Alias é uma história forte e envolvente – não por conta do aspecto gráfico, que achei bastante comum, permanentemente envolvo em sombras e de pouco detalhe – mas porque, apesar dos elementos clássicos das histórias de detectives (decadência, melancolia e alcoolismo) apresenta uma perspectiva pouco comum dos humanos com super poderes.
Alternando momentos de elevada acção com conversas mais introspectivas, Alias centra-se numa super heroína que terá, há muito, deixado o fato popular e reconhecível por uma carreira mais low profile de detective privada, uma profissão que lhe dará o rendimento suficiente para sobreviver e para se embrenhar em algumas tramas de forma mais pessoal.
A história abre com um episódio que, sendo quase cliché, nos dá uma ideia da personalidade da personagem principal. Um cliente, vendo-se traído pela esposa, tenta virar-se contra a detective, uma mulher que decerto estará a rir-se da sua fraqueza. Apesar de tentar evitar o confronto, Jessica Jones não tem outro remédio senão atirá-lo pela janela e chamar a polícia para registarem a ocorrência – situação em que, a custo, lá acaba por admitir ter pertencido aos super-heróis de fato e pompa.
Sem ligações afectivas iniciais, Jessica Jones acaba por oscilar entre os momentos de lazer desprendidos e o demasiado envolvimento nos casos que toma, ultrapassando o papel linear de detective, para tentar corrigir as situações que encontra.
Mais denso em diálogos do que seria de esperar de uma aventura de heróis Marvel, Alias apresenta-nos uma heroína sem poderes particularmente fortes que não encaixa em nenhuma das duas fracções – por um lado não é só humana, por outro não é tão especial quanto os heróis mais poderosos e icónicos. O resultado é uma heroína inteligente que age sempre de forma correcta, que se destaca pouco e que deambula sem objectivos próprios entre missões caseiras que depressa se podem transformar em cenas mais rocambolescas.
Psicologicamente mais complexo, sem grandes e mirabolantes batalhas, Alias torna-se uma boa leitura pela maneira como nos sentimos envolvidos pelo carácter peculiar de Jessica Jones – uma pitada de rectidão, outra de mania da perseguição (q.b.), finalizada com uma baixa auto-estima.
Em Portugal Alias Vol.1 foi publicado pela G. Floy.




