Duke – Vol.1 – A Lama e o Sangue – Hermann & Yves H.

No Faroeste impera a lei da bala. E a febre do ouro. Este primeiro volume de Duke leva-nos a uma cidade mineira onde a personagem que dá nome à série é ajudante de xerife. Trata-se de um homem sério que tem um pequeno romance com uma mulher de um bordel local – uma mulher para quem a presença na cidade mineira já ultrapassou os limites aceitáveis e que pensa em melhores locais para viver.

Nesta cidade mineira, a história apresenta-nos um homem pobre, um mineiro que regressa a casa após o trabalho. Mas o seu descanso irá durar pouco, interrompido por vários pistoleiros que obedecem às ordens do dono da mina. Quando encontram, em casa deste mineiro, algumas pepitas de ouro escondidas, castigam-no matando a família.

Esta será a ocorrência que irá justificar os restantes acontecimentos da série. A morte destes inocentes irá provocar a revolta de um grupo de mineiros que se vira, finalmente, contra os pistoleiros e tenta a fuga. Sem sucesso. Após presenciar a morte cobarde dos mais fracos Duke irá tentar fazer justiça, mesmo contra as ordens do homem mais rico da cidade e sem a ajuda do Xerife.

Visualmente agradável, este primeiro volume de Duke mantém um bom ritmo através de vários episódios de acção que decorrem em cenários detalhados (algo que tem sido abandonado por alguns artistas como forma de expressar, no desenho, a velocidade da acção). Mas não esperem pessoas de aspecto agradável. O Faroeste não era um lugar idílico para se viver, e as personagens apresentam o desgaste real de tal vivência.

Tanto devido ao tema da série (Faroeste seguindo uma personagem justiceira), tanto pelo estilo (francobelga com publicação pela mesma editora), é impossível não comparar Duke a Bouncer. Mas Duke parece-me, por este primeiro volume, menos violento, um pouco mais pausado (apesar de estar carregado de acção) e mais contido no choque ao leitor. Duke apresenta uma personagem principal que parece, neste volume, mais humana que Bouncer, pelo menos na forma como lida com as restantes personagens. Bouncer centra-se numa personagem que parece incapaz de sair do mesmo ciclo de violência. Já Duke parece seguir em frente, para novos percursos.

Duke é uma série publicada em Portugal pela Arte de Autor.

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Resumo de Leituras – Julho de 2019 (3)

53 – O invisível, a sombra e o seu reflexo – Antónjo Bizarro – Neste pequeno livro de autoria nacional o autor desenvolve várias histórias de crime centrando-se no assassino e nas suas obsessões. Algumas histórias possuem detalhes ligeiramente fantásticos mas a maioria apresenta narrativas sem qualquer elemento pouco natural;

54 – Príncipe Valente – 1937 – Hal Foster – Eis uma série que, curiosamente, envelheceu bem. Talvez por ser voltada para um público mais jovem possui um bom ritmo e uma narrativa simples, que lhe permitem ser lida na actualidade sem quebras. Reconhece-se, claro, o estilo e a cor típicos da altura;

55 – Frango com Ameixas – Marjane Satrapi – Uma narrativa curiosa em que a autora explora um antepassado que, quebrado o seu instrumento musical de eleição, decide morrer. Mas poderá haver mais do que esta quebra de vontade e a autora mistura factos com outros elementos para tecer uma outra história;

56 – A metamorfose e outras fermosas morfoses – Rui Zink – Uma série de pequenos contos que exploram as fronteiras entre o ficcional e o não ficcional, entre o quotidiano e a demência.

No Caderno de Tangerina e Tangerina – Rita Alfaiate

Eis um duo curioso. Se a leitura do primeiro livro, No Caderno  de Tangerina nos faz pensar que estamos perante uma engraçada leitura juvenil, com detalhes semelhantes a outras aventuras de crianças que envolvem monstros e projecções monstruosas que resultam de elementos no seu quotidiano, o segundo livro, Tangerina faz-nos repensar o que lemos no primeiro e perceber que à mesma história podem ser dadas interpretações diferentes consoante os detalhes que nos são mostrados – e que, neste caso, a história pode ter uma versão bastante mais monstruosa do que inicialmente nos parece.

Os verdadeiros monstros andam entre nós, percepcionados apenos por poucos. Para os restantes serão pessoas normais, senão exemplares. No primeiro livro, No Caderno de Tangerina, uma rapariga passa as aulas a desenhar um monstro que terá escapado dos seus sonhos – um monstro com o qual terá vários encontros tenebrosos, encontros estes onde, por vezes, também estará presente o seu colega de carteira, um rapaz que, curioso, se aproxima de Tangerina.

Tangerina, uma rapariga com alguns problemas, mostra episódios agressivos para com este rapaz e uma dualidade de comportamentos que a levam a ser percepcionada de determinada forma pelo próprio leitor (e que a autora facilita pela forma como dispõe os acontecimentos e pela forma como mostra, apenas, alguns detalhes). Já no segundo volume, o acrescentar de mais alguns episódios (na prática de alguns vinhetas) leva-nos a repensar as nossas percepções e interpretações do primeiro e a relê-lo.

Isoladamente, o primeiro volume é engraçado. De leitura rápida apresenta a história da nova aluna da turma, Tangerina, que vai passar pelos óbvios problemas de integração. Não é, assim, de estranhar que a vejamos afastada dos restantes colegas, concentrada nos seus desenhos e deambulando sozinha pelos montes. Por sua vez, o colega de carteira tenta aproximar-se e acaba por se cruzar com o monstro que Tangerina desenha.

Já a conjugação com o segundo volume faz do conjunto uma reviravolta inteligente conferindo maior profundidade à história apresentada, bem como um lado negro e bastante mais arrepiante. Ainda que aparente ser uma história simples, a combinação dos dois volumes torna-a bastante interessante.

No Caderno de Tangerina e Tangerina foram publicados pela Escorpião Azul.

Novidade: O Tesouro do Cisne Negro – Paco Roca e Guillermo del Corral Van Damme

Começa no próximo dia 4 (quinta-feira) a nova colecção Novela Gráfica que é publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público. Esta colecção traz algunas autores já conhecidos do púbico português. Eis o alinhamento da colecção, bem como alguns detalhes do primeiro volume, O Tesouro do Cisne Negro:

  1. O Tesouro do Cisne Negro de Paco Roca e Guillermo del Corral Van Damme, 4 de Julho
  2. Frango com ameixas de Marjane Satrapi, 11 de Julho
  3. A Febre de Urbicanda, Benoit Peeters e François Schuiten,18 de Julho
  4. O rasto de García Lorca, El Torres e Carlos Hernández, 25 de Julho
  5. Monika de Guillem March e Thilde Barboni, 1 de Agosto
  6. Gorazde: Zona Protegida de Joe Sacco, 8 de Agosto
  7. Flex Mentallo: Herói do Mistério de Grant Morrison e Frank Quitely 15 de Agosto
  8. Dias sombrios de Juan Escandell e Lluís Ferrer Ferrer, 22 de Agosto
  9. Como uma luva de veludo forjada em Ferro de Daniel Clowes, 29 de Agosto
  10. As Serpentes Cegas de Bartolomé Seguí e Felipe Hernández Cava, 5 de Setembro
  11. O Número: 73304-23-4153-6-96-8 de Thomas Ott, 12 de Setembro
  12. Neve nos bolsos de Kim, 19 de Setembro
  13. Café Budapeste de Alfonso Zapico, 26 de Setembro

Neste primeiro volume, O Tesouro do Cisne Negro, Paco Roca, ilustrador e Guillhermo Corral, diplomata de carreira e escritor, contam a história de La Merced, um barco espanhol naufragado no século XIX, encontrado por “piratas” americanos no século XXI, e recuperado pelo estado espanhol depois duma longa batalha judicial.

Esta apaixonante aventura marinha teve o seu início em Maio 2007, quando a principal empresa norte-americana de caça de tesouros e barcos naufragados, captou a atenção da opinião pública ao anunciar a descoberta no fundo do mar do espólio de um barco que fazia a rota entre Espanha e as colónias na América Latina. O tesouro era composto por 500 mil moedas em ouro e prata, lingotes de cobre e estanho, caixas de ouro… um total de 17 toneladas.

Segundo a limitada informação difundida pela empresa a descoberta corresponde a uma misteriosa embarcação, o Cisne Negro. No entanto há indícios que apontam para outro navio, o espanhol Nuestra Señora de las Mercedes, no livro apresentado como La Merced, que foi afundado pelas tropas inglesas quando viajava de Montevideu para Cádis, a 5 de Outubro de 1804 na Batalha do Cabo de Santa Maria. A partir desta revelação, inicia-se uma fascinante batalha jurídica e política entre os tribunais dos EUA e de Espanha. Quem era o proprietário do tesouro? Espanha reclama-o como propriedade do património espanhol.

Paco Roca e Guillermo Corral fazem uma homenagem às aventuras clássicas, e resgatam a nossa história mais recente do esquecimento.

Novidade: Bug Vol.1 – Enki Bilal

Com a proximidade do Festival de Beja, a Arte de Autor anuncia o lançamento do primeiro volume de BUG (estando o lançamento do segundo já agendado para Outubro):

Num futuro próximo, numa fração de segundo, o mundo digital desaparece, como se sugado por uma força inexprimível. Um homem encontra-se só no meio da tormenta, cobiçado por todos os outros.
BUG significado
Em português: erro ou falha na execução de programas informáticos, prejudicando ou inviabilizando o seu funcionamento.
Em inglês: inseto, bicharoco ou vírus.

Enki Bilal, denunciante! O que acontecerá se a raça humana abandonar sua memória apenas à tecnologia? Ao contar o BUG do ano de 2041, o artista assina um thriller de antecipação nervosa em que os destinos íntimos se chocam com o caos de um mundo em completo apagão. Na continuidade direta de Monster e Coup de Sang, Bilal continua seu trabalho orwelliano e shakespeariano.

Evento: Fórum Fantástico

Começa amanhã, dia 12, um dos mais esperados eventos do ano em torno da ficção científica e fantasia, o Fórum Fantástico. O Fórum apresenta, como já nos habituou, um programa extenso e diverso, onde se discutem e apresentam projectos. Neste seguimento entrevistei o Rogério Ribeiro, um dos organizadores (conforme já tinha divulgado),  mas aproveito para realçar algumas componentes, cujo programa podem consultar na página oficial do evento:

Workshops de escrita – com Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano ou com Chris Wooding (o convidado internacional deste ano);

Lançamento de livrosLisboa Oculta (Guia Turístico), Tudo isto existe de João Ventura, O Resto é paisagem, Apocryphys vol. 3 (banda desenhada);

Palestras com vários autores nacionais e internacionais – de banda desenhada, ficção científica e fantástico;

– Jogos de tabuleiro;

– Exposições – Nos 25 Anos de Filipe Seems; de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves; Jardim Secreto, de Bruno Caetano;

– Feira do fantástico.

Novidade: Outcast Vol.4 – Kirkman e Azaceta

O quarto volume de Outcast foi apresentado ao mercado português durante a Comic Con de 2018, e chega agora às livrarias e bancas. Deixo-vos a sinopse, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

Toda a vida, Kyle Barnes foi perseguido por influências demoníacas, e, para sobreviver e defender aqueles que ama, precisa de respostas… e essas respostas começam finalmente a chegar, e a serem revelados segredos, quando Kyle e Sidney têm uma conversa que vai mudar tudo. Mas a família Barnes fica em mais perigo do que alguma vez esteve! Allison descobre que a sua filha tem um dom muito especial, mas onde está Kyle? E Anderson, estará disposto a arriscar tudo para o salvar?

Robert Kirkman é um dos mais influentes criadores de comics actual, e um dos cinco partners da Image – o único que não é um dos fundadores. Kirkman é mundialmente famoso pela série The Walking Dead, que foi adaptada à TV pela Fox e se transformou num dos maiores êxitos de sempre.  É considerado como um dos grandes responsáveis daquilo que foi chamado a “Revolução Image”, o incrível período de criatividade pelo qual a editora tem passado e que a transformou numa das maiores editoras de BD do mundo, a terceira maior do mercado americano.

Paul Azaceta, o desenhador de Outcast, é um artista cujo estilo simples, directo e arrojado, já ilustrou séries como Demolidor, Punisher Noir, Homem-Aranha e outras. Outcast é o seu trabalho mais mediático e aclamado, onde o seu estilo, geralmente visto nas páginas de comics de acção muito dinâmicos, é posto ao serviço de uma narrativa pausada e inquietante. O trabalho de Azaceta pode também ser visto no excelente romance policial noir Potter’s Field: O Cemitério dos Esquecidos (com argumento de Mark Waid), também editado pela G. Floy.

“Este é o volume em que subitamente o horror chega, não só pela história que está a ser contada, mas pela arte que a está a contar. Os eventos que aqui acontecem elevam a brutalidade da acção a um nível superior, que é mesmo chocante na maneira como a equipa artística consegue criar uma cena de tal maneira forte que é uma verdadeira declaração de guerra acerca desta guerra que está a acontecer no livro. Um momento do qual não há como regressar, e que vai fazer com que os leitores questionem quem é o verdadeiro monstro.”

– Geeked Out Nation

Outcast está programado para um total de 48 números. A G. Floy planeia editar os arcos de história finais da série em dois volumes duplos, de c. 256 pgs. que reúnem 12 comics individuais cada. O vol. 5 está programado para a Primavera de 2019, e o vol. 6 será provavelmente editado em inícios de 2020 (já que o último número da série, o #48, sairá nos EUA em Dezembro de 2019).

 

 

Novidade: Donald Vol.9

Encontra-se nas bancas, desde dia 18, o nono volume da colecção Donald! Deixo-vos mais informação sobre este volume:

Conteúdo

CRÓNICA DE UM REGRESSO EPISÓDIO #1
CRÓNICA DE UM REGRESSO EPISÓDIO #2
ZÉ CARIOCA: O NASCIMENTO DE UMA LENDA
ZÉ CARIOCA: O XERIFE HOSPITALEIRO
DONALD MENINO E OS SEGREDOS ENCANTADOS DO BOSQUE
PATOS VOADORES: EMPRÉSTIMO

Novidade: Saga Vol. 8

Uma das melhores séries de banda desenhada em curso chega ao oitavo volume no mercado português, sendo que o nono está programado para o Verão de 2019 e em 2020 o décimo (os autores decidiram fazer uma pausa maior entre os volumes da série). Deixo-vos a sinopse bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

SAGA narra a luta de uma jovem família para encontrar o seu lugar num universo vasto e hostil, e já foi descrito como um encontro entre a Guerra das Estrelas e Romeu e Julieta no espaço. Depois dos eventos traumáticos da Guerra por Phang, Hazel e a sua família e companheiros iniciam uma aventura que os irá mudar para sempre, nos limites mais distantes da galáxia. E teremos a oportunidade de descobrir o que aconteceu a Ghüs e à Vontade!

Fantasia e ficção científica – e sexo, traição, morte, amor verdadeiro e vinganças obsessivas – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples, que questiona incessantemente as narrativas e preconceitos do nosso tempo através do contraste com o seu mundo surreal e bizarro.

“O génio de SAGA não está só no seu argumento hábil e inteligente ou na sua arte maravilhosa, mas na simples e tremenda coragem de ter uma aristocracia robot, assassinos com corpo de aranha, e uma gata mentirosa incrivelmente cativante. Esta explosão de ideias que existe em SAGA de algum modo condensa-se e transforma-se na mais essencial das bandas desenhadas modernas.”

– THE IRISH TIMES

SAGA já venceu doze Prémios Eisner – o galardão máximo da banda desenhada anglo-saxónica – entre os quais prémios para Melhor Série em Continuação, Melhor Nova Série, Melhor Argumento e Melhor Arte. Foi também premiado com o Hugo para Melhor História Gráfica – os Hugos distinguem a melhor ficção científica publicada em cada ano, e com uns incríveis dezassete Harveys, que premeiam os melhores comics independentes, incluindo Melhor Argumento, Melhor Artista, e Melhor Nova Série.

O volume 9 está programado para o início do Verão de 2019 em Portugal. Os autores fizeram uma pausa na produção da série, que deverá regressar depois em 2020 com o volume 10.

 

 

Futuroscópio – Miguel Montenegro

Em Futuroscópio o autor explora uma série de premissas futuristas, levando algumas das tendências actuais da nossa sociedade ao extremo – o extremo da vigilância, o extremo da estupidificação em massa, o extremo do afastamento da verdadeira ciência ou o extremo na entrega total à tecnologia.

De pequena história em pequena história, Miguel Montenegro debruça-se nas grandes questões sociais do presente mostrando sociedades distópicas onde, por exemplo, saber ler é grave, e ler um livro é crime passível de recondicionamento e estupidificação forçada do leitor. Ter capacidade de pensar, também. Aliás, o pensamento é algo que deve ser deixado de parte!

Noutro caso um jovem denuncia a medicina como prática incerta e baseada na crença, uma série de falácias que poderão ser prejudiciais à população. Pior do que ser condenado, o jovem é englobado na classe médica para, ele próprio, engordar das riquezas da classe e perceber as vantagens das práticas aplicadas.

Se por um lado assistimos à desvalorização da vida humana, por outro, esta, a vida, é mantida a todo o custo, mesmo quando alguém está cansado de viver eternamente, aspirando apenas a conseguir eliminar-se. A felicidade é uma espécie de imposição vazia, baseada em elementos supérfluos.

Nestes contos o futuro não é risonho e apesar de haver uma aparente felicidade dos cidadãos (da ignorância vem a felicidade) o futuro desenhado é um beco sem saída, sem evolução possível, uma regressão da humanidade que deixa, como  legado, a tecnologia, mas cuja inteligência dos humanos existentes não a poderia originar. Para o leitor trata-se de um constante contraste com tal mundo, que a mim me pareceu assustadora – não pelo retrato em si mas pelo receio da concretização de tal perspectiva extrema.

Miguel Montenegro explora, ainda, a sexualidade e as questões de género em três componentes distintas e bastante diferentes. Numa primeira, apresenta uma sociedade onde todos são fisicamente iguais, combinando os seus genes consoante a compatibilidade determinada por um programa. Querer ter um género é considerado uma traição e um desvio psicológico.

Noutra história, os “típicos” papéis encontram-se invertidos, com os homens a cuidar da casa e dos filhos, e as mulheres a desenvolver uma carreira e a terem um comportamento desrespeitoso e condescendente para com o outro género. No terceiro apresenta-se um cenário misógeno, de exercício de poder para dispor sexualmente das mulheres, quebrado por uma feminista que acaba por enfrentar a representação tradicional feminina.

Com este volume Miguel Montenegro demonstra ser capaz de duas coisas: capacidade em contar histórias e capacidade em apresentá-las graficamente. Por um lado as histórias apresentadas não são fáceis. Tratam-se de histórias futuristas e distópicas onde, sem grande introdução, conseguimos perceber o que acontece e onde, apesar de existirem temáticas já exploradas por outros autores, se reconhece um cunho próprio, um tom de ironia e crítica que consegue prosseguir por finais menos felizes (e por vezes, inesperados).

Por outro, apesar da complexidade das histórias, estas apresentam-se graficamente de forma competente e percetível, com capacidade para transmitir emoções e expor episódios de acção, resultando num volume de bom aspecto visual e de bons momentos narrativos.

Este volume foi publicado pela Arcádia, mas alguns destes contos já tinha encontrado em volumes anteriores de Apocryphus.

Outras publicações do autor:

Assim foi: Comic Con 2018

Fui pela primeira vez à Comic Con! Por um lado porque decorre em Lisboa, por outro porque fiz parte do júri dos Galardões Comic Con e porque ia apresentar o painel do Daniel Rodrigues no Domingo. Eis um pequeno apanhado sobre o evento: o bom, o mau e o vilão. Claro que, dados os meus interesses, o meu comentário centra-se nas vertentes que mais aprecio: livros, banda desenhada e jogos de tabuleiro.

Espaço dedicado à série Walking Dead

Acessos

Este foi, no Domino, O Vilão do evento. Pelo menos porque nesse dia houve condicionantes adicionais que, não sendo culpa da organização dificultaram o acesso ao evento.

O problema do acesso começou com estradas cortadas por uma corrida na marginal (ou algo do género). Talvez por esta razão, no Domingo, o estacionamento era inexistente. Fomos até Belém sem perspectiva de lugar. Optámos por fazer o resto do percurso de táxi mas nem este pode passar, algo que não é usual. Mas se até posso compreender que para nós os acessos fossem tão distantes. Mas vimos algumas pessoas com mobilidade reduzida (cadeira de rodas) que tiveram de fazer o percurso todo até à entrada do evento.

Saída de Emergência na Comic Con

Restauração

Li vários comentários referindo a pouca variedade de comida. A experiência, do nosso ponto de vista não foi má, considerando o tipo de evento e a expectativa que tinhamos. Quando quisemos comer, escolhemos e recebemos a comida em 5 minutos e até tivemos lugar sentados à sombra. Não vi confusão nem grandes filas e havia várias mesas espalhadas ao sol (demasiadas ao sol). A diversidade não era muita e não era barato. Mas também não achei excessivo para além do esperado.

Programação

Decididamente, O Mau. Uma confusão. A forma como é feita a divulgação e se encontra a informação na página oficial tornou difícil perceber, antes e durante o evento, quem estava onde, quando e a fazer o quê.  Vários autores e editoras tinham as duas publicações separadas, e os autores oscilavam entre o programa oficial do evento e o programa paralelo.

Para poder optimizar todas as presenças que me interessavam no evento, tinha de despender bastante tempo, coisas que não tive.

Espaço – Mapa e indicação

O evento dispunha de bastante espaço para se estender(O Bom). Mas faltavam indicações e organização. Cada stand estava voltado para o seu lado, e ainda que tivessem a mesma temática, não pareciam orientados para rapidamente se perceber a totalidade da oferta. Ainda, as indicações eram escassas – para alguém que pretendia estar em determinado local em determinada hora, houve alturas em que andei feita uma barata tonta. Ah. Quase me esquecia. Casas de banho. Costumam ser a parte esquecida da equação (excepto quando estão em estado miserável). Não vi muitas queixas nesta componente, o que, de si, é excepcional para um evento deste tamanho.

Os mais pequenos

Não levámos crianças ou jovens connosco, mas reparei que existiam várias actividades e espaços de que podiam dispor e divertirem-se!

O Espaço dos mais pequenos

Banda desenhada

Entre apresentações, sessões de autógrafos e stands, esta vertente estava bem representada mas parecia dispersa, sem aproveitar a totalidade dos interessados nessa componente:

  • Artist’s Alley – apertada, confusa e escura. Existiam várias bancas em que teria parado mais tempo se houvesse espaço, mas os visitantes acotovelavam-se. Existiam artistas semi escondidos e não era fácil dar com eles e deparei-me como autores convidados (Rubín, por exemplo) que não sabia que ia estar nesta zona no Domingo. Optei por contactar rapidamente aqueles que tinham livros que queria comprar, pedir os respectivos autógrafos e fugir. Sem dúvida O Vilão desta componente. Os autores que pagaram para expor o seu trabalho mereciam muito melhor;

 

Miguel Montenegro com o seu novo livro, Futuroscópio

Ricardo Venâncio

Pepedelrey

 

  • Painéis – alguns espaços encontravam-se rodeados de barulho, o que não facilitava a audição;
  • Autógrafos – confesso que não tive oportunidade para explorar esta vertente, dado ter planeado algumas entrevistas para o programa de rádio (vamos lá ver se possuem qualidade suficiente) mas várias pessoas que foram com o objectivo de recolher autógrafos se mostraram satisfeitas com o resultado – O Bom.

Jogos de tabuleiro

Talvez porque, em comparação com os videojogos, os jogos de tabuleiros não possuem, neste evento, a mesma quantidade de fãs, revelou-se uma parte com espaço suficiente para circular e comprar. Existiam bancas de várias editoras (a bons preços) e mesas para experimentar os jogos – O Bom.

Cosplay

Ainda que seja das vertentes do evento que menos me interessem, existiam fatos de grande qualidade, e de universos variados, conferindo um aspecto bastante interessante ao evento.

Steampunk

Existiam dois espaços Steampunk no evento, um com adereços próprios e informação, e outro dispondo um género de pavilhão de curiosidades, associado ao Custom Café (cujas fotos apresento a seguir).

Resultado

Quem lê parece que foi uma má experiência. Não foi. Também não foi excepcional. Para quem gosta de banda desenhada, livros e jogos de tabuleiro é um evento agradável, mas algo disperso. Esta dispersão sente-se em tudo: na comunicação das várias vertentes, tanto pública como aos que intervém nos painéis, ou na disposição da página web.

Compreendo que seja um evento de grande dimensão e que é a primeira vez neste espaço, mas existem vários elementos de pouco esforço que poderiam ter contribuído para uma melhor experiência.

Ether – Vol.1 – Matt Kindt e David Rubín

Em Ether a realidade que conhecemos é corrompida por uma série de portais para uma outra realidade fantásticas. Curioso, um homem de ciência viaja por estes portais com o objectivo de provar que mesmo este mundo fantástico pode ceder às regras das descobertas científicas e ser percebido de forma lógica.

A história começa com o inusitado processo de passagem, em que um gorila, após obter uma série de respostas, dá um pontapé no cientista e assim o encaminha para o mundo mágico. Mas desta vez a missão do cientista não seguirá o percurso normal pois houve um assassinato e os habitantes deste mundo precisam das suas capacidades dedutivas para perceber quem foi o assassino.

Oscilando entre a melancolia da obsessão pelo mundo fantástico (que impede a concretização de outros planos pessoais por parte da personagem principal) e os detalhes cómicos conferidos pelo seu sidekick (o gorila), Ether não explora uma premissa nova, mas fâ-lo de uma forma que achei de agradável leitura, destacando-se a forma como o cientista tenta aplicar as regras da lógica e se torna conhecido no mundo fantástico por esse processo estranho e incompreensível.

Do ponto de vista narrativo não é uma história perfeita, oscilando entre vários objectivos sem fechar algum (opinião que pode ser refeita quando ler o volume seguinte) e possuindo alguns saltos que se podem tornar ligeiramente confusos. Já do ponto de vista visual possui o estilo de David Rubín, que neste caso se une bem à componente narrativa, destacando o tom caricato de algumas personagens e os elementos do mundo fantástico.

O resultado é agradável, de fácil e divertida leitura apesar do contraste entre o ar bem disposto (cores alegres e aspecto caricato) e a urgência final quando as diferentes realidade perdem a sua integridade. Sem considerar excelente é uma boa e recomendável leitura.

Apocryphus – Vol.3 – Femme Power

Apocryphus surpreendeu positivamente nos primeiros dois volumes pela elevada qualidade de impressão e pelo aspecto gráfico. Já neste terceiro mantém a qualidade visual e aumenta bastante a qualidade narrativa, com pequenas histórias para todos os géneros que se centram em protagonistas femininas.

A primeira história, Scouting for girls, de Fernando Lucas, traz-nos um mundo decadente em guerra onde qualquer truque é bem vindo para passar a perna ao inimigo. Na segunda, Os níveis inferiores, o futuro continua deprimente, com argumento de Keith W. Cunningham e desenho de Miguel Jorge onde se apresenta uma sociedade distópica onde as rações podem ser cortadas àqueles que não contribuam da maneira desejada para a sociedade.

Em Suor e Aço, João Oliveira (argumento), Diana Andrade (Arte) e Mariana Flores (cores) colaboram para apresentar uma história em que os género masculino e feminino competem em igualdade. Já em Azul de Mariana Flores utiliza-se a arte como escapatória.

A Cura, a história de Maria João Lima (Argumento) e Ana Varela (Arte) apresenta uma perseguição pela floresta em busca de uma pessoa, enquanto em Femme Power de Miguel Montenegro se começa com um cenário misógeno quebrado por uma feminista que enfrenta a representação tradicional feminina.

Em Os Lobos de White Mist de Inocência Dias (argumento) e Daniel da Silva Lopes (Arte) apresenta-se uma história fantástica em que uma cidade se encontra coberta de espinhos e sem vida! Ainda que esta descrição seja conhecida, o desenrolar não vai de encontro às expectativas.

Este volume fecha com O Mito da Recriaçao, por Sofia Freire (Argumento), Felipe Coelho (Arte) e Fernando Madeira (Legendagem), uma história futurista em que os humanos deixam de ter caracteres primários e secundários de género por conta de uma intervenção!

Apocryphus regressa este ano com um terceiro volume de melhor qualidade narrativa, mantendo o nível gráfico a que já nos habituou. Entre cada história alterna-se o estilo e o resultado é um volume visualmente chamativo onde se denota o especial cuidado que houve em aumentar a presença feminina.

O terceiro volume esteve na banca na Comic Con mas encontra-se prevista uma sessão oficial de lançamento no Fórum Fantástico. Os vários volumes de Apocryphus encontram-se disponíveis na Convergência (este terceiro ainda não). 

Rascunhos na Voz Online – André Diniz

Com o passar das férias, o programa Rascunhos volta à carga, trazendo, desta vez, André Diniz, um autor brasileiro actualmente residente em Portugal que se tem tornado cada vez mais conhecido no mercado português, com os inúmeros livros publicados pela Polvo (entre os quais, Morro na Favela, Olimpo Tropical ou Malditos Amigos) ou com O Idiota publicado pela Levoir em parceria com o jornal Público, na colecção Novela Gráfica.

Durante a nossa conversa André Diniz falou sobre estes trabalhos e muitos mais, do seu processo criativo e da expansão para o mercado europeu. Curiosos? Podem ouvir tudo no programa!

Resumo de Leituras – Setembro de 2018 (3)

168 – Mensur – Rafael Coutinho – Com saltos narrativos e movimentações pouco directas, de termos algo difíceis de apanhar para português, Mensur de Rafael Coutinho é uma banda desenhada interessante, movimentada e graficamente brilhante onde a honra tem papel principal;

169 – Visão – Vol. 1 – Há vários anos que tenho este livro na lista de livros a adquirir! E realmente corresponde às várias críticas positivas! A família de Visão tenta integrar-se entre os humanos fazendo-nos questionar o que é humano, o que é máquina e pensamento lógico, bem como o poder dos relacionamentos e da vontade de querer a concretização de um sonho;

170 / 171 – Batman – O príncipe encantado das trevas vol.1 /2- Marini – Ainda que a narrativa tenha algumas falhas (clichés, desenvolvimentos expectáveis) o aspecto gráfico é fabuloso, fazendo com que a leitura se transforme no assistir de um brutal filme de acção.

Novidade: Corto Maltese – Sob o signo do Capricórnio – Hugo Pratt

A Arte de Autor anuncia dois novos  lançamentos de Corto Maltese para este mês, dois livros a preto e branco com prefácio a cores. Deixo-vos a sinopse do volume, bem como algumas páginas disponibilizadas pela editora:

No início do seu período tropical, em plena I Guerra Mundial, Corto Maltese – «o último representante de uma dinastia completamente extinta que acreditava na generosidade e no heroísmo» – faz amizade com o jovem inglês Tristan Bantam, meio-irmão de Morgana Dias dos Santos, praticante de macumba e pupila da visionária Boca Dourada, a quem visita na Baía acompanhado por Steiner, antigo professor da universidade Praga e futuro companheiro de viagens, na pista de tesouros misteriosos, cumprindo o seu destino de cavalheiro da fortuna.

 

 

 

Resumo de Leituras – Setembro de 2018 (2)

164 – Morte – Neil Gaiman – Voltamos ao Universo de Sandman, mas desta vez centrados na irmã do senhor dos sonhos, Morte. Morte vive entre os mortais uma vez por ano. A sua vinda não passa despercebida entre uma série de personalidades fantásticas que a tentarão usar para os seus próprios fins;

165 – Dicionário cómico – José Vilhena – Neste pequeno dicionário Vilhena usa algumas palavras para expressar ironia e sarcasmo para com a sociedade, revelando duras verdades em curtos trejeitos;

166 – 100 Balas – Primeiro disparo, última rodada – O primeiro volume desta famosa série aparece pela Levoir em comemoração dos 25 anos da Vertigo, mostrando histórias completas. Neste volume percebemos que quem paga pelos crimes não é quem os comete. Quem sofre são os inocentes que afinal vão ter uma forma de corrigir as injustiças;

167 – Ether Vol.1 – Matt Kindt e David Rubín – A premissa de viajar entre mundos através de mecanismos fantásticos não é nova. Mas não é a novidade da premissa que aqui se torna interessante, mas a forma como é explorada, seguindo um homem dedicado à ciência que pretende explicar cientificamente os portais e as diferentes regras dos mundos em que viaja. Apesar de ter algumas falhas narrativas é uma leitura bastante interessante que me levará a comprar o segundo volume.

Novidade: Demolidor Vol.1

Está prevista uma nova minissérie da Marvel pela Goody, desta vez de Demolidor! Deixo-vos sinopse, bem como o agendamento da minissérie, algum detalhe de conteúdo e páginas do primeiro volume:

O Matt Murdock abandou a sua carreira de advogado de defesa e arranjou emprego nos escritórios do procurador. Mas o seu novo trabalho não é tão simples como ele esperava, principalmente quando entra em choque com o chefe do crime local, o dez-dedos. Será esta uma missão para o Demolidor? Lutar contra o crime nas sombras e processar criminosos durante o dia – é todo um novo capítulo na vida do homem sem medo, e traz consigo um aprendiz. Bem-vindo a Hell’s Kitchen, Blindspot. Em breve vais descobrir que a vida do Demolidor traz consigo uma mão cheia de ninjas.

Detalhe de conteúdo:

DAREDEVIL (2015) #1-5 — POR CHARLES SOULE, RON GARNEY, MATT MILLA E GORAN SUDZUKA
MATERIAL DE ALL-NEW, ALL-DIFFERENT POINT ONE #1 — POR CHARLES SOULE, RON GARNEY E MATT MILLA.

Calendário da minissérie Demolidor

Volume 1: 11-set-18
Volume 2: 18-set-18
Volume 3: 25-set-18
Volume 4: 04-out-18

 

 

Novidade: Os Vingadores Vol.9 Série 2

Encontra-se nas bancas o nono volume da segunda série de Os Vingadores. Deixo-vos a sinopse, bem como detalhe de conteúdo e algumas páginas disponibilizadas pela editora:

OS FRAGMENTOS DO CUBO CÓSMICO. Steve Rogers mantém o seu jogo de xadrez para tomar o controlo de todo o Planeta. A destruição de Las Vegas obliterou parte da resistência à H.I.D.R.A., e a criação de Nova Tian, território a norte da Califórnia que ­é agora uma nação independente, albergou toda a raça mutante e retirou-os, por agora, deste conflito. Mas ­os heróis que mantêm a resistência viva têm um plano formado, passando por reunir todos os fragmentos do Cubo Cósmico que alterou a realidade de Steve Rogers. Repousa nesta tarefa todo o futuro da­ humanidade tal como a conhecemos.

COMICS ORIGINAIS INCLUÍDOS
SECRET EMPIRE: UNITED (2017) #1 – POR JIM ZUB E ARIO ANINDITO;
UNCANNY AVENGERS (2017) #24 – POR JIM ZUB E KIM JACINTO;
SECRET EMPIRE: UNDERGROUND 1 (2017) #1 –
POR JEREMY WHITLEY E ERIC KODA;
CAPTAIN AMERICA: STEVE ROGERS (2017) #18 –
POR NICK SPENCER, DONNY CATES, JAVIER PINA E ANDRES GUINALDO.

 

Resumo de Leituras – Agosto de 2018 (5)

144 – O Farol Intergaláctico – João Pedro Oliveira – eis mais um grande exemplo de boa ficção científica publicada pela Imaginauta num formato acessível (em preço) e de fácil transporte. O conto de 12 páginas centra-se na distância temporal criada pelas viagens espaciais, mostrando dois amigos que não se vêem há uma viagem – um no auge da sua juventude, outro velhote e melancólico;

145 – Joe The Barbarian – Grant Morrison e Sean Murphy – Após a morte do pai, a mãe luta para manter o tecto sobre a cabeça dela e do filho. Já o rapaz, que é diabético, soturno, é marginalizado pelos restantes rapazes. Resta-lhe sonhar pelos seus desenhos, até ao dia em que se materializa noutro mundo fantástico onde a sua presença é fulcral;

146 – Seis drones – António Ladeira – Falhei o lançamento na Barata por distração mas ainda assim comprei um exemplar. As referências a várias obras de ficção científica revelam que o autor sabe o que está a escrever e efectivamente os seis contos que apresenta parecem ter inspiração nos clássicos – Orwell, Bradbury, Dick. O resultado é bom, com pontinhas de ironia relativamente à tecnologia e à possibilidade de servirem de forma de controlo das populações;

147 – Portais – Octavio Cariello e Pietro Antognioni – Esta banda desenhada de ficção científica foi lançada há alguns meses, mas só agora a li. Visualmente bastante boa, possui uma história futurista com portais entre épocas diferentes que visam transportar elementos decisivos para a luta por um trono distante.