Este volume reúne toda a série We Only Find Them When They’re Dead, que, segundo a sinopse, promete uma história futurista, com um conflito claro, em torno de corpos de Deuses que são recolhidos para alimentar várias indústrias humanas. A capa antecipa desenhos luminosos e coloridos. No entanto, apesar do conceito futurista, a leitura não me entusiasmou.

A história decorre num futuro distante, em que a humanidade se espalhou pelo Universo e criou vários mundos. É neste contexto que encontramos a tripulação de uma nave que tem como missão recolher partes do cadáver de um imenso Deus, ao mesmo tempo que tentam eliminar outras naves que, ilegalmente se aproximam. A tripulação tem, no entanto, um historial, e é este historial que vai ditar que dois deles se afastem para encontrar um Deus vivo, iniciando-se uma perseguição conflituosa que serve de fio condutor para explorar outros aspectos da sociedade.

Ainda que em termos de construção de mundo, o conceito seja interessante, com os Deuses a ser transformados para consumo humano, em várias vertentes, a história desenvolve-se explorando as consequências sociais sobre a existência destes Deuses, com religiões duvidosas, sacrifícios humanos e decisões peculiares, mas não cativa.

O ponto fundamental estará no pouco desenvolvimento das personagens, o que faz com que os conflitos que se desenvolvem sejam pouco envolventes ou interessantes. Percebemos que existem episódios passados que comprometem os relacionamentos actuais, mas o seu desenvolvimento não tem o impacto esperado, exactamente pela falta de empatia para com as personagens.

Trata-se daqueles casos em que a progressão da história é, simultaneamente, lenta e carregada de acção. Isto porque a história saltita entre vários episódios de conflito onde se denotam tensões, ao mesmo tempo que o enredo em si, se desenvolve mais lentamente.

O volume destaca-se pelo mundo construído, de contornos decadentes, onde os corpos dos Deuses fornecem matéria prima mas também viram obsessão, tanto pelos valores elevados que a tecnologia que possuem permite, como por motivos religiosos que desenvolvem cultos de diferentes crenças.

Ainda assim, dado o tamanho do volume, esperava mais. A intensa exploração de conflitos não se torna numa leitura agradável, não havendo espaço para caracterização das personagens, e as características do mundo são mais usadas para explorar a religiosidade e a oposição de ideais, num cenário que acabou por não me dizer muito.