Little Brother – Cory Doctorow

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Há alguns anos li as primeiras 100 páginas de rajada deste livro, num café da fnac. Ficou-me na memória terminá-lo um dia, mas só recentemente o comprei. O título é uma óbvia alusão ao Big Brother de 1984 (George Orwell). Ambos os livros nos apresentam sociedades sob vigilância contínua, extremamente controladas, e onde qualquer fuga à norma ou à vigilância é associada ao inimigo ou ao terrorismo.

1984 é sem dúvida um clássico, mas Little Brother conseguiu ser ainda mais assustador. Talvez por ser uma leitura mais recente, ou por ser uma realidade mais próxima da que conhecemos. 1984 não foi a primeira distopia que li, e a realidade que descreve possui detalhes discrepantes com a nossa. Em Little Brother a sociedade que se descreve é semelhante à nossa não só em referências culturais e geográficas, como na vigilância contínua por câmaras, escutas telefónicas e bases de dados com informação pessoal. E todos estes dados são mais usados contra, do que a favor dos cidadãos.

Usando como argumento base a necessidade de segurança nacional (quem não deve não teme), a vigilância torna-se cada vez mais apertada: um desvio do habitual caminho diário, ou um diferente padrão de navageção na internet, são motivos para questionamento ou prisão sem julgamento.Os jovens, principalmente os estudantes, são assim os mais questionados e oportunados.

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A história começa por nos apresentar Marcus, um jovem entendido em programação, que descobre técnicas para conseguir fugir da escola sem ser reconhecido. O destino da fuga é um jogo de caça ao tesouro pela cidade com os amigos. Infelizmente, na mesma altura, explodem bombas pela cidade. É desta forma que todos os que se encontram no local se vêem detidos pelas autoridades. Uma semana depois alguns são libertados, mas não o melhor amigo de Marcus, Darryl. Assim começa a luta contra a autoridade e vigilância absolutas, baseada na internet paralela montada por Marcus.

Existem livros, que por serem escritos para um público juvenil,a qualidade da escrita é menor, ou o tom é infantil. Não é o caso, pelo contrário. Cory Doctorow preocupou-se em inserir a teoria por detrás das técnicas usadas por Marcus para despistar e sabotar as autoridades.Encriptação ou programação são dois dos temas extensivamente debatidos. A meu ver, até em exagero. As personagens são, conforme esperado, juvenis, mas não infantis. A história é uma escalada sufocante: o maior controlo faz evoluir as técnicas de camuflagem, que por sua vez aumentam a supervisão.

O que me cativou em Little Brother foi sem dúvida a irreverência das personagens num mundo tão semelhante ao nosso, onde (e utilizando o discurso comum) as liberdades individuais são postas de lado em prol da segurança, e o medo é utilizado para conseguir o apoio da população adulta. Tão à semelhança de outros episódios que têm acontecido recentemente, mas, em Little Brother, de forma bastante mais extrema.

 

3 pensamentos sobre “Little Brother – Cory Doctorow

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