Lightspeed Agosto 2012

Este pequeno conto recorda mais um conjunto de entradas numa enciclopédia do que propriamente uma história com princípio, meio e fim. Aqui, como o título indica, descreve-se como cinco espécies inteligentes mantém registo de histórias e conhecimentos passados. E não constituindo propriamente livros, os métodos como mantém registo são tão diversos quanto as próprias espécies.

A primeira espécie (Allatians) regista numa superfície metálica, com o probóscis, as suas histórias. Escritas como se fossem uma gravação de som, lêem-se também da mesma forma, e contêm, para além das palavras, a própria entoação de quem escreveu a história. Os Quatzoli são uma espécie de origem mecânica, que constroem as gerações seguintes, a quem doam uma parte do seu próprio cérebro e memórias, que vai crescendo com a vivência do indivíduo.

Os Hesperoe, espécie inialmente guerreira, não se baseiam em registo físico das suas memórias. Antes deixam, quando morrem, um mapa tridimensional das suas memórias que permitem a quem as consulta uma interacção quase conversacional. Por sua vez os Tull-Toks são pequenos seres etéreos que tudo trespassam e tudo lêem. Finalmente, os Caru’ee dão usos peculiares aos arquivos construídos pelas restantes espécies.

Mas claro, estas são apenas descrições resumidas de métodos mais complexos e completos, que evoluem com a própria espécie sapiente, acabando por a descrever indirectamente. As entradas, carregadas de curiosidades, interligam-se entre si. No final fica o sentimento de “onde está o resto”, porque estas cinco entradas parecem apenas o aperitivo de uma enciclopédia.

A segunda história da edição gratuita da Lightspeed (Agosto de 2012) também pode ser encontrada no site oficial. Do mesmo autor podem encontrar também gratuitamente, Paper Menagerie, a história que ganhou recentemente os prémios Hugo, Nebula e World Fantasy Award,