Eis uma história na antologia que segue um percurso menos óbvio do que os anteriores. Os robots coexistem com seres humanos e possuem as suas próprias missões, ainda que tenham motivações mais obscuras do que aquelas que apresentam à primeira vista.

A história apresenta Asimov como uma das personagens principais, um famoso escritor de ficção científica que gosta de ouvir falar bem dos seus livros, e que não gosta de ser confundido com outros escritores. Para além de Asimov, dois robots tentam ter uma conversa com este, de forma a que este mude uma das suas três leis da robótica – leis que, neste momento, estarão a impedi-los de cumprir na totalidade as funções a que se destinam, sendo um deles, um robot médico.

O que parece um pedido com objectivos directos revela-se algo mais, numa sucessão de encontros e desencontros, onde as conversas tomam percursos imprevistos. Não é uma história de acção, mas de interacção entre as personagens, apresentando argumentos e pequenos debates, onde Asimov é uma figura principal. É-lhe feita uma espécie de homenagem, referindo-se algumas das suas obras – não só aquelas que referem robots, mas também os de investigação criminal, o que nesta história terá a sua relevância.

A história é simpática, uma bem disposta troca de interpretações e argumentos, entre Asimov e os robots. Não é, a meu ver, uma das melhores histórias do conjunto, mas é uma história agradável e bastante diferente de todas as restantes, mais positiva e mais esperançosa.