Assim foi: Recordar os Esquecidos – Junho de 2017

Dois anos e meio depois, decorridas 29 sessões, eis que se encerra o evento mensal Recordar os Esquecidos com moderação de João Morales e ocorrência na Livraria Almedina do Saldanha. Ao longo destes meses foram vários os livros que foram recordados, alguns editados há tanto tempo em Portugal que só no fundo de um baú podem ser encontrados, outros recentes, mas que passaram despercebidos à maioria dos leitores.

Lista de convidados das sessões publicada por João Morales

Esta sessão trouxe, ao invés dos habituais dois escritores, quatro editores que transmitem paixão pela sua profissão: Guilhermina Gones (Círculo de Leitores e Temas e Debates), João Rodrigues (Sextante editora), Maria Afonso (Antígona) e Hugo Xavier (E-Primatur). Nem sempre se edita aquilo que irá trazer lucro e muitas vezes os editores dedicam parte do seu tempo a trazer às páginas impressas novas edições de obras que sabem ser indicadas apenas para meia dúzia de leitores, seja pela temática, seja pela escrita menos acessível.

A sessão iniciou-se com uma recomendação de Guilhermina Gomes, A República dos sonhos, uma autora que teria, à partida, poucos leitores devido à complexidade da linguagem. Este livro trata de uma história de emigrantes da Galiza e possui três figuras centrais – a avó e o avô da escritora, bem como um amigo destes dois. Apesar da usual escrita sofisticada e barroca de Nélida Piñon, este terá uma escrita mais directa e transparente.

Depois de uma breve referência a Deus nasceu no exílio (de um autor romeno em Espanha que conta os últimos anos em exílio), João Rodrigues fala de As raízes do céu, que é considerado por muitos um dos primeiros romances ecologistas passado na costa de África francesa que se centra na liquidação dos elefantes em África.

 

Maria Afonso, da Antígona, trouxe três pequenos hinos à liberdade. O primeiro, Discurso sobre a servidão voluntária é uma afirmação de liberdade e igualdade e incita os povos a libertarem-se enquanto se mostra incompreensão por tantos conseguirem confiar o poder num só e se aliena dos líderes salvadores “É preciso libertar-mo-nos de quem nos liberta”.

Hugo Xavier começa com um dos mais recentes lançamentos da E-Primatur, Manual de Etiqueta de Vilhena. O autor terá sido capaz de captar a essência do povo português, com os seus preconceitos e tiques, que transforma numa compilação subversiva e ainda actual.

Guilhermina Gomes prossegue com uma nova edição de Mattoso num único volume, da história de Portugal dos dois primeiros séculos que se centrará mais na forma de estar da época do que propriamente nos grandes acontecimentos que estamos habituados a ver listados.

A segunda sugestão de João Rodrigues foi O Arquipélago Gulag, um dos livros mais elucidativos na forma como funcionavam os campos de concentração na antiga União Soviética onde se realça o facto de existirem quotas obrigatórias de mortes, razão pela qual quase que acabavam por ser aleatórias. Inicialmente a obra estava publicada em três volumes, mas o autor decidiu, no final da sua vida responder a uma necessidade e comprimir os três volumes, retirando algumas partes.

Antes de passar à sua escolha, Maria Afonso refere O Tchekista, outro livro que terá como tema Gulag, que se centra numa personagem que começa a ter dúvidas sobre o seu papel nesta máquina mortífera.

Em O Vestido Vermelho pai e filho começam a acusar-se mutuamente pela relação que tiveram com a falecida mãe. Quando entra em cenário a nova mulher do pai, o conflito aprofunda-se. O livro intercala cartas do jovem a si próprio (forma que a mãe aconselharia para resolver conflitos internos) com o narrador e apresenta a passagem da adolescência para a vida adulta.

Os Armários Vazios é a segunda escolha de Hugo Xavier, um gosto improvável segundo relata o editor, pois não é fã dos temas nem do estilo, mas ainda assim não consegue de ler Maria Judite de Caravalho. Escrita dura sobre a sociedade urbana e o isolamento total, temas que apresenta através das suas personagens no cenário de Lisboa.

(a partir daqui fiquei sem bateria para poder tirar notas, mais eis as restantes escolhas)

A última escolha de João Rodrigues é A Cidade dos Prodígios, que apresenta o surgir da cidade de Barcelona. O editor teria ainda trazido A Grande Arte de Rubem Fonseca e A Harpa de Ervas de Truman Capote.

A última escolha da sessão, trazida por Hugo Xavier, será um relato verdadeiro (e não encomendado) da pesca do bacalhau, em que o autor se deslocou nestas embarcações para poder escreve sobre esta dura profissão.

 

Eis mais informação sobre as restantes sessões em que pude estar presente:

Resumo de leituras – Junho de 2017 (2)

73 – O Incrível Hulk – Part 2 – Greg Pak, Carlo Pagulayan e Aaron Lopresti – Se o primeiro volume parecia trazer “apenas” um  bom cenário para lutas mirabolantes, este apresenta algumas variantes interessantes numa história que parecia demasiado cliché;

74 – O Grande Baro e Outras histórias – Virgilio Piñera – Conjunto de excelentes histórias com detalhes deliciosos;

75 – Babel-17 – Samuel R. Delany – Um clássico no género da ficção científica que apresenta a linguagem como capaz de influenciar conhecimento e inteligência, bem como a percepção do mundo. Uma história movimentada que apresenta detalhes culturais interessantes;

76 – Os Monstros que nos habitam – vários – A mais recente antologia da Editorial Divergência reúne histórias sobrenaturais de vários autores nacionais num conjunto que representa várias vertentes do género, desde criaturas sobrenaturais a bruxas e fenómenos inexplicáveis.

Eventos: Devoradores de Livros – Junho de 2017

A próxima tertúlia de ficção científica dos Devoradores de livros traz-nos o projecto Olisippo Obscura, que se dedica a jogos de interpretação imersiva (LARP – Live Action RolePlaying). Segundo informação na página oficial do evento, este projecto tem como finalidade a promoção do Live Action e tem contribuído para iniciar um movimento de interesse em relação a esta actividade.

 

Prémios ESFS

 

Encontra-se a decorrer a Eurocon de 2017 em Dortmund, na qual foram anunciados os vencedores dos prémios ESF. E o destacado com a menção European Grand Master foi… Zoran Zivkovic! Quem segue este blogue conhece o apreço que tenho pelos livros deste autor, publicados em Portugal pela Cavalo de Ferro que, no ano passado, convidou o autor a estar presente na Feira do Livro de Lisboa.

Eventos: Lançamento Cidades

Para quem, como eu, não teve oportunidade de ir ao Festival de Banda Desenhada de Beja, Cidades vai ser lançado durante esta semana em Lisboa, no dia 08. Primeiro volume da Lisbon Studio Series, uma série de antologias que reúne histórias curtas, possui sete histórias de oito autores e prefácios de Filipe Homem Fonseca e Jorge Coelho. Para os interessados deixo-vos a página oficial do evento e algumas páginas do interior.

Eventos: Lançamento Jim Del Monaco – Ladrões do Tempo – Luís Louro e Tozé Simões

O nono álbum da colecção iniciada há 32 anos é apresentado no próximo Sábado pelas 18h30 na Feira do Livro de Lisboa. Deixo-vos a sinopse:

A inauguração de um museu de paleontologia, que esconde um poderoso segredo, está no centro de uma conspiração de perigosos extremistas amantes de práticas desviantes que desejam restabelecer a nova ordem mundial.

Quando, inusitadamente, rebenta uma velha guerra de ossos, é revelada a verdade que deu buraco, o mesmo através do qual se inicia uma perseguição errática no tempo, que leva Jim Del Monaco ao regresso ao passado e a um salto ao futuro, sempre no encalço dos meliantes com ameaçadoras criaturas a morderem-lhe os calcanhares.

Inicialmente inspiradas em Jim das Selvas e tendo por pano de fundo a era colonial de meados do século passado, as aventuras de Jim Del Monaco desenrolam-se em torno dos mitos e lendas do grande continente africano, bem como dos clássicos intemporais da literatura e do cinema de aventura, suspense, mistério e ficção científica. Os acontecimentos e personagens são tanto reais como ficcionados, mas estão sempre de alguma forma associados ao imaginário da época, embora por vezes pontuados por elementos descontextualizados e importados da modernidade.

Os enredos abordam os temas e situações de forma caricatural, numa linguagem humorística e apimentada, com desenlaces rápidos, inesperados, surreais e até mesmo absurdos, tendo unicamente por objetivo entreter e divertir de forma bem humorada.

 

Eventos: Sessões de culto com presença do realizador

A sessão mensal de Abril é marcada por duas novidades. Primeiro, para além da sessão do Nimas, irá haver uma segunda no Monumental do mesmo realizador. E porquê? Porque o realizador Michele Soavi virá às sessões para apresentação e responder a questões! E os filmes são Dellamorte Dellamore no Nimas e Arriverderci Amore Ciao.

Destaque: Novas edições

Não são só os novos livros que devem ser destacados, mas também aqueles que se recuperam no mercado para não caírem em esquecimento. Eis alguns que serão lançados novamente nos próximos tempos:

cidades-rtp

Um dos grandes livros de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, terá nova edição na colecção RTP, em capa dura e preço acessível. Este clássico da literatura fantástica apresenta várias cidades ficcionais descritas por Marco Polo ao Imperador Kublai Khan. Nomeado para o prémio Nebula, o livro já serviu de inspiração para uma Opera. Eis a sinopse:

A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. […] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. […] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» Italo Calvino «Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor.» Nuno Júdice Prefaciado por Nuno Júdice.

prestigio

Adaptado para cinema, O Prestígio é a história fantástica da rivalidade tempestuosa entre dois mágicos:

Uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Londres, 1878. Dois jovens mágicos cruzam caminhos enquanto actuam em luxuosas salas de espectáculo vitorianas. E cedo nasce um feudo cruel que irá assombrar as suas vidas, levadas ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. A rivalidade instiga-os a atingir o pico das respectivas carreiras, mas com consequências terríveis. Na busca de um truque que conduza à ruína do rival, escolhem o caminho da ciência mais negra. O sangue será derramado, mas não será suficiente. No fim, o legado dos mágicos irá passar para as futuras gerações e serão os descendentes a ter de desvendar a teia de loucura que envolve estranhos actos de magia…

loki

Publicado há algum tempo no mercado português, retorna pela G Floy:

Há dois lados para cada história, e agora chegou a altura de ouvir o lado de Loki: o filho preterido de Odin vai contar a história toda do seu ponto de vista, a sua sede insaciável de poder, os seus sentimentos ambíguos para com Sif, a sua antipatia para com Balder, e o seu imenso ressentimento contra o seu irmão mais velho, Thor. Com a excepcional arte de Esad Ribic, um dos maiores artistas da Marvel, e argumento do romancista Robert Rodi, esta história auto-contida vai mostrar-nos Asgard como nunca a tínhamos visto! Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

Sobre Loki deixo-vos, também, algumas páginas disponibilizadas pela editora:

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