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Tenho a confessar que é com alguma desconfiança que olho para ficção especulativa portuguesa. Excepção feita, claro, para um pequeno conjunto de autores cujas obras conheço e que entram sempre na lista de aquisições obrigatórias. Neste caso, o título despertou-me alguma curiosidade, mas fiquei sem saber o que esperar da capa.
Felizmente, a surpresa foi positiva. Esqueçam os fatalismos e a melancolia características de jovens autores que almejam a próxima comparação a Tolkien ou Meyer. Esqueçam a prepotência de longos discursos carregados de palavras caras mal usadas ou de expressões que pretendem dar ao texto mais importância do que a que tem. O Fim Chega numa Manhã de Nevoeiro é antes uma história de tom leve e divertido, assente num investigador policial bronco e solteiro, que se vê rodeado de seres sobrenaturais.
A história começa com uma sessão de terapia a Baltazar Mendes, o investigador policial suspenso das suas funções por declarar a existência de seres sobrenaturais. Ainda não recuperado do primeiro encontro, volta a ser contratado à força por feiticeiros graças ao dom peculiar de imunidade ao sobrenatural. Desta vez a missão é bastante mais crítica: um grupo de feiticeiros irá tentar ressuscitar um poderoso taumaturgo, o rei D. Sebastião, o que poderá dar início ao fim do Mundo, e Baltazar Mendes terá um papel fulcral em impedir que tal aconteça.
Seguem-se as perseguições e buscas em covis de vampiros, com cenas de luta corporal e duelos de magos. Em todas estas cenas, o elemento cómico é mantido pelos comentários mau humorados do detective rabugento que se vê arrastado por cenários sobrenaturais na cidade de Lisboa. Com grandes reviravoltas, a história cativou-me pelo ritmo e leveza, realçando-se pela quebra de alguns clichés relacionados com seres sobrenaturais. Em suma, divertiu-me.
