Nascido em Cuba em 1923, Italo Calvino passou a sua infância em San Remo. Encontrava-se na faculdade de agronomia de Turim quando se iniciou a II Guerra Mundial, tendo de se refugiar nos Alpes para fugir à juventude Fascita. Aí enveredou pela Resistência Comunista, surgindo as suas duas primeiras obras. Após a guerra, doutorou-se em Letras e começou a trabalhar como jornalista. Nos anos 50 publicou as obras que o tornariam famoso ( Visconde Partido ao Meio, Cavaleiro Inexistente e o Barão nas Árvores), obras alegóricas e fantásticas. Apesar de se ter dedicado durante algum tempo essencialmente ao jornalismo, Italo Calvino escreveu diversas obras, sendo Palomar o último livro publicado em vida.

O senhor Palomar está de pé na areia e observa uma onda. Não que esteja absorto na contemplação das ondas. Não está absorto, porque sabe bem o que faz: quer observar uma onda e a observa. Não está contemplando, porque para a contemplação é preciso um temperamento conforme, um estado de ânimo conforme e um concurso de circunstâncias externas conforme: e embora em princípio o senhor Palomar nada tenha contra a contemplação, nenhuma daquelas três condições, todavia, se verifica para ele

Palomar é um livro essencialmente reflectivo, de exploração dos sentidos e do caminho que toma a sensação até à comunicação. Assim sendo, uma loja de queijos vê-se convertida em dicionário, e os símbolos incas desenvolvem-se numa reflexão sobre a complexidade de traduzir, de expressar por outras palavras.

Sinceramente, não gostei. Não é de todo o meu género – para mim a prosa perde-se demasiado em deambulações filosóficas, em extrapolações sensoriais que para mim quase roçaram o ridículo.