VAO – Victim Activated Ordnance.

VAO é o sistema de defesa, numa sociedade ligeiramente mais avançada que a nossa,  que protege os cidadãos comuns de ladrões e outros delinquentes. Mas este desenvolvido sistema de protecção não é totalmente imbatível e um grupo de velhotes (Age Rage) consegue corrompê-lo para expressar a revolta contra a sociedade. À parte alguns avanços tecnológicos, a história podia descrever a vida de muitas famílias, em que os membros mais velhos se descobrem com míseras reformas em lares onde definham lentamente.

Gus é um destes velhotes, mas não se encontra num lar qualquer, antes uma clínica luxuosa que paga atacando informaticamente as contas bancárias de outras pessoas. Os moradores desta clínica são alimentados e cuidados, mas sempre vigiados por câmaras e sistemas de localização – uma espécie de prisão dourada. Aquando dos ataques do grupo Age Rage os velhotes da clínica são envolvidos nas investigações policiais, principalmente Gus, o que dificulta a continuação das actividades ilícitas que pagam a elevada despesa mensal.

Enquadrado no género de ficção científica, VAO é um livro que se centra mais nas pessoas do que na tecnologia que as rodeia, desenvolvendo um tema que raramente é focado – a velhice e a degenerescência neuronal. Geoff Ryman aproveita não só a idade das personagens, como as moléstias físicas e mentais que os acompanham para desenvolver a história.  Ainda que não tenha considerado VAO um livro excelente, destaca-se pela abordagem inteligente, por vezes irónica, de um tema varrido muitas vezes para debaixo do tapete.