Nomeado para o Prémio Goodreads na categoria Romantasy (género que se refere à mistura de fantasia com romance), Assistente do Vilão é o primeiro volume de uma trilogia que decorre num Universo ficcional, de contornos medievais. A edição portuguesa foi lançada pela TOPSELLER, mas sem indicação de que se tratava do primeiro de uma trilogia.

A história centra-se numa jovem despassarada e desempregada que tropeça no vilão do reino e, sem saber como, consegue um emprego como assistente. Esta jovem, de nome Evie, tem saltitado de trabalho em trabalho, sendo a única fonte de rendimento da sua família. A mãe terá desaparecido quando descobriu as suas capacidades mágicas, o pai adoeceu com algo incurável, e a irmã é demasiado jovem. Depois de ter perdido o mais recente emprego, Evie deambula desesperada na floresta, tropeçando literalmente no vilão do reino, que, depois de algumas reviravoltas a contrata como assistente.

A história possui detalhes de romance e fantasia, sendo uma leitura despreocupada e ligeiramente cómica. O enquadramento é semelhante ao medieval, havendo um rei todo poderoso que dita as leis e os costumes. Existe, claro, uma guarda que o protege e segue as suas ordens, impondo o respeito e seguindo as suas instruções à risca. Em termos de ambiente medieval, a narrativa possui algumas divergências, como escola para todos, incluindo mulheres.

Não parece haver tecnologia avançada, antes um sistema de magia simples, em que algumas pessoas revelam capacidades mágicas. Estas são catalogadas de acordo com a sua utilidade, havendo o pressuposto de que deverão utilizar a magia a favor do rei e do reino. Para além disso, existem algumas criaturas que também apresentam capacidades mágicas, como dragões.

Em termos de tom, é uma narrativa fluída ainda que, por vezes, se alongue excessivamente em detalhes desnecessários para a progressão da história, servindo mais para adicionar episódios relaxados e ligeiramente cómicos, que conferem um ambiente ligeiro, apesar das atrocidades cometidas pelo vilão – torturas e mortes. Não é de estranhar que um cadáver se encontre em cima da secretária pela manhã, ou que o olho de um torturado possa ser pisado.

Ainda que a personagem principal esteja a trabalhar para um vilão capaz de tais atrocidades, o ambiente consegue ser leve e, até, divertido. Os estagiários podem ser atirados pela janela, as mortes mais sangrentas podem esperar os inimigos, e todos podem ter medo do vilão, mas, de alguma forma, as trocas de galhardetes verbais entre Evie e o vilão tornam-se engraçadas e desarmantes.

Assistente do vilão não é um livro que se leve a sério, ainda que possua alguns momentos mais sérios. A premissa é curiosa e diferente, podendo corresponder à de uma fantasia de ambiente negro, caustico e violento. Apesar de existir esta violência e algumas tiradas mais cáusticas, a centralização numa personagem desastrada e distraída, mais focada nos atributos físicos do patrão do que nas mortes que os rodeiam, leva a que seja uma leitura divertida e engraçada. Só é pena descobrirmos nas últimas páginas que não é uma história contida num único volume.