The Crown Conspiracy é o primeiro volume de uma série fantástica de seis livros, The Riyria Revelations, da autoria de Michael Sullivan, todos escritos antes da publicação do primeiro. Este era um livro que me suscitava alguma curiosidade, pelas contrastantes opiniões.

As duas personagens principais são Royce e Hadrian, dois ladrões e burlões profissionais, conhecidos pelas suas façanhas entre os nobres: roubo de documentos em cofres de salas fechadas, ou o desaparecimento de uma arma letal. Levados por uma enorme recompensa aceitam um aparentemente inocente trabalho, sem terem tido tempo para cruzar as informações que teriam desmascarado um esquema.

Desta forma, vêem-se na capela do castelo e ao invés de encontrarem a espada que pretendiam roubar, encontram o rei apunhalado pelas costas, seguindo-se a expectável prisão por um assassínio que não cometeram.  Entretanto, a princesa que desconfia da presença de um traidor entre as muralhas, liberta os dois ladrões, para que estes raptem o príncipe herdeiro com o intuito de lhe salvar a vida.

Ladrões malabaristas, burlões de nobres – este conceito relembra a série de Scott Lynch, iniciada com The Lies of Locke Lamora , perdendo com a comparação. A história de Michael Sullivan inicia-se com uma aventura engraçada que se torna numa demanda algo confusa, de dois ladrões que se transformam em protectores oficiais de um príncipe jovem e imaturo, incapaz de assumir a sua autoridade.

Ainda que existam momentos de boa disposição, ao texto falta enchimento, às personagens falta profundidade e personalidade, parecendo bonecos atirados pela força da caneta em caminhos que não escolhem percorrer, sem características marcantes que nos permitam sentir outra coisa que não seja indiferença. Apenas uma personagem se destaca, secundária, mas que ganha corpo e carácter, um monge que os aventureiros encontram pelo caminho e os segue. Avempartha, o segundo volume da série aguarda leitura, a ver se a escrita melhora com a prática.