A Menina que circum-navegou o Reino Encantado num barco que ela mesma fez – Catherynne M. Valente

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De uma autora de fantástico bastante conhecida (se não em Portugal, pelo menos fora de Portugal) e com uma capa deliciosa, este livro conta a história de uma rapariga, Setembro, levada pelo vento, para o Reino Encantado, um reino de regras estranhas, onde se vê sozinha. Mas tal não impede que se encha de coragem e vá escolhendo missão atrás de missão que a levam por um caminho bastante óbvio, aliás, que outro objectivo poderia ter a presença de uma rapariga no reino encantado, senão lutar contra a bruxa má que a todos subjugou?

Ao longo das aventuras novos amigos se juntam às sucessivas demandas: primeiro para confrontar quem reina naquele mundo, a marquesa, e, depois, dominada por esta, numa missão obscura. Entre os amigos encontra-se um dragão bibliotecário que decorou páginas e páginas. Mas só até à letra L. Pelo caminho vai encontrando estranhas personagens, desde uma mulher sabão que terá sido criada à semelhança de um Golem, a bruxas simpáticas.

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Para além da belíssima capa, também o interior está repleto de imagens fantásticas e fantasiosas que iniciam cada parágrafo, sempre com resumos engraçados e curiosos, que nos introduzem à próxima aventura de Setembro no reino-encantado, aventuras surreais que parecem ter saído da mente de uma criança.

Mas nem tudo são rosas, e em vários aspectos. A vida de Setembro, antes da vinda para o Reino Encantado terá sido marcada pela ida do pai para a Guerra, e do abandono parcial do lar pela mãe que agora trabalha todo o dia na fábrica, deixando a rapariga com pequenas tarefas domésticas. Terá sido esta a principal razão pela qual Setembro se deixou levar para o Reino Encantado, mas também aqui encontra perigos que, mais do que a vez, a colocam em perigo mortal.

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Mas se a história tem momentos bastante bons também tem outros medíocres. As ideias apresentadas são bastante boas mas a passagem entre aventuras consegue ser, por vezes, abrupta. Provavelmente porque o livro está feito para ser lido capítulo a capítulo, aventura a aventura, e não todo de seguida, em poucas horas. Por outro lado, as personagens apresentam-se, por vezes, demasiado lineares e pouco densas, o que as consegue tornar quase indiferentes ao leitor. E ser um livro para um público mais jovem não deveria ser desculpa para este ponto.

Entenda-se que estes pontos são pequenas arestas no conjunto todo, mas que são suficientes para não colocar este livro ao nível da série fantástica do Philip Pulman, por exemplo. Por outro lado, existem gralhas linguísticas – e eu não sou das pessoas mais atentas a este ponto. Existem algumas frases confusas que quebraram, por vezes, o ritmo da leitura. Felizmente, não são tão frequentes que retirem o prazer da leitura No final, gostei o suficiente para recomendar e para esperar que os seguintes também sejam publicados em português. Juvenil ou não, não é todos os meses (nem sequer todos os anos) que se publica fantástico de uma autora de referência.

Em Portugal o livro foi publicado pela Asa.

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