Chocky foi publicado recentemente em português pela Editorial Presença através da colecção Lado B ao invés de através da colecção dedicada ao fantástico e à ficção científica, Via Láctea. Depois de Trouble with lichen e The Chrysalids este foi o terceiro livro de John Wyndham que tive  oportunidade de ler que, tal como o The Chrysalids contempla a possibilidade de seres inteligentes poderem comunicar telepaticamente.

Adoptado, Mathew é uma criança de desenvolvimento aparentemente normal até ao dia em que os pais se apercebem que este tem estranhas e complexas conversas com um amigo ficcional. Estranhas porque debatem assuntos cientificamente bastante avançados, e que têm influenciado a sua abordagem nos testes e a formulação de estranhas perguntas aos professores.

Os pais, preocupados, resolvem procurar opinião profissional num amigo do pai. Ao contrário do que julgavam, este não relaciona a existência de Chocky a um amigo imaginário ou à loucura, mas sim a uma espécie de possessão. A mãe de Mathew entra em negação e continua a achar que Chocky é um amigo imaginário, mas resolve-se a esconder os comportamentos de Mathew. Estes são, no entanto, difíceis de ocultar, principalmente depois de salvar a irmã de se afogar apesar de não saber nadar, e de ganhar um prémio juvenil de desenho sem nunca ter demonstrado capacidades artísticas.

Menos trágico que The Chrysalids, mas mais movimentado que Trouble With Lichen, Chocky apresenta, tal como anteriores uma leveza narrativa que faz com que a leitura flua rapidamente. Mas é também com leveza que acompanhamos a história, afastados das personagens, pouco sabendo do que pensam, e visualizando sempre a acção de longe, o que prejudica o envolvimento do leitor na história.

Tal como nos livros anteriores, a premissa é interessante e a história é desenvolvida de forma coesa em torno desta. É, no entanto, o afastamento das personagens e consequentemente dos acontecimentos que impedem que as obras ultrapassem o bom para se juntarem ao excelente. Com uma abordagem pouco pesada da ficção científica, estas poderão, no entanto, ser boas opções para quem gosta de histórias com alguma porção de ficção científica, mas não em demasia.