
A editora Edições 70 publicou recentemente dois livros de Roberto Calasso, Como organizar uma biblioteca e este, O cunho do editor. Tendo lido o primeiro recentemente, decidi-me a adquirir o segundo na Feira do Livro de Lisboa.
Como o título indica, o volume apresenta uma série de textos sobre ser editor, começando por falar de alguns editores míticos, das colecções que criaram e a marca que deixaram no mundo editorial. Esta componente realça que, numa colecção, seria como se os livros formassem uma só, existindo um fio condutor mais ou menos coerente.
Mas como toda a regra tem excepção, existem também as colecções onde o único elemento comum é terem agradado ao editor que os publica, colocando lado a lado, livros de ficção com livros de não ficção, tão distantes, que até as livrarias teriam dificuldade em organizá-los nas suas prateleiras.
Alguns editores destacam-se pela selecção, outros também pela qualidade da edição, seja pelo minimalismo visual, seja pelas páginas, capas e imagens. As referências são muitas e Roberto Calasso fala, também, da relação pessoal que tinha com alguns editores.
Mais para o final, o autor discorre sobre o que significa ser um editor, e de que forma esta profissão está a ser contaminada pela direcção mais comercial, com objectivos e métricas de performance, com máquinas publicitárias e tempo de prateleira. Não é propriamente uma crítica aos tempos actuais, antes um apontar de dificuldades à profissão que parece estar em declínio.
O resultado é uma leitura interessante, mas que não será para todos os leitores. Faltam, como esperado, as referências à ficção especulativa, e julgo que seria interessante realizar um trabalho semelhante sobre os principais editores de ficção científica e fantasia.
