
O título não engana e resume exactamente a história – a de Joseph, um rapaz que, vendo começar uma guerra no local onde se encontra como hóspede convidado, uns familiares distantes, foge e tenta caminhar até casa.
A premissa, já usada em várias outras construções ficcionais, é aqui alimentada por circunstâncias peculiares. É que no planeta em que se inicia a guerra o sistema social que persiste é uma espécie de sistema feudal criada por duas ondas de colonização – a nobreza e o povo.
Segundo a lenda conhecida por Joseph, a primeira onda de colonizadores terá sido incapaz de subsistir no planeta e terá necessitado de ajuda de colonos com maiores capacidades científicas, especialmente para a adaptação da agricultura e medicina. Assim se definiram os dois estratos sociais, pertencendo Joseph à dos que nasceram para governar.

Habituado à tecnologia e sem ter aprendido técnicas de combate ou de sobrevivência, Joseph vê-se no meio de uma revolta que visa a libertação do povo do sistema feudal e é obrigado a fugir. Se, no início, conta com a ajuda de um Nocturnus, um ser minimamente capaz de comunicar, mas de mente demasiado simples, na vila indígena em que se recolhe após um ferimento encontra diferentes perspectivas de vida que não sustentam a sua visão privilegiada do mundo.
Para os indígenas, os colonos são apenas algo passageiro, que um dia deixará aquele mundo, pelo que expressam apatia, intercalada por pequenos momentos de curiosidade sobretudo pelas noções (básicas) de medicina que Jospeh demonstra.
O contacto inicial com os indígenas, que leva ao confronto de ideias, é interessante, mas quebra-se pela necessidade de viajar. Também a curta estadia entre elementos do povo que sempre viveram livres e que questionam abertamente o sistema feudal fazem Jospeh colocar os da sua classe no papel de déspotas conquistadores e questionar-se sobre a ordem que sempre considerou natural.

Com palco e elementos que permitiram construir uma grande história, os momentos envolventes restringem-se a estas pequenas parcelas da viagem, que intercalam a caminhada sem fim por locais inóspitos onde pouco acontece para além da fome. Depois de confrontar Joseph com filosofias e ideias distintas das que conhece seria interessante perceber o que diferente poderia surgir na forma de governar – mas isso é algo que não teremos oportunidade de assistir.
Assim sendo é um livro engraçado mas em que o potencial da premissa e da combinação de elementos bem posicionados não é aproveitado, acabando por se tornar, simplesmente, a história de maturidade de um rapaz, enfatizando a sua transformação em homem jovem.
