosa Jo Walton tem um discurso altamente inteligente. É falarmos com os editores de algumas das mais conhecidas editoras dos géneros da ficção especulativa, descobrirmos livros assinados nas bancas e ainda trazermos uns quantos gratuitos de autores que conhecemos. Nos intervalos de tudo isto descobrem-se outros fãs, exploram-se recantos e descansam-se as costas do peso dos livros.

The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

Assim foi: Contacto 2019

O Contacto, organizado pela Imaginauta, começou em 2018 no Palácio Baldaya em Benfica. Dedicado à ficção científica e fantástico, é um evento que se destaca por ter, para além de palestras e um espaço dedicado à literatura, muitas outras actividades apropriadas para todas as idades – lutas de sabres de luz, aulas de magia influenciadas pelo mundo do Harry Potter, exposições, jogos de tabuleiro, steampunk e muito mais.

Lançamentos

A minha perspectiva do evento é mais literária, destacando os eventos de lançamento que foram decorrendo. O primeiro a que assisti foi o lançamento do novo livro em português de Bruno Martins Soares, As Crónicas de Byllard Iddo – um lançamento em que o autor falou do livro e do interesse nos mundos que cria.

Já no Sábado, ainda presenciar um pouco do lançamento do livro de Nuno Duarte, O outro lado de Z, onde o autor Nuno Duarte falou do mundo fantástico de este livro e de outros. Seguiu-se o lançamento da antologia Winepunk onde participei (no lançamento, não na antologia). A antologia destaca-se por ser uma realidade alternativa que tem por base a história de Portugal, mais propriamente o Reino do Norte que, no meio das convulsões, surgiu no Norte de Portugal mas que apenas durou 3 semanas. E se tivesse durado 3 anos? Após ter iniciado o lançamento, o Rogério Ribeiro falou um pouco da forma como geraram a base antes de enviarem o desafio aos autores, Pedro Cipriano falou da produção que se seguiu por parte da editora, e os dois autores presentes (João Barreiros e João Ventura) falaram do seu processo criativo neste mundo fictício.

O último lançamento a que pude assistir foi o lançamento de Amadis de Gaula por Nuno Júdice, em que o autor falou da incerteza da autoria do livro, da forma como influenciou e é referido em obras posteriores, mostrando um exemplar com vários séculos de existência.

Banda desenhada

Para além do lançamento de O outro lado de Z, o Contacto reservou espaço na agenda para que pudessemos conhecer um pouco melhor outros autores de banda desenhada, como Joana Afonso, Henrique Gandum, Fábio Veras e Luís Zhang (autores de Filhos do Rato).

Ainda, no Lagar (zona central do edifício) estiveram alguns artistas a projectar enquanto desenhavam: FIL e Miguel Santos (da Associação Tentáculo) bem como Diogo Mané.

Ponto de encontro

Este tipo de eventos fantásticos e de ficção científica costumam ser ponto de encontro entre autores e editores, levando à criação de vários projectos. Neste caso o evento ajudou nestes encontros, disponibilizando uma sala para estes pudessem decorrer de forma mais oficial. Destacam-se dois encontros, um para a geração de um portal português de ficção científica e fantástico e outro para o encontro de autores de ficção científica e fantástico onde vários autores trocaram experiências.

Outros detalhes

Durante o evento decorreu uma taberna medieval e uma feira do livro que apresentava bancas das mais conhecidas editoras de ficção científica e fantástico – desde a Saída de Emergência com a colecção Bang!, à Europa-América com a colecção de livros de bolso de ficção científica, passando pela Imaginauta e pela Editorial Divergência entre outras.

Para além das exposições encontrávamos salas temáticas: Steampunk, Harry Potter e Star Wars, mais voltadas para o público jovem; bem como uma pequena oferta de jogos de tabuleiro.

Assim foi: Leiriacon 2019

Este ano resolvemos ir ao Leiriacon – um evento dedicado a jogos de tabuleiro que decorre anualmente ao longo de quatro dias num resort perto da praia! Para além de existirem vários espaços para a jogatana e vários jogos disponíveis, quem vai em família pode encontrar actividades dedicadas aos mais novos, ou uma ludoteca mais especializada para as crianças! O espaço é enorme, permitindo deambular sem grandes confusões, e os quartos estão inseridos dentro do recinto do evento.

Para além do enorme espaço onde se encontram os quartos, no seguimento do evento, à entrada encontravam-se a ludoteca e o espaço de venda de jogos (novos e usados) que disponibilizavam uma oferta alargada. O espaço possuía, também, uma sala para imprensa e espaço para demonstrações dos novos jogos!

Para além da mais usual actividade neste tipo de evento (jogar, claro) existiam palestras sobre jogos de tabuleiro, bem como editoras a mostrar as próximas novidades. Não pude assistir a algumas das que planeava, mas as duas ofertas da MEBO para os próximos tempos são visualmente muito interessantes – um jogo de colocação de peças que se inspira na baixa ribeirina do Porto (de nome Porto) e um jogo que se baseia nos carrocéis para apresentar um mecanismo de jogo particular (de nome Carrocel).

Bem, e então o que jogámos afinal? Uma das nossas primeiras experiências foi o famoso Wingspan, o jogo que está agora na moda e que gerou polêmica ao lançar, na segunda edição, um número de exemplares inferior às encomendas existentes. Considerado por muitos um dos jogos de 2019 (e o ano ainda vai no início) Wingspan revelou-se interessante pelos mecanismos de encadeamento que permite gerar, bem como pelos detalhes das aves e pela qualidade dos elementos. Será, assim que possível, uma das próximas aquisições, apesar de achar que dificilmente se tornará o jogo do “meu” ano. Vamos aguardar.

Para além do Wingspan aproveitámos para jogar o Architects of the West Kingdom, fascinandos pela recente experiência com Raiders of the North. As instruções em alemão não ajudaram, mas conseguimos jogar o jogo. Apesar de ter gostado do Architects não o preferi ao Raiders (gosto muito da arte de ambos), e achamos que precisamos de uma nova jogatana para ter uma opinião mais sólida – engraçado, mas não fulcral para a minha colecção de jogos.

Cottage Garden foi o próximo escolhido – um jogo de Uwe Rosenberg, reconhecido cá em casa como o autor dos muito jogados Agrícola e Patchwork. Ainda que, em termos de mecânica base, Cottage Garden seja semelhante ao Patchwork (escolhendo-se uma peça e colocando-a num tabuleiro) possui algumas diferenças, sendo a principal, o número de jogadores – enquanto que o Patchwork só pode ser jogado por dois jogadores, o Cottage Garden possui um modo solo e pode ir até quatro.

Por outro lado, Patchwork possui a dimensão de tempo (dada pelo número casas que andamos consoante as peças escolhidas), elemento que não existe neste. Em contrapartida, o Cottage Garde possui uma forma interessante para seleccionar o sub-conjunto de escolha para cada jogador, e dois objectos que pontuam de forma diferente, com rotação de tabuleiros. Após esta jogatana encomendaram-se dois exemplares!

A noite acabou com Clank! – um dos mais conhecidos jogos de construção de baralho com elementos fantásticos que nos leva a rastejar em túneis no covil de um dragão, com o objectivo de roubarmos os seus tesouros sem o acordar! O tema está engraçado e genericamente gostei do jogo – talvez uma futura aquisião se o encontrar por um preço mais acessível.

Pelo meio houve, ainda, tempo para explorar alguns jogos mais infantis, distinguindo-se três: Merkolino, Bird Big Hunger e Galletas. O primeiro é um jogo de memória em que alguém enuncia todos os animais que foram a uma festa, tendo cada jogador que indicar quais, entre estes não foram. No segundo, acompanha-se o crescimento de pássaros que precisam de determinados alimentos para passarem cada uma das fases. No terceiro é necessário reconhecer caminhos num emaranhado de novelos!

Resumidamente, o Leiriacon será um evento ao qual pretendemos retornar! O espaço em que decorre permite usufruir dos jogos sem grande confusão (que é diluída pelas várias salas do evento) e tem, como único defeito a diminuta sinalização para algum dos quartos (gerando um autêntico quebra cabeças no primeiro dia em que o procurámos às escuras). De realçar, também, a proximidade ao mar.


A oferta de jogos é excelente e é melhorada pela enorme disponibilidade dos voluntários do evento em explicar as regras (há sempre alguém que já jogou) – regressámos com vontade de mais, com uma ludoteca aumentada e uma lista de encomendas em constante crescimento!

 

 

Evento: 90 anos de Tintin

Tintin fez 90 anos! E para celebrar este aniversário, organizou-se, na Universidade Lusíada de Lisboa, uma conferência que vai decorrer no dia 1 de Fevereiro. Esta conferência tem o seguinte programa

TINTIN E O CONGO TINTIN E A LUA
16h30
Inauguração de uma mini-exposição.
Projecção do filme Na sombra de Tintin

MÚSICA : “ÁRIA DAS JÓIAS”
18h00
Pela soprano Cristina Ribeiro, acompanhada ao piano por
Manuela Fonseca
(do grupo OPERAWAVE)

CONFERÊNCIA
“HERGÉ, TINTIN E O CONGO”
18h30
Por Dominique Maricq – autor das Éditions Moulinsart

PAUSA-CAFÉ E BOLO DE ANIVERSÁRIO
19h15

PROJECÇÃO DE UM FILME “NO ENCALÇO DO TINTIN”
19h30
Comentado por Guilherme d’Oliveira Martins

CONFERÊNCIA POR NINO PAREDES
“HERGÉ, FOTOGRAFO DE VIÑETA”
20h00
Presidente da Associação Mil Rayos !

Retrospectiva 2018 – O Rascunhos

2018 no Rascunhos

Ultrapassando as 82 000 visualizações, este ano trouxe grandes novidades. Algumas programadas, outras inesperadas ainda que, por vários motivos pessoais, o número de leituras e de artigos tenha sido menor do que em 2017 (no caso dos livros lidos, foram 220 contra os 270 do ano anterior). Se tenho por objectivo a médio prazo aumentar a leitura noutros idiomas que não o inglês ou o português, ainda não foi este ano que o consegui.

Tal como tem sido habitual nota-se uma grande procura pelas obras que estão no Plano Nacional de Leitura mas eis um destaque para as entradas de 2018 para tiveram maior número de visualizações: A maldição de Hill House de Shirley Jackson, O Corpo dela e Outras Partes de Carmen Maria Machado, e Borne de Jeff Vandermeer. Na banda desenhada, O Ateneu de Marcello Quintanilha,  Beowulf de Santiago Garcia e David Rubín. e The Fade Out de Ed Brubaker e Sean Phillips foram os mais vistos. De destacar, também, Comer / Beber de Filipe Melo e Juan Cavia, entrada que foi publicada no final de 2017 mas que atingiu o topo de visualizações em 2018.

Este ano o Rascunhos cresceu em diversas direcções:

– Programa na Voz Online (rádio);

– Participação em eventos nacionais;

– Jogos de Tabuleiro.

O programa na Rádio Voz Online contou com 23 episódios, (também disponíveis na Mixcloud) onde aconselhei leituras e jogos de tabuleiro, ou onde entrevistei autores, editores e organizadores de eventos, centrando-me sobretudo na banda desenhada e na ficção científica.

As participações em eventos aumentaram este ano. A participação no Fórum Fantástico para as Leituras do Ano repetiu-se e ainda estive numa mesa sobre Podcasts literários. No Festival Bang! estive com a Inês Botelho a falar sobre o papel da mulher no fantástico e no Sci-fi LX falei de naves na ficção científica portuguesa e de robots literários com João Barreiros. No Literal (em Alenquer) falámos do futuro da ficção científica em Portugal. Na área da banda desenhada estive à conversa com Daniel Henriques na Comic Con e apresentei o Rascunhos na Tertúlia BD de Lisboa.

Para além de participar novamente como júri no concurso de mini conto da Saída de Emergência com a FNAC, participei no júri para os Galardões Comic Con. Este ano viu ainda a publicação de Quem chama pelo senhor Aventura?, o livro escolhido para a primeira edição do prémio Divergência (no qual participei no júri).

Conforme previsto o ano passado, concretizou-se o espaço para jogos de tabuleiro (com uma rubrica mais ou menos quinzenal, aos Sábados, onde falo de jogos e de experiências envolvendo jogos) e estabeleceram-se parcerias nessa área.

Perspectivas para o próximo ano

O ano passado previa começar a falar de música, mas ainda não se concretizou um espaço para esta componente. Espero começar, lentamente, a apresentar algo nesta secção. Em termos de programa de rádio já tenho alguns convidados previstos pelo que espero recomeçar logo em Janeiro.

E para o ano? Bem, participei na edição de uma antologia de Space Opera portuguesa, a sair em 2019 pela Editorial Divergência (tenho a dizer que fiquei muito surpreendida com a qualidade das participações) e tenho planos para lançar um novo projecto no primeiro trimestre.

Rascunhos na Voz Online – Sugestões

Esta semana recomendo livros, banda desenhada, eventos e jogos de tabuleiro! De realçar, claro, a presença de Mike Carey em Portugal no Mensageiros das Estrelas, evento que está a decorrer na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa (evento gratuito). Desejo que estas recomendações vos tragam bons momentos de lazer!

Ficção especulativa – Novidades

Depois de muito aconselhar Dormir com Lisboa de Fausta Cardoso Pereira, é a vez de Rui Zink  em O Gosto dos Outros. O Gosto dos outros que decorreu na Gulbenkian e deu espaço a que várias personalidades discutissem as suas listas de gostos para inspiração, provocação e discussão.

Estão abertas as submissões para Antologia Queer, uma antologia com pessoas queer em diversos papéis mas que sejam mais do que ícones, pessoas que ultrapassem estereotipos e que possam ser apenas pessoas. Quer dizer, personagens. Interessados? A Antologia Queer está a ser organizada pela Imaginauta.

Mensageiros das Estrelas está de volta! Trata-se de um evento académico que decorre na Facultade de Letras da Universidade de Lisboa e que se dedica à ficção especulativa, trazendo alguns autores conhecidos de ficção científica ou fantástico (como Geoff Ryman). Este ano o autor convidado é Mike Carey que dará uma palestra no dia 30. Para mais informação sobre o evento podem consultar a página respectiva.

Eventos: Jantar dos Devoradores de Livros

Decorre na próxima quinta feira, dia 15 de Novembro, mais um jantar de Os Devoradores de Livros que terá como convidado Luís Louro, o autor de banda desenhada que recentemente publicou Watchers, um livro publicado em duas edições, cada uma com o seu final.  Os Devoradores de Livros costumam iniciar-se com uma conversa com o convidado na Livraria Tigre de Papel, prosseguindo-se então para jantar.

Podem consultar mais detalhes sobre o evento na página oficial.

 

 

 

Evento: O que vamos ler em 2019? As Receitas dos Tradutores

Decorre, no dia 22 de Novembro, um dia dedicado ao papel de tradutor “Não perca um estimulante debate à volta do papel do tradutor na intepretação da palavra escrita do escritor e em simultâneo fique a par das novidades literárias das principais editoras nacionais.”.

O evento tem os seguintes debates marcados:

Programa
Tema 1 – O ofício de tradutor: percursos pessoais e profissionais
Tema 2 – O tradutor e o autor: uma interpretação de risco?
Tema 3 – Tendências de futuro, que papel para o tradutor?
Tema 4 – “Receitas” para 2019, as recomendações dos tradutores
Debate aberto ao público

Para saberem mais sobre o evento, podem consultar a página oficial.

 

 

 

 

 

Eventos: Fórum do Futuro – Margaret Atwood

Margaret Atwood estará em Portugal no seguimento do evento Fórum do Futuro para falar sobre a sua obra, numa palestra com o tema Mitos na minha obra, em que rejeita os rótulos que lhe aplicam, como sendo feminista ou de ficção científica. Como leitora de Margaret Atwood reservo-me o direito de considerar The Handmaid’s Tale como ficção científica, mais especificamente distopia, até porque nem toda a ficção científica tem de ter naves e alienígenas, e de colocar os livros ao lado de outros clássicos do género.

Para quem ande no Porto, o evento é gratuito, apesar de ser necessário reservar lugar. Se pretendem mais informações sobre o evento, podem consultar a página oficial.

Eventos: Literal – 3º Encontro Literário de Alenquer

Vem aí mais um evento literário dedicado ao fantástico em Portugal! Trata-se do LiterAl, um evento que decorre anualmente em Alenquer e que este ano se centra na fantasia, apesar de ter algumas componentes de horror e de ficção científica. No programa encontramos palestras sobre o fantástico na juventude, em diversos meios de produção (prosa, poesia e teatro) e o seu futuro em Portugal.

Aproveito para divulgar que também estarei presente neste evento, com a Inês Botelho e o Luís Filipe Silva para falarmos do futuro do Fantástico em Portugal!

 

Assim foi – Fórum Fantástico 2018

 

O Fórum Fantástico deste ano foi caracterizado por vários lançamentos de autores portugueses pelas editoras Imaginauta e Editorial Divergência, destacando-se, também, a presença do autor de ficção especulativa Chris Wooding e da editora Gilian Redfearn, que trabalha para a Gollancz.

Lançamentos

Aproveitando um dia mais direccionado para a cidade de Lisboa (até no seguimento do recente espaço de reflexão de que o futuro da cidade que se tem criado), ocorreu o lançamento de Lisboa Oculta – Guia Turístico.  Tratando-se de um projecto que está em curso há algum tempo, era dos lançamentos que mais esperava. A apresentação ficou a cargo de Anísio Franco, licenciado em História da Arte e conservador no Museu Nacional de Arte Antiga, que bem conhece a história de muitos dos locais retratados, e que deu uma perspectiva interessante a este lançamento. Nesta antologia de contos com a forma de guia turístico, vários espaços da cidade são convertidos em cenários fantásticos, sobretudo envoltos em horror, destacando-se o visual cuidado das páginas, diferente de conto para conto.

Outro dos livros cujo lançamento teve grande destaque no Fórum Fantástico, foi Tudo Isto Existe de João Ventura. João Ventura é um dos autores mais prolíferos do meio da ficção especulativa portuguesa, que tem publicado em diversas antologias. Os seus contos encontravam-se, por isso, até agora, dispersos, sendo que Tudo Isto Existe constitui a primeira colectânea do autor. A apresentação foi precedida por uma pequena peça de teatro, que consistiu na adaptação de um dos contos curtos de João Ventura, Outro Sentido, com encenação de Sara Afonso.

Outra das obras de ficção especulativa apresentada foi O Resto é Paisagem, uma antologia que teve como editor o Luís Filipe Silva, e que foi lançada pela Editorial Divergência. Esta antologia reuniu vários contos que decorrem num cenário rural, cenário inquietante e que não é totalmente dominado pelo homem e que, como tal, é propício a histórias com elementos de terror.

Neste caso o espaço da apresentação foi partilhado com André Oliveira que também aproveita o cenário rural para tecer várias das suas histórias, exactamente pelos mesmos motivos.  Neste caso, a conversa começou por referir as obras de André Oliveira e prosseguiu para o seu mais recente projecto, como editor da JBC.

Na componente de banda desenhada lançou-se, como já é habitual, o mais recente volume da Apocryphus, Femme Fatale, com a presença de vários dos autores. Falou-se, claro, do processo criativo e da cooperação entre narradores e desenhadores, sem esquecer as adversidades e a evolução da antologia ao longo dos volumes. Infelizmente, esta sessão passou do Sábado para o Domingo (no seguimento do temporal que se esperava) tendo, por isso, sido realizada com menor presença de autores do que seria expectável.

Convidados internacionais

Mas o Fórum Fantástico não apresentou apenas novos livros. Este ano teve dois convidados internacionais, Chris Wooding e Gilian Redfearn que participaram em duas conversas sobre publicação e edição, em dois dias diferentes, sexta e sábado. Na sexta a conversa centrou-se mais em Gilian Redfearn, editora na Gollancz, uma das mais conhecidas editoras mundiais no género da ficção especulativa. Falou-se do processo de edição, das diferentes formas de editar e da forma como se escolhem as obras a publicar.

Já no Sábado a conversa centoru-se em Chris Wooding, que falou das suas obras e da forma como se adaptou à temática YA por ter mais liberdade do que nas restantes secções, em que os livros são demasiado catalogados e direccionados para um rótulo. A conversa tocou, claro, na sua perspectiva sobre a componente de edição, e na forma como recebe as sugestões (por exemplo, de Gilian Redfearn.

Chris Wooding foi, ainda, responsável por um workshop do Domingo de escrita, com o título: Character, character, character: putting people in you story.

Lisboa, cidade fantástica de futuros diversos

Ainda que, para mim, o dia de sexta tenha começado mais tarde do que o horário oficial, ainda apanhei parte da conversa “A Lisboa que teria sido… a Lisboa que poderá ser” em que se falou da cidade enquanto espaço de pessoas e para pessoas, espaço em mudança e adaptação constante. Claro que, tendo esta conversa, a presença de João Barreiros, Lisboa foi arrasada por monstros e alienígenas, mas sobrevive ainda, com vários futuros possíveis.

Aniversários

Na sequência dos 25 anos de Filipe Seems foi inaugurada uma exposição com algumas pranchas da obra, e os autores, Nuno Artur Silva e António José Gonçalves, tiveram presentes para uma conversa sobre o surgir da obra, sobre o processo criativo e a evolução da forma de publicação, passando de tiras para volume que as reúne.

Ainda, por ocasião dos 20 anos da morte de Lima de Freitas, foi feita uma homenagem com a presença de José Hartvig de Freitas, o filho que é conhecido como tendo um papel bastante importante na banda desenhada portuguesa. Lima de Freitas, pintor, desenhador e escritor português é conhecido, entre os leitores de ficção científica, como o criador de várias capas dos livros da colecção Argonauta, tendo sido apresentadas várias das que criou. Hartvig de Freitas falou, não só da sua experiência como filho (crescendo com os cenários fantásticos) como da carreira do pai.

Prémios

Este ano foi caracterizado pelo anúncio de dois prémios, um o prémio António de Macedo, como homenagem ao falecido escritor de ficção especulativa, que é atribuído pela Editorial Divergência, com publicação do trabalho escolhido (sem que o autor tenha, claro, de pagar seja o que for – a Divergência não é uma Vanity). O prémio teve, como júri, Rui Ramos e Bruno Martins Soares (para além de Pedro Cipriano, claro) e foi atribuído a Pedro Lucas Martins.

Foram, ainda, revelados os vencedores do prémio Adamastor nas várias categorias. O prémio teve uma fase de nomeação e uma fase de votação, sendo que indico os nomeados e os vencedores (a negrito em cada categoria):

Grande Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Portuguesa

Anjos, de Carlos Silva
Dormir com Lisboa, de Fausta Cardoso Pereira
Espada que Sangra, de Nuno Ferreira
Lovesenda, de António de Macedo
As Nuvens de Hamburgo, de Pedro Cipriano
Proxy, de vários

Prémio Adamastor de Literatura Fantástica Estrangeira

Coração Negro, de Naomi Novik
Fome, de Alma Katsu
Livro do Pó, de Philip Pullman
Lovestar, de Andri Snaer Magnason
Normal, de Warren Ellis
O que se vê da última fila, de Neil Gaiman
Quem Teme a Morte, de Nnedi Okorafor
Reino do Amanhã, de J.G. Ballard
Revelação do Bobo, de Robin Hobb
Semente de Bruxa, de Margaret Atwood

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Conto

Aranha, de Pedro Cipriano
Bastet, de Mário Seabra Coelho
Coração de Pedra, de Diana Pinguicha
Crazy Equoides, de João Barreiros
Modelação ascendente, de Júlia Durand
Videri Quam Esse, de Anton Stark

Prémio Adamastor de Ficção Fantástica em Banda Desenhada

Cemitério dos Sonhos, de Miguel Peres
Dragomante, de Manuel Morgado e Filipe Faria
Free Lance, de Diogo Carvalho
Futuro Proibido, de Pepedelrey
Hanuram, de Ricardo Venâncio
Lugar Maldito, de André Oliveira e João Sequeira
SINtra, de Inês Garcia e Tiago Cruz

Outras conversas

Vencedor do prémio Utopiales, com A Instalação do Medo, Rui Zink falou do seu livro e do respectivo prémio (pouco mencionado na media tradicional) bem como de vários factores sociais (e das redes sociais) actuais. Foi uma conversa divertida com alguns pontos interessantes (ainda que não subscreva várias das perspectivas apresentadas) como a constante desumanização do outro (e por isso passível de linchamento) que passou pela componente literária e sobre o facto das pessoas ficarem fascinadas com um livro na medida do que leram (em relação a outros livros). Ou do que não leram.

Outros espaços

A maioria das actividades decorreu no auditório, mas o Fórum Fantástico é mais do que esta componente. À semelhança de outros anos, existiam várias bancas de várias editoras com livros publicados de fantástico (como Imaginauta, Editorial Divergência ou Saída de Emergência) para além de bancas de alguns autores com material próprio. Destaca-se, também, a tenda com banda desenhada e livros de ficção especulativa (em português e inglês), bem como a exposição alusiva a Philip Seems.

Esta componente (outros espaços) estava um pouco mais fraca do que o ano anterior, em que o agendamento do evento para datas mais próximas do Verão, permitiu uma melhor exploração do espaço da biblioteca. Tanto quanto percebi da programação estava previsto um espaço com demonstração e jogos de tabuleiro, mas sempre que fui à zona assignada, não encontrei esta componente, julgo que, também, por constrangimentos metereológicos.

Outras opiniões

Evento: Fórum Fantástico

Começa amanhã, dia 12, um dos mais esperados eventos do ano em torno da ficção científica e fantasia, o Fórum Fantástico. O Fórum apresenta, como já nos habituou, um programa extenso e diverso, onde se discutem e apresentam projectos. Neste seguimento entrevistei o Rogério Ribeiro, um dos organizadores (conforme já tinha divulgado),  mas aproveito para realçar algumas componentes, cujo programa podem consultar na página oficial do evento:

Workshops de escrita – com Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano ou com Chris Wooding (o convidado internacional deste ano);

Lançamento de livrosLisboa Oculta (Guia Turístico), Tudo isto existe de João Ventura, O Resto é paisagem, Apocryphys vol. 3 (banda desenhada);

Palestras com vários autores nacionais e internacionais – de banda desenhada, ficção científica e fantástico;

– Jogos de tabuleiro;

– Exposições – Nos 25 Anos de Filipe Seems; de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves; Jardim Secreto, de Bruno Caetano;

– Feira do fantástico.

Rascunhos na Voz Online – Rogério Ribeiro (Fórum Fantástico)

O Fórum Fantástico decorre no próximo fim de semana, na Biblioteca Orlando Ribeiro! Para quem não conhece o evento, trata-se de um evento gratuito em torno da ficção especulativa, ficção científica, fantasia e terror, que tem espaço para livros, banda desenhada, jogos de tabuleiro, filmes e até música, entre outras diversões!

Para ouvirem a nossa conversa, basta seguirem a ligação para a mixcloud! E para saberem as actividades que estarão disponíveis, consultem o programa!