Eventos: Sessões de culto com presença do realizador

A sessão mensal de Abril é marcada por duas novidades. Primeiro, para além da sessão do Nimas, irá haver uma segunda no Monumental do mesmo realizador. E porquê? Porque o realizador Michele Soavi virá às sessões para apresentação e responder a questões! E os filmes são Dellamorte Dellamore no Nimas e Arriverderci Amore Ciao.

Destaque: Novas edições

Não são só os novos livros que devem ser destacados, mas também aqueles que se recuperam no mercado para não caírem em esquecimento. Eis alguns que serão lançados novamente nos próximos tempos:

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Um dos grandes livros de Italo Calvino, As Cidades Invisíveis, terá nova edição na colecção RTP, em capa dura e preço acessível. Este clássico da literatura fantástica apresenta várias cidades ficcionais descritas por Marco Polo ao Imperador Kublai Khan. Nomeado para o prémio Nebula, o livro já serviu de inspiração para uma Opera. Eis a sinopse:

A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. […] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. […] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.» Italo Calvino «Ao projetar a sua própria voz nos relatos de cidades que pontuam o diálogo entre Marco Polo e Kublai Kan, Calvino reencontra essa capacidade dos antigos construtores de fábulas, e sabe transmitir o prazer que aquele que conta tem de suscitar no ouvinte, que é o próprio leitor.» Nuno Júdice Prefaciado por Nuno Júdice.

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Adaptado para cinema, O Prestígio é a história fantástica da rivalidade tempestuosa entre dois mágicos:

Uma história de segredos obsessivos e curiosidades insaciáveis. Londres, 1878. Dois jovens mágicos cruzam caminhos enquanto actuam em luxuosas salas de espectáculo vitorianas. E cedo nasce um feudo cruel que irá assombrar as suas vidas, levadas ao extremo pelo mistério de uma espantosa ilusão que ambos fazem em palco. A rivalidade instiga-os a atingir o pico das respectivas carreiras, mas com consequências terríveis. Na busca de um truque que conduza à ruína do rival, escolhem o caminho da ciência mais negra. O sangue será derramado, mas não será suficiente. No fim, o legado dos mágicos irá passar para as futuras gerações e serão os descendentes a ter de desvendar a teia de loucura que envolve estranhos actos de magia…

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Publicado há algum tempo no mercado português, retorna pela G Floy:

Há dois lados para cada história, e agora chegou a altura de ouvir o lado de Loki: o filho preterido de Odin vai contar a história toda do seu ponto de vista, a sua sede insaciável de poder, os seus sentimentos ambíguos para com Sif, a sua antipatia para com Balder, e o seu imenso ressentimento contra o seu irmão mais velho, Thor. Com a excepcional arte de Esad Ribic, um dos maiores artistas da Marvel, e argumento do romancista Robert Rodi, esta história auto-contida vai mostrar-nos Asgard como nunca a tínhamos visto! Loki tornou-se finalmente soberano de Asgard, e Odin foi colocado a ferros, tal como todos aqueles que batalharam em seu nome. No entanto, Loki vê-se cercado de antigos aliados e interesses vários, todos em busca de recompensa pela ajuda prestada na sua ascensão. E Hela, deusa do Reino dos Mortos, empurra-o para completar o seu triunfo com a execução de Thor. Loki terá de ponderar se a sua existência fará algum sentido sem o seu meio-irmão…

Sobre Loki deixo-vos, também, algumas páginas disponibilizadas pela editora:

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Eventos: Apresentação Apocryphus

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Apocryphus, antologia de banda desenhada que conta com um primeiro volume sob o tema Fantasia, será apresentada no dia 22, em Lisboa. Para os interessados em saber um pouco mais sobre o primeiro volume convido à leitura do comentário sobre a mesma, com fotos do conteúdo. Para os interessados a assistir ao evento, deixo-vos a página oficial do evento.

Eventos: Sessões de Culto – As Escolhas de Filipe Melo – The Fearless Vampire Killers

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A quarta sessão de culto com as escolhas de Filipe Melo já tem data marcada para dia 18 de Janeiro, pelas 21h30, no Nimas. Deixo-vos a informação disponibilizada sobre o evento, bem como a ligação para a página oficial:

Um sábio professor e o seu limitado aprendiz são aprisionados por vampiros num castelo misterioso da Transilvânia quando tentam salvar uma dama em apuros.

Realizado por Roman Polanski em 1967, este clássico das comédias de terror é uma paródia vampiresca, e apesar de não ter sido um grande sucesso de bilheteira quando estreou, “The Fearless Vampire Killers” tornou-se ao longo dos anos um objecto de culto, além de transformar a actriz Sharon Tate numa estrela.

 

Eventos: Comunidade de Leitores Culturgest – Entre dois Mundos

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A comunidade de leitores da Culturgest inclui, na sua programação, a literatura de horror, incidindo, durante o mês de Janeiro, no excelente Santuário de Andrew Michael Hurley, publicado recentemente em Portugal pela Bertrand. O evento carece de pré-inscrição que podem fazer conforme indicado na página oficial. Abaixo o texto que acompanha o anúncio bem como a programação para os próximos meses:

O estranho, o fantástico, o bizarro poderão estar afastados do nosso quotidiano, neste mundo pragmático e realista em que (quase) todos vivemos. Considerado como uma categoria bem definida, principalmente no Cinema, o Terror, embora muito popular, está normalmente contido dentro das fronteiras de um género específico que, em Literatura, remete para o que foi cunhado de “gótico”. Mas os nossos sentidos não desdenham de um bom calafrio, de um susto inesperado que façam emergir a nossa atávica ligação ao “folclore” (folk-lore). Embora os fantasmas e outras aparições funestas tenham sido maioritariamente relegadas para os jogos de computador e para as séries televisivas, a história da Literatura, principalmente a partir do Romantismo, continua a explorar um certo tipo de imaginário, aquilo a que Sigmund Freud chamou de “unheimlich“, ou seja, o que não é familiar, o que se encontra “entre dois mundos”, entre a luz e a sombra, entre o racional e o irracional, entre o que é explicável e o que é inexplicável. Neste ciclo de leituras, tentaremos perceber em que espaço nos movimentamos quando deparamos com situações tão estranhas como o fanatismo religioso no recente romance de Hurley, as perturbações da infância e adolescência em James, a estranheza de “ser diferente” na sulista O’Connor, os truques mágicos e satíricos de Sena, a hilariante e elegante paródia fantasmagórica de Wilde ou o exemplo do “gótico” sofisticado de Brontë. Um ciclo que não é uma viagem no comboio fantasma mas que promete brumas, catacumbas, ranger de portas, correntes de ar maléficas, aparições, donzelas em perigo e um ou outro arrepio de desconforto.

Helena Vasconcelos

Programação

12 de janeiro – Santuário, Andrew Michael Hurley, ed. Bertrand

26 de janeiro – O Aperto do Parafuso (ou O Calafrio, ed. Europa-América),
Henry James, ed. Sistema Solar

9 de fevereiro – O Físico Prodigioso, Jorge de Sena, Guimarães editora

23 de fevereiro – O Céu é dos Violentos, Flannery O’Connor, ed. Relógio D’Água

9 de março – O Fantasma de Canterville, Oscar Wilde, Porto Editora

23 de março – Jane Eyre, Charlotte Brontë, ed. Relógio D’Água

A ficção especulativa em Portugal – 2016

Se o ano 2016 foi catastrófico em diversas áreas, na ficção especulativa, não sendo extraordinário, foi um ano muito razoável, ultrapassando o ritmo de 2015 e abrindo portas para um 2017 que promete.

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Tivemos poucas visitas estrangeiras, quando comparamos com 2015 (marcado pela presença de David Brin na Leituria e por Lauren Beukes e Fábio Fernandes em Outras Literaturas entre muitos outros) mas a presença de Brandon Sanderson em Portugal, vindo da Eurocon em Barcelona foi um sucesso que levou muitos à FNAC, bem como a de Carlos Ruíz Záfon na Academia das Ciências. Com menor assistência mas, para mim, de maior destaque foi a vinda de Zoran Zivkovic para o lançamento de O Livro. De nota, a presença de Ken MacLeod nos Mensageiros das Estrelas, evento mais académico dedicado à Ficção Especulativa.

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Olhando para os eventos regulares, Os Sustos às sextas tiveram uma segunda época de sucesso e estão já a preparar a terceira onde alguns detalhes mais literários aguardam o anúncio oficial. Resta-nos aguardar impacientemente! Também este ano o Scifi-LX pareceu mais consolidado voltando ao Pavilhão Central do IST com robots, jogos, livros, palestras e várias outras coisas muito geeks. O Fórum Fantástico também retornou ao espaço habitual, em Telheiras, com os usuais três dias carregados de eventos fantásticos – e já há datas para a edição de 2017 ( 29 de Setembro a 01 de Outubro). De temática não especulativa, Recordar os Esquecidos escorrega de vez em quando na ficção científica e na fantasia, destacando-se pelas tardes bem passadas no Saldanha, revendo livros e autores.

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Mas 2016 também foi marcado pelo aparecimento dos Devoradores de Livros, uma tertúlia mensal que termina em jantar, que decorre na Leituria e onde se fala sobretudo de livros de ficção especulativa, mas não só. Ainda em solo nacional, João Barreiros apresentou Viagem ao retrofuturo, e deu-se especial destaque a António de Macedo, com o filme O Segredo das Pedras Vivas no MotelX, e o divertidíssimo documentário sobre a sua obra, Nos interstícios da Realidade. Ainda na Península Ibérica, mas fora de Portugal, é de destacar a forte presença portuguesa na Eurocon de Barcelona, associada ao evento Scifi-Lx e à Editorial Divergência, com Luís Filipe Silva a marcar presença em vários painéis.

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A nível de publicações de ficção especulativa nacional, também não foi um mau ano, com o lançamento de Terrarium na Comic Con (mas apenas disponível nas livrarias a partir de 27 de Janeiro), de Galxmente de Luís Filipe Silva (nova edição), A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários de António de Macedo, Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, e da primeira antologia Cyberpunk portuguesa, Proxy, pela Editorial Divergência. Em caminhos mais internacionais, foi publicado um conto de um autor português, Mário de Seabra Coelho, na Strange Horizons!

Sem estranhar, a publicação de livros estrangeiros continua escassa e camuflada em etiquetas genéricas e pouco alusivas à ficção especulativa. Eis os que achei mais relevantes:

Sobre o ano de 2015, podem consultar a entrada equivalente, A ficção especulativa em Portugal – 2015.

O meu ano em fotos…

Bem sei que o ano ainda não terminou, mas eis um apanhado de alguns momentos que marcaram este horrível ano de 2016. Olhando assim, nem parece.

1

Parede

2

Feira do Livro

3

4

David Lloyd

5

Lisboa

6

Lisboa

7

António de Macedo – apresentação do filme O Segredo das Pedras Vivas

8

O trabalho

9

Lisboa

10

11

12

13

AmadoraBD

14

Barcelona

15

Barcelona

16

Lisboa

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Assim foi: Lançamento Terrarium Comic Con

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Não, infelizmente ainda não foi este ano que passei pela Comic Con, mas eis o vídeo do Dário Duarte que, quase, quase, nos coloca por lá.

Antes do lançamento João Barreiros foi entrevistado na Rádio Comercial e para quem não conhece, nem nunca ouviu falar do Terrarium, ficam com uma boa noção do que encontram nas livrarias a partir de Janeiro:

Eventos: Recordar os Esquecidos de 2016

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Por ser o mês do Natal, a sessão de Dezembro decorre uma semana antes do que é habitual, e com um âmbito ligeiramente diferente, tendo como objectivo recordar os esquecidos, sim, mas apenas do ano de 2016, ou seja, recordando-se livros que não tiveram a devida relevância ou publicidade durante este ano.

Os convidados deste mês são dois jornalistas, José Mário Silva e Inês Bernardo, repetindo as palavras de João Morales, a dupla que faz a Biblioteca de Bolso.

 

Assim foi: Carlos Ruiz Záfon em Portugal

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Carlos Ruiz Záfon esteve em Portugal para o lançamento do seu mais recente livro, O Labirinto dos Espíritos, o último da tetralogia O cemitério dos livros esquecidos, lançado pela Planeta. Não bastava a série passar-se na minha cidade favorita, Barcelona, ainda por cima centra-se em livros e na existência de um cemitério onde repousam as últimas cópias de muitos livros.

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O local escolhido não podia ser melhor. O salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa é uma local fascinante para quem gosta de livros e bibliotecas, mas suficientemente espaçoso para acomodar uma sessão onde estiveram, talvez, umas duzentas pessoas.

No pequeno palco esteve o autor, à conversa com o jornalista Luís Caetano que soube intercalar citações para puxar as perguntas, que se centraram, não só sobre o processo de escrita do autor, que já teria um esquema de toda a tetralogia quando iniciou a escrita (mas dando o devido espaço para que fossem feitas algumas adaptações, conforme se desenvolvesse a história), mas também sobre as inspirações, os locais mais fascinantes com livros que já visitou, ou as fotos que foram escolhidas para as capas, sendo que a primeira, apesar de enquadrada no tema, ser na verdade de Madrid e não de Barcelona.

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Claro que seria impossível ter uma conversa sobre Barcelona sem cair no tema político. Não que tenha sido objectivo do autor falar sobretudo do contexto político, mas o franquismo foi uma época marcante na vida dos espanhóis, sobretudo em Barcelona, cidade que sofreu não só pela guerra, mas pelas acções desumanizantes a que foram submetidos vários cidadãos, com crianças a serem retiradas às suas famílias por questões políticas, ou entes queridos a desaparecerem sem deixarem qualquer rasto.

No final, veio a surpresa maior, Carlos Ruiz Záfon compõe enquanto escreve e sentou-se ao piano para interpretar alguns trechos de sua própria autoria! A sessão terminou com os autógrafos – em que felizmente consegui um dos primeiros lugares porque a fila era enorme!

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Assim foi: Recordar os Esquecidos – Novembro de 2016

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A sessão de Novembro contou com a presença de Nuno Camarneiro e Nuno Costa Santos, bem como a habitual moderação de João Morales.

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A primeira escolha de Nuno Camarneiro vai para A Vida Modo de Usar, de Georges Perec, o romance mais romance deste autor pois normalmente os seus livros são desafios e puzzles. Por um exemplo, num dos seus livros descreve uma praça central de Paris, ao detalhe, quer as pessoas, quer os edifícios que o compõem.

Neste, A vida Modo de Usar, toda a história se passa num prédio, ao longo dos vários quartos, sendo que nunca se retorna à mesma divisão. Ao longo da narrativa vai-se explorando a vida de todas as personagens que lá moram. Por exemplo, um dos habitantes é um excêntrico que vai contratando as várias pessoas que lá moram, para executarem tarefas que se complementam. Para conseguir contar esta história circulando pelos quartos, sem se repetir, o autor tinha um mapa fictício das divisões.

Sem serem livros necessariamente profundos, são divertidos, centrando-se bastante nos objectos, a partir das quais as pessoas surgem, como que por arrasto. Órfão muito cedo, “há qualquer coisa de um menino que aprendeu a brincar dentro da própria cabeça”(Nuno Camarneiro).

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A primeira escolha de Nuno Costa Santos foi Remington de Jorge Listopad. O autor terá nascido em Praga no ano de 1921 e passado pela resistência aos nazis. Já em França, conheceu Sartre, Beckett, entre outros nomes conhecidos. Entre a realidade e a ficção, Listopad brinca, apresentando vários episódios cujos possíveis detalhes ficcionais não se distinguem da realidade.

Homem de flashes e de iluminações, demonstra a dor de quem fugiu à guerra, com as marcas de um clandestino que todas as noites tinha de procurar azilo e que acaba por pertencer a parte alguma. Entre as fábulas anedóticas em que consegue brincar com a sua própria tragédia, apresenta episódios como a presença de Hitler na ópera Salomé que terá lançado as sementes para o anti-semitismo (no seguimento de um episódio de bondade de Alma, interpretado como humilhação), ou quando terá recebido, de Sartre, uma máquina de escrever com uma história mirabolante.

Este foi um dos livros que corri a adquirir no final da sessão. O outro é o próximo, mas infelizmente, parece esgotado.

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A segunda escolha de Nuno Camarneiro foi Ovelha Negra e outras fábulas de Augusto Monterroso. Autor de literatura fragmentada, escreve sobretudo contos, biografias imaginárias e é o autor conhecido por ter o conto mais pequeno do Mundo. Pelo menos na época em que o escreveu. A propósito deste autor, leu-se a opinião de Isaac Asimov:

“Os pequenos textos de A ovelha negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso, aparentemente inofensivos, mordem os que deles se aproximam sem a devida cautela e deixam cicatrizes. Não por outro motivo são eficazes. Depois de ler “O macaco que quis ser escritor satírico”, jamais voltei a ser o mesmo.”

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Nuno Costa Santos segue recordando Giovanni Papini, primeiro com Um Homem Liquidado. Autor que o marcou pela coragem e frontalidade com que interpelava o leitor, terá estado ligado ao futurismo. Apesar de ter sido anti-cristão, mais tarde converteu-se e tornou-se menos interessante. Marginalizado pelas opiniões políticas, terá sido dos primeiros a dirigir-se directamente ao leitor, algo pouco usual para a época.

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Um dos primeiros livros de Aquilino Ribeiro, autor difícil e antiquado quando muitos já tinham apanhado o comboio do modernismo (que ele não quis seguir), possui muitos regionalismos difíceis, muito territoriais já para a época e que terão caído em desuso entretanto. Anti clericais, mas não de uma forma óbvia, sem ser poético nem romantizado, este Jardim das Tormentas apresenta-se telúrico, com o pensamento encantatório sobre o passado que não se deixa espartilhar pela Igreja.

Recuperando algum classicismo, apresenta o maravilhoso profano pagão, com erotismo muito selvagem. Este Jardim das Tormentas apresenta vários contos que poderão ser considerados esboços do que veriam a ser os livros seguintes. De destacar um dos contos que é passado num pós apocalipse.

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Nuno Costa Santos recorda, em seguida, Rui Knopfli com Obra Poética. Autor que terá vivido em fronteiras perdidas (como diz Agualusa), que terá uma escrita agreste e emocional. A este propósito destacou-se O Monhé das Cobras (que representa o lado dos episódios africanos) e O Escriba Acocorado.

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O próximo esquecido é Sá de Miranda, por Nuno Camarneiro. Pouco se sabe sobre este poeta, um dos maiores antigos poetas portugueses que trouxe o soneto para Portugal bem como outros mecanismos poéticos.

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Para fechar a sessão Nuno Costa Santos recorda dois autores açorianos, Emanuel Félix e José Martins Garcia. De Emanuel Félix destacou-se a Viagem Poesia, com a leitura de As Raparigas lá de casa. De José Martins Garcia destacou-se O Medo, um romance sobre a guerra colonial, passado na Guiné, um dos lugares mais violentas da guerra, com um tom depressivo, sublimado pelo sarcasmo.