um viajante

Esperado há muito, de aquisição por diversas vezes adiada, finalmente lido.

Um livro sobre livros, sobre leitores, sobre escritores – um livro com pedaços de outros livros – mas serão estes pedaços histórias isoladas ou pedaços de uma história maior que resulta no entrelaçar destas pequenas para criar algo maior?

Um falso escritor, um escritor perdido na angústia da sua recente incapacidade, livros formulados ou livros profetizados – serão os livros resultantes de uma fórmula menos livros do que os outros se até a mesma essência parecem destilar? Serão não-livros e apenas nomeados livros aqueles saídos do punho de um escritor?

Um leitor que conhece uma leitora, em que nenhum deles consegue terminar o livro que tem entre mãos – erros de impressão, cadernos trocados, títulos misturados, traduções falseadas e intercaladas, que não são nem o livro esperado do título, nem o livro que se pensava estar a ser traduzido, talvez um não livro… um par de leitores salta irremediavelmente de livro em livro sem nunca conseguir terminar o último, ainda que pretendessem conseguir terminar qualquer um deles – livros sem fim, livros sem nome, livros sem capa, ou livros sem autor.

Uma obra que nos poderá fazer pensar no nosso próprio processo de leitura, no modo diferente como diferentes pessoas olham para o mesmo livro, como o tentam analisar ou apenas saborear, no modo diferente como algumas pessoas procuram significado ou apenas aceitam o que lá está escrito…

Isto foi, para mim, Se Numa Noite de Inverno um Viajante de Italo Calvino.