The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

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Assim foi: Contacto 2019

O Contacto, organizado pela Imaginauta, começou em 2018 no Palácio Baldaya em Benfica. Dedicado à ficção científica e fantástico, é um evento que se destaca por ter, para além de palestras e um espaço dedicado à literatura, muitas outras actividades apropriadas para todas as idades – lutas de sabres de luz, aulas de magia influenciadas pelo mundo do Harry Potter, exposições, jogos de tabuleiro, steampunk e muito mais.

Lançamentos

A minha perspectiva do evento é mais literária, destacando os eventos de lançamento que foram decorrendo. O primeiro a que assisti foi o lançamento do novo livro em português de Bruno Martins Soares, As Crónicas de Byllard Iddo – um lançamento em que o autor falou do livro e do interesse nos mundos que cria.

Já no Sábado, ainda presenciar um pouco do lançamento do livro de Nuno Duarte, O outro lado de Z, onde o autor Nuno Duarte falou do mundo fantástico de este livro e de outros. Seguiu-se o lançamento da antologia Winepunk onde participei (no lançamento, não na antologia). A antologia destaca-se por ser uma realidade alternativa que tem por base a história de Portugal, mais propriamente o Reino do Norte que, no meio das convulsões, surgiu no Norte de Portugal mas que apenas durou 3 semanas. E se tivesse durado 3 anos? Após ter iniciado o lançamento, o Rogério Ribeiro falou um pouco da forma como geraram a base antes de enviarem o desafio aos autores, Pedro Cipriano falou da produção que se seguiu por parte da editora, e os dois autores presentes (João Barreiros e João Ventura) falaram do seu processo criativo neste mundo fictício.

O último lançamento a que pude assistir foi o lançamento de Amadis de Gaula por Nuno Júdice, em que o autor falou da incerteza da autoria do livro, da forma como influenciou e é referido em obras posteriores, mostrando um exemplar com vários séculos de existência.

Banda desenhada

Para além do lançamento de O outro lado de Z, o Contacto reservou espaço na agenda para que pudessemos conhecer um pouco melhor outros autores de banda desenhada, como Joana Afonso, Henrique Gandum, Fábio Veras e Luís Zhang (autores de Filhos do Rato).

Ainda, no Lagar (zona central do edifício) estiveram alguns artistas a projectar enquanto desenhavam: FIL e Miguel Santos (da Associação Tentáculo) bem como Diogo Mané.

Ponto de encontro

Este tipo de eventos fantásticos e de ficção científica costumam ser ponto de encontro entre autores e editores, levando à criação de vários projectos. Neste caso o evento ajudou nestes encontros, disponibilizando uma sala para estes pudessem decorrer de forma mais oficial. Destacam-se dois encontros, um para a geração de um portal português de ficção científica e fantástico e outro para o encontro de autores de ficção científica e fantástico onde vários autores trocaram experiências.

Outros detalhes

Durante o evento decorreu uma taberna medieval e uma feira do livro que apresentava bancas das mais conhecidas editoras de ficção científica e fantástico – desde a Saída de Emergência com a colecção Bang!, à Europa-América com a colecção de livros de bolso de ficção científica, passando pela Imaginauta e pela Editorial Divergência entre outras.

Para além das exposições encontrávamos salas temáticas: Steampunk, Harry Potter e Star Wars, mais voltadas para o público jovem; bem como uma pequena oferta de jogos de tabuleiro.

O Feminino no Fantástico

Antologia de contos de ficção científica e fantástico onde o corpo da mulher tem papel fundamental

Desde o passado Fórum Bang! (no qual participei, com a Inês Botelho, numa palestra sobre a mulher na ficção especulativa) que ando com vontade de espelhar alguns pensamentos na forma escrita. Sim, a representação da mulher tem-se alterado nos últimos anos. Porquê? Será a moda do politicamente correcto? Bem, mais do que uma moda, a minha percepção é que resulta da pressão do próprio público, farto do mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

Porque digo isto? Bem, dou-vos como exemplo bastante óbvio as nomeações para os prémios Hugo. Para quem não está a par, aqui há uns anos surgiu um grupo de escritores de ficção científica revoltado com o afastamento dos protagonistas ou escritores tradicionais, brancos hetero. Estavam a ser nomeados, e premiados, sucessivamente, autores diferentes deste padrão original.

 

 

 

 

 

 

 

Este grupo de autores, designado como Sad Puppies, não só fizeram campanha pela ficção científica de homens para homens (ocidentais e hetero, claro) como tentaram concentrar votos em obras específicas. O resultado? Conseguiram algumas nomeações mas não o prémio, existindo algumas categorias em que o resultado foi até “sem premiado”. Pelo meio ainda houve uma nomeação curiosa a Chuck Tingle, um autor de pornografia homossexual de ficção científica, que aproveitou para parodiar o destaque, numa obra curiosa.

 

 

 

 

 

 

 

Bem, julgo que a resposta do público a este movimento demonstra que a verdadeira pressão sobre a indústria literária não é tanto pelo politicamente correcto, mas pela vontade, do público, em ver diversidade nas personagens, e ler obras que representem pessoas e não os típicos estereotipos de heróis, há muito ultrapassados. Personagens que se parecem com pessoas, densas, variáveis e, sobretudo, representativas da realidade que nos rodeia. Representativas da diversidade.

 

 

 

 

 

 

 

Não estou a falar, portanto, só de uma representação diferente do feminino, mas, também, uma diferente representação do masculino. Trata-se de criar histórias mais equilibradas em termos de papéis – nem as personagens femininas têm de ser ridiculamente fortes e destemidas para poderem ser protagonistas, abdicando de sentimentos para poderem ser tomadas a serio; nem as personagens masculinas têm de ser a personificação da certeza e da autoridade, podendo ser apenas pessoas com as suas dúvidas, incertezas e sentimentos.

 

 

 

 

 

 

 

Claro, que na componente feminina, outras questões de levantam. O uso do corpo como elemento para apimentar uma história (neste detalhe já existem exemplos que usam o corpo feminino e masculino) ou o consentimento no uso desse corpo. Não é, totalmente de estranhar que as histórias tradicionais, como as da Disney, os contos de fadas (sobretudo as mais recentes versões Disney), de princesas indefesas e passivas, tenham de ser revistos. Habituámo-nos a aceitar, sem questionar, os papéis que são concedidos às mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

Detalhando. Se pensarmos bem, que tipo de homem encontra uma mulher, morta ou inconsciente, no meio de uma floresta e a beija? Que papel tem a mulher na escolha do seu parceiro , se se pressupõe que o príncipe que a salva a possui – sem se conhecerem previamente, a princesa passa de cativeiro a cativeiro. Numa gaiola dourada, claro. Mas nem por isso menos questionável. Que tipo de mensagem passa uma história onde um príncipe não reconhece a mulher pela qual se apaixonou e a procura pela medida de um sapato?

 

 

 

 

 

 

 

Sim, estas histórias reflectem a época em que foram construídas. Mas pouca ou nada se tem feito para as adaptar à realidade que nos rodeia. Quantas características ditas femininas não resultarão das expectativas que nos rodeiam? E o mesmo se pode dizer dos rapazes que não podem expressar sensibilidade ou sentimentos sem serem gozados. As personagens têm de evoluir – e não só as femininas. Deixo-vos com esta provocação. E, espero, algo para pensar. E debater.

Rascunhos na Voz Online – Rogério Ribeiro (Fórum Fantástico)

O Fórum Fantástico decorre no próximo fim de semana, na Biblioteca Orlando Ribeiro! Para quem não conhece o evento, trata-se de um evento gratuito em torno da ficção especulativa, ficção científica, fantasia e terror, que tem espaço para livros, banda desenhada, jogos de tabuleiro, filmes e até música, entre outras diversões!

Para ouvirem a nossa conversa, basta seguirem a ligação para a mixcloud! E para saberem as actividades que estarão disponíveis, consultem o programa!

Lightspeed Magazine – Abril 2018

Este número começa com um excelente conto, What is Eve? de Will McIntosh, em que um grupo de crianças se vê num autocarro, envolvidas num programa especial do governo que poderá determinar o seu futuro. Novas demais para pensarem em programas de férias como decisivos numa profissão longínquoa, estas crianças vão para uma escola de condições excelentes, quase normais, não fossem os aparelhos de escuta e os auriculares que têm de usar permanentemente (e através dos quais podem receber ordens sobre o que dizer ou como se comportarem. Ah. E o estranho monstro que com eles frequenta as aulas.

De capacidades violentas (que exerceu rapidamente contra uma professora) este monstro empatiza com as crianças mas sente-se demasiado vigiado, monstrando uma atitude permanente de desafio contra a autoridade. Mas que razão poderá levar um programa secreto do estado a fechar umas quantas crianças na mesma sala que um monstro capaz de violência? A história consegue manter o interesse no mistério que se revela lentamente, fechando de forma elegante, mas deixando um arrepio sobre as possibilidades que explora.

Novela em histórias que se destacou em 2007 nos prémios literários asiáticos

Webs de Mary Anne Mohanraj é a segunda história e não desilude em relação à primeira. Nesta história os problemas de discriminação agudizam-se numa colónia humana noutro planeta. Não contra as diferenças raciais, políticas ou religiosas, mas contra aqueles que efectuaram diferenças estruturais nos seus corpos e que lhes permitem, por exemplo, voar. Comparativamente, a alteração de sexo é banal e até ignorada por estes propagadores de novos ódios.

Explorando a evolução dos relacionamentos humanos ao longo da vida, em que amizades e amores fortes se estabelecem mas, também, esmorecem sem se perceber a razão concreta para tal, a história alieniza-se da realidade actual para apresentar a discriminação levada ao extremo, como resultado do medo que gera o ódio cego e violento.

The Elephant’s Crematorium de Timothy Mudie é uma história menos coesa,  embarcando num quase New Weird, sonhador, ainda que tenha excelentes momentos em que a urgência apolíptica se faz sentir. Na realidade retratada a realidade está em quebra, levando a bolhas que impedem a comunicação e a viagem. Uma investigadora encontra-se em África para estudar elefantes, mas nesta nova realidade assiste à morte destes animais que se vão em chamas sem que se perceba a existência de uma fonte de ignição.

Já em Mozart on the Kalahari de Steven Barnes acompanhamos um jovem que tenta vencer a pobreza, almejando um sonho que o leva a realizar uma série de ilegalidades prodigiosas que provam a sua inteligência e o seu desespero. Também não é uma história perfeita, mas reflecte o desespero de um mundo em declínio ecológico e económico, em que os ricos conseguem safar-se das doenças e os pobres vivem condenados pelas suas limitadas possibilidades.

O livro de contos de Carmen Maria Machado já foi publicado em Portugal

A componente de fantasia abre com uma história de Carmen Maria Machado, The Old Women who were skinned, revertendo os tradicionais contos fantásticos – ou melhor – se calhar voltando. Os contos não são fofinhos e carregados de príncipes e finais felizes. Os reis dispõem dos seus súbitos como querem, e, apesar dos detalhes fantásticos, a vida das mulheres pouco vale neste mundo.

A place without portals de Adam-Troy Castro começa da forma como muitos contos fantásticos terminam: com uma criança a acordar de um sonho em que era a heroína num reino fantástico, e a aperceber-se de se encontrar num mundo normal. Ainda que a premissa seja interessante, a forma como este conto foi apresentado não me envolveu grandemente.

Em The Snow Train de Ken Liu apresenta-se um comboio misterioso que abrirá o caminho por entre a neve para os restantes, enquanto em Nitrate Nocturnes de Ruth Joffre se sabe em quantos dias se conhecerá a alma gémea. Enquanto o primeiro é uma boa história que se estende demasiado, o segundo envolve componentes como sexualidade e relações de poder entre géneros, mas de uma forma que não me convenceu totalmente.

Este número termina com Lazy Dog Out, uma Space Opera movimentada e envolvente, que opõe poderosos a trabalhadores e desconhecidos, tornando-se numa história de amor heróico num cenário de elevada tecnologia. É, portanto, uma história carregada de esperança na humanidade e na capacidade de vencer o bem, contrastando com a dura realidade apresentada noutras histórias deste volume.

Estas histórias encontram-se disponíveis gratuitamente. Basta clicar no título:

What is Eve?

Webs

The Elephant’s Crematorium

Mozart on the Kalahari

The old women who were skinned

A place without portals

The Snow Train

Nitrate Nocturnes

Eventos: Sci-fi LX 2018 – componente literária

Desde a workshops, a palestras, o programa do Sci-fi LX dedicado à literatura de ficção científica é extenso! Deixo-vos algumas sugestões (e, claro, não podia deixar de dar destaque àquelas em que participo):

Dia 14 – 16h – Onde estão as naves espaciais da literatura portuguesa?

A produção de ficção especulativa, mais propriamente de ficção científica escasseia e raramente se vê nas lojas carregadas de possíveis best-sellers de fácil consumo. Ainda assim, pequenas editoras como a Imaginauta ou a Editorial Divergência têm conseguido lançar boas histórias! Esta palestra pretende dar a conhecer o pouco, mas bom, que se faz por cá.

Dia 14 – 17h – Robots na ficção científica – catastróficos, ridículos e apocalípticos! – com João Barreiros

Os robots fazem parte da ficção há largos séculos. Oscilando entre a forma humana
e meros mecanismos, os robots na ficção podem ser assustadores, ameaçando a
espécie humana, ou cómicos, como entidades que não compreendem a ironia ou o
pouco lógico relacionamento entre humanos. Nesta pequena palestra apresentam-se
alguns bons exemplos na ficção científica.

António Macedo – O “Arquitector” de Universos – António de Sousa Dias

António de Sousa Dias apresenta uma homenagem a um dos mais prolíficos cineastas e escritores do Fantástico português. Conheçam a obra e o percurso de António de Macedo (1931-2017).

Homenagem a Ursula Le Guin – Coordenação: Luís Filipe Silva

Nesta homenagem à recentemente falecida Ursula Le Guin, Luís Filipe Silva coordena a partilha de excertos da obra da autora, que mais terão marcado os participantes. Se quiser ser um dos que partilharão estes textos, inscreva-se em: https://goo.gl/forms/l7qddvSap6aypkon2.
Sessão de Preparação: Sábado 14 de Julho, às 21 horas.
Sessão aberta ao público: Sábado 14 de Julho, às 22 horas

O Fenómeno da desmultiplicação – como escrever uma saga – Filipe Faria

Filipe Faria, conhecido autor de As Crónicas de Allaryia, uma saga de sete volumes publicada ao longo de nove anos (e talvez escrita ao longo de mais tempo) e Felizes Viveram uma Vez, partilha truques, atropelos e vitórias na elaboração de uma história longa em vários volumes para aspirantes a escritor.

Workshop – Como escrever um conto apocalíptico – Pedro Cipriano

Pedro Cipriano, autor premiado e fundador da Editorial Divergência, traz-nos um workshop sobre a escrita de contos apocalípticos.

Lançamento – Steampunk Internacional

A Editorial Divergência lança, no Sci-Fi Lx 2018, a Antologia Steampunk Internacional, um projecto conjunto desta editora nacional, da New Con Press do Reino Unido e da Osuuskumma da Finlândia. Nove autores de quatro países, publicados em três línguas: http://divergencia.pt/loja/steampunk-internacional/

O Apocalipse na Fantasia e na Ficção científica – Diogo de Almeida 

Os Mensageiros das Estrelas voltam a colaborar com o Sci-Fi Lx, desta vez com uma palestra de Diogo de Almeida sobre o Apocalipse na Fantasia e na Ficção Científica. Para saberem mais sobre a edição deste ano dos Mensageiros das Estrelas visitem: http://messengersfromthestars.letras.ulisboa.pt/

Experiências de BD e literatura – Leonor Ferrão, Miguel Jorge e Diana Pinguicha

Três artistas e três visões das artes! Nesta palestra será abordado a BD e a Literatura, enquanto artes modeladoras da vida

Como sobreviver ao fim do mundo – O Apocalipse na Literatura – Nuno Ferreira

O Nuno Ferreira falará da noção de Apocalipse na literatura, com dicas para sobrevivermos

Assim foi: Festival Contacto

O Contacto ocorreu este Sábado em Benfica, no Palácio Baldaya!  Trata-se de um espaço recuperado recentemente (e inaugurado no dia 01 de Setembro de 2017), com várias salas, wi-fi gratuito, uma pequena biblioteca, uma ludoteca e uma cafetaria. O palácio possui, ainda, um belíssimo jardim interior!

A disposição do espaço permitiu a execução de várias actividades em simultâneo, com uma sala de jogos de tabuleiro, uma sala de escape room (organizada pela liga Steampunk), uma feira do livro, uma sala Harry Potter, actividades Star Wars, uma sala de apresentação e uma sala para contadores de contos (e é possível que me tenha esquecido de alguma coisa.

Com várias actividades à disposição, optei para assistir primeiro àquelas que ocorriam apenas uma vez, o lançamento de A Espada Que Sangra de Nuno Ferreira e o lançamento de Comandante Serralves – Expansão. No primeiro caso trata-se de uma nova edição do livro do autor,  o primeiro de uma saga fantástica que verá os restantes volumes publicados pela Editorial Divergência, e que sofreu, para esta publicação, uma extensa edição (com alguns cortes). Já cá tenho o meu exemplar assinado e prontinho para ser uma das próximas leituras!

Por sua vez, Comandante Serralves – Expansão reúne 3 longas histórias passadas no Universo de Comandante Serralves, Space Opera portuguesa onde um Império humano se expande pelo Sistema Solar. Este Império possui características ditadoriais e, como tal, organizou-se um grupo de dissidentes que estão contra o Regime. Comandante Serralves é um dos elementos principais, um humano de ascendência portuguesa que renasce no corpo de voluntários sempre que o corpo anterior é destruído nalguma missão.

Este volume começa com O entrelaçamento electroquântico de que são feitas as lendas de Rui Bastos, um conto que já tinha lido noutro formato e que aconselho bastante. É um conto bem tecido com toques cómicos onde não falta o cientista louco que aspira ao impossível. Mas o volume tem outros contos que ainda não li!

Depois dos lançamentos foi a vez de jogarmos um joquinho de tabuleiro, neste caso, Labirinto, um jogo engraçado que trabalha a memória com alguma estratégia, enquanto esperávamos para entrar para a Escape Room, organizada pela Liga Steampunk. No nosso caso levámos crianças que se divertiram imenso. Tratou-se de um actividade engraçada, realçando-se a creatividade necessária para o aproveitamento do espaço.

Entre a desgraça da feira do livro (desgraça, pelo mal que fez à carteira), pausa para conversas e jogos de tabuleiro, foi uma tarde muito bem passada, num espaço divertido que proporcionou bons momentos para todas as idades! Como ponto negativo tenho apenas a quebra que a feira de artesanato proporcionava ao evento (quebra provocada por decisões alheias à organização do Contacto). De destacar que se trata de um evento gratuito (salvo por algumas actividades de preço irrisório que ajudaria a compensar as despesas de material associadas) organizado por gosto da Imaginauta em trazer a ficção especulativa nas suas várias expressões!

Eventos: Sustos às sextas

Em anos anteriores o evento Sustos às sextas decorreu ao longo de alguns meses por cada ano. Em 2018, por motivos de indisponibilidade dos organizadores, o evento terá uma única sessão na próxima sexta-feira. Trata-se de uma sexta-feira muito especial, uma sexta-feira 13, propícia, por esse motivo a um evento deste tipo.

Para quem não conheço o evento aconselho a visualização dos vídeos das sessões anteriores (há gravações que guardam a totalidade da edição e edições resumo com os pontos principais de cada uma), ou que oiça a entrevista a António Monteiro sobre a sessão deste ano.  Trata-se de um evento de bom gosto que apresenta música clássica ou bailado, intercalando livros com ilustrações ou o contar de contos tradicionais ou exposições de máscara ibéricas.

Deixo-vos o programa completo bem como a ligação para a página oficial do evento:

21:00 – Recepção dos convidados
21:30 – Apresentação da sessão
21:40 -. Bailado, com produção de Mercedes Cabanach e coreografia de Catarina Moreira
22:00 – Entrevista com o escritor Nuno Matos Valente, autor do “Bestiário Tradicional Português”
22:30 – Pausa para café
22:45 – Evocação do bi-centenário da publicação de “Frankenstein”
23:00 – Actividade a definir
23:30 – Divulgação do resultado do jogo* e encerramento

 

 

Rascunhos na Voz Online – Sustos às sextas

O evento Sustos às sextas conta, este ano, com uma única sessão, mas trata-se de uma sessão num dia especial – uma sexta-feira 13! Portanto, no local de sempre, no Palácio dos Aciprestes (em Linda-a-velha) pelas 21h, no dia 13 de Abril! Esta sessão recordará Frankenstein, por fazer, este ano, 200 anos da sua publicação – este foi um marco na literatura de terror e é considerado um dos primeiros livros de ficção científica.

Neste seguimento estive à conversa com António Monteiro para nos falar um pouco mais sobre como surgiu o Sustos às sextas e o que poderemos esperar na sessão de 13 de Abril. Deixo-vos, portanto, o endereço da conversa (na Mixcloud), bem como programa da sessão:

Programa 04 – Sustos às sextas

21:00 – Recepção dos convidados
21:30 – Apresentação da sessão
21:40 -. Bailado, com produção de Mercedes Cabanach e coreografia de Catarina Moreira
22:00 – Entrevista com o escritor Nuno Matos Valente, autor do “Bestiário Tradicional Português”
22:30 – Pausa para café
22:45 – Evocação do bi-centenário da publicação de “Frankenstein”
23:00 – Actividade a definir
23:30 – Divulgação do resultado do jogo* e encerramento

Rascunhos na Voz Online – Mixcloud

Já aqui divulguei, por diversas vezes, que o Rascunhos virou, também, programa de rádio na Voz Online. À semelhança do que encontram na página o programa centra-se, sobretudo, em ficção científica, fantasia e banda desenhada. Os programas ficam depois, disponíveis para serem ouvidos na Mixcloud. Deixo-vos a ligação para dois deles:

Programa 2 – Festival Contacto – Entrevista a Carlos Silva

Programa 3 – Miguelanxo Prado

You know how the story goes – Thomas Olde Heuvelt

Conheci este autor holandês com  The Day the World Turned Upside Down, antes de saber que tinha ganho o prémio Hugo, constituindo o primeiro conto traduzido a vencer na categoaria. Este autor publicou, também, um dos livros de ficção especulativa mais falados de 2013, Hex (e bastante recomendado por João Barreiros) e venceu vários prémios holandeses de literatura.

Em You Know How The Story Goes o autor pega num cliché de horror e desenvolve- competentemente, mantendo o interesse do leitor até ao final. Trata-se de uma história típica de estradas assombradas por um carro, onde quem apanha boleia vive uma autêntica história de terror.

Ao usar uma ideia comum o autor aproveita o medo das estradas sombrias durante a noite, a sensação inquietante provocada por desgraçadas anteriores, bem como reminiscências dos antigos contos onde, nas estradas, andavam fantasmas que levavam à desgraça os viajantes, num padrão reconhecível e inevitável.

Este aproveitamento é feito de forma assumida no próprio título, onde a personagem narradora começa por nos dizer que nunca acreditou em tais histórias – tal como o possível leitor que se depara com tal narrativa.

You know how the story goes é uma história disponível gratuitamente em TOR.com.

A ficção especulativa em Portugal – 2017

2016 foi, comparativamente a 2017, um ano muito bom. 2017 conseguiu manter alguns dos eventos, mas esmoreceu nas visitas estrangeiras. Veremos o que vem com 2018.

O ano começou em grande, com os eventos de lançamento de Terrarium (de Luís Filipe Silva e João Barreiros), sessão de Sustos às sextas, Devoradores de Livros, Comunidade de Leitores Culturgest e filme de culto de Filipe Melo.

Depois da apresentação inicial da Comic Con (ainda em 2016) decorreu uma sessão na Leituria, integrada nos Devoradores de Livros, e uma na FNAC com a presença de Rui Zink. As sessões foram divertidas e bem humoradas com as usuais boas tiradas do Tio Barreiros que podem ser ouvidas na entrevista sobre o livro.

O evento Devoradores de Livros sofreu uma pausa em 2017 mas já tem sessão para Janeiro de 2018 agendada!

Por sua vez, os Sustos às Sextas de 2017 também garantiu momentos interessantes, com exposições, contos ou marionetas, tendo aberto, este ano, espaço para sugestões de leitura! Infelizmente o evento não retorna em 2018, mas esperemos que não seja o fim de um dos poucos eventos dedicados ao Terror em Portugal que não cai e se baseia apenas no Gore.

O ano começou, também, com a ida à Comunidade de Leitores Culturgest (entre dois mundos) a dia 12 de Janeiro para a sessão de Santuário de Andrew Michael Hurley, mas desgostei tanto da sessão que foi a primeira e a única.

Destas sessões de culto organizadas por Filipe Melo (que infelizmente já não se verificam em 2018) fizeram parte filmes como Dellamorte Dellamore ou Fearless Vampire Killers e vieram convidados como Greg Sestero (actor no filme The Room) ou Lloyd Kaufman (TROMA). Este foi um dos eventos que marcou o ano e que nos fazia antecipar a ida mensal ao cinema pelo excelente clima que se verificava na sala.

Também o evento Recordar os Esquecidos parou em 2017, tendo sido efectuadas 29 sessões com a moderação de João Morales. A última sessão teve como convidados alguns editores ao invés dos usuais escritores: Guilhermina Gones (Círculo de Leitores e Temas e Debates), João Rodrigues (Sextante editora), Maria Afonso (Antígona) e Hugo Xavier (E-Primatur). Ao longo destas sessões foram várias as indicações que me fizeram ler algumas obras pouco prováveis.

Na  biblioteca de São Lázaro decorreram dois lançamentos da Editorial Divergência, o primeiro do livro Lovesenda de António de Macedo onde tive oportunidade de falar um pouco sobre o livro, e o segundo da antologia Monstros que nos habitam, que reúne vários contos sobrenaturais de autores nacionais.

O Sci-fi LX deste ano teve várias sessões ligadas à literatura e voltou a explorar o pavilhão central do IST, tendo espaço para vários workshops interessantes, jogos e cinema. Continua a ser um evento em expansão, gratuito e acessível para todas as idades e esperemos que continue a crescer nos próximos anos.

Uma das grandes novidades deste ano veio com a antecipação do Fórum Fantástico no calendário que decorreu em Setembro, permitindo a exploração dos espaços ao ar livre da Biblioteca, com uma tenda para a venda de livros e espaços para a venda de produtos relacionados com a fantasia ou o Steampunk. De realçar, também, a presença de Mike e Linda Carey, dois autores de ficção científica e fantástico que também têm estado envolvidos na banda desenhada.

Outra das grandes novidades deste ano foi o Festival Bang, organizado pela Saída de Emergência que teve como principal convidada a Anne Bishop. Não tendo podido estar presente, deixo-vos o relato do Artur Coelho.

Entre eventos dedicados a Tolkien e a Arthur C. Clarke, decorreu ainda a Comic Con com convidados como Andrzej Sapkowski e Claire Nort (que gostaria que tivessem tido algum evento no Sul do país, mas infelizmente tal não se verificou).

Lançamentos

O Jorge  Candeias já antecipou esta componente,  mas destaco que tanto Comandante Serralves – Expansão como Crazy Equóides são lançamentos previstos para 2018 (nota que o próprio levanta, dizendo que a compilação são de alertas de lançamento e não de lançamentos efectivos).

De 2017 realçaria os seguintes (ordem alfabética):

  • A Estrada Subterrânea – Colson Whitehead
  • A Rapariga que Sabia Demais – M. R. Carey
  • A Revolta de Atlas – Ayn Rand
  • A Súbita Aparição de Hope Arden – Claire North
  • Almanaque Steampunk – vários autores
  • Anjos – Carlos Silva
  • As nuvens de Hamburgo – Pedro Cipriano
  • Autoridade – Jeff VanderMeer
  • Contos do Gin-Tonic e Outros Preparados Inéditos – Mário-Henrique Leiria
  • Lovesenda – António de Macedo
  • Mulheres Perigosas – org. George R. R. Martin e Gardner Dozois
  • Normal – Warren Ellis
  • O Espírito da Ficção Científica – Roberto Bolaño
  • O Homem Duplo – Philip K. Dick
  • Os Cavalos de Abdera e Mais Forças Estranhas – Leopoldo Lugones
  • Os monstros que nos habitam – vários autores
  • Os Pássaros no Fim do Mundo – Charlie Jane Anders
  • Os Três Estigmas de Palmer Eldritch – Philip K. Dick
  • Reino do Amanhã – J. G. Ballard
  • Relatório Minoritário e Outros Contos – Philip K. Dick
  • Terrarium – João Barreiros e Luís Filipe Silva

Resumos de outros anos

Novos projectos literários em curso

Amanhãs que cantam

Este é o novo projecto da Imaginauta, em parceria com a Épica, que já nos trouxe obras como Comandante Serralves, uma obra de ficção científica portuguesa que ultrapassou todas as expectativas e nos presenteou com um conjunto coeso de histórias que decorre numa realidade alternativa interessante – o que tem de peculiar este conjunto? Está carregado de referências bem portuguesas!

Amanhãs que cantam, o novo projecto pretende agregar histórias que decorram numa realidade alternativa em que Portugal ficou sob um regime comunista desde 1968, ano em que Salazar caiu da cadeira. Neste projecto os contos não têm de ser concordantes e podem expressar a sua própria versão deste regime, podendo constituir histórias utópicas ou distópicas.

Interessados? Podem consultar o regulamento na página oficial da Imaginauta.

Concurso nacional de contos de ficção especulativa

Este concurso resulta numa parceria entre o Sc-fi LX, a Imaginauta e a Editorial Divergência e pretende premiar contos de ficção especulativa, ou seja, fantasia, ficção científica ou terror. O concurso tem, associado, um prémio e um acordo de exploração comercial. Para mais detalhes podem consultar a página da Imaginauta sobre o prémio.

 

Antologia de Space Opera “Na imensidão do Universo”

Trata-se de um projecto da Editorial Divergência, uma das poucas editoras portuguesas que tem vindo a apostar na publicação de ficção especulativa de autores nacionais, com obras como Lovesenda de António de Macedo ou Anjos de Carlos Silva, para além das inúmeras antologias.

Para mais detalhes podem consultar a página oficial com o regulamento e informação sobre o que é pretendido.

Antologia de Fantasia Rural “O resto é paisagem!”

Esta antologia resulta de uma parceria com Luís Filipe Silva, conhecido autor de ficção científica português que já organizou outros projectos e que tem representado Portugal nalguns eventos internacionais de ficção especulativa, como a Eurocon.

Para mais detalhes podem consultar a página oficial com o regulamento e informação sobre o que é pretendido.

Base de dados de ficção especulativa Portuguesa

Este projecto distingue-se dos anteriores por não se referir à organização de uma antologia ou por envolver a escrita de contos. Ou melhor. Já envolveu a escrita. Pretende-se criar uma antologia que seja representativa da produção nacional dentro da Ficção Científica, do Fantástico e do Horror.

Para tal criou-se uma base de dados de acesso livre com os contos portugueses já publicados, e criou-se um fórum para facilitar o debate sobre que contos devem ser escolhidos para tal antologia.

Deixo-vos as ligações para cada uma das componentes

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!