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Patrick Ness não é um nome desconhecido no cenário juvenil a nível internacional. A trilogia Chaos Walking venceu inúmeros prémios conceituados e os restantes livros da sua autoria têm mantido a fasquia. É assim de estranhar que este Sete minutos depois da meia-noite (ou A Monster Calls), vencedor da Medalha Carnegie para melhor livro juvenil do Reino Unido, seja o primeiro do autor lançado em português.

Mas passando à frente – tudo é fantástico nesta edição que, à semelhança da inglesa, apresenta belíssimas e escuras imagens em papel lustroso, e ainda vem acompanhada por um poster. Tal qualidade faz-se sentir no peso – apesar de pequeno, é um pesado volume. Mas não é só de aspecto que o livro é pesado.

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A história centra-se em Conor, um rapaz que sobreviveu à separação dos pais e que agora cuida da mãe que enfrenta os duros tratamentos da quimioterapia. Na escola o cenário é o esperado – desde que se soube a doença da mãe que é alvo de tareias por um grupo de rapazes, e afastou-se da sua melhor amiga que terá sido a responsável por espalhar as cusquices da doença.

Cada vez mais revoltado, Conor começa a ser assombrado por um estranho monstro, uma árvore milenar, que chega sempre em hora certa. A cada aparição (e conforme a doença da mãe vai progredindo) Conor demonstra cada vez menos medo do monstro que lhe vai contando estranhas histórias em que nem tudo é linear, e onde a linha que separa o bem do mal é difusa, tal e qual como na vida real.

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Se o rótulo de livro juvenil indica, normalmente, um livro de moralidade simplista e narrativa linear, neste caso tal não acontece. Como os melhores livros juvenis a história é dura como a realidade e não poupa o leitor às dificuldades da doença que a mãe de Conor enfrenta, nem às transformações psicológicas que o próprio Conor sofre.

Apesar de juvenil torna-se, assim, um livro pesado em acções e pensamentos, em que o próprio monstro, no meio de todas estas reviravoltas, começa a ser visto como uma das componentes mais pacíficas da história. Ainda que genial, teria dificuldades em o considerar como uma boa leitura para crianças, e mesmo para jovens dependeria da faixa etária.