Mistura entre ficção científica e história alternativa, As Fogueiras de Deus (de título original God’s Fires) decorre em Portugal, durante o reinado de D. Afonso VI, um rei com algumas limitações intelectuais. Com um rei fraco, o poder da Igreja torna-se mais forte e faz-se sentir através da Inquisição.

Fornicações – esta é a primeira palavra do livro, utilizada para descrever o pecado com que se confessa D. Inês, a última pessoa de quem o padre Manoel Pessoa esperava ouvir tal palavra. Ainda por cima, com um anjo. Manoel Pessoa é um padre jesuíta que pertence à Inquisição e viaja de terriola em terriola. Quando chega a Quintas, um povoado perto de Mafra, nada o prepara para encontrar, para além do relato de D. Inês, outros de encontros com anjos e aparições, envolvendo duas jovens raparigas, uma de barriga extremamente inchada e virgo intactus.

Depois de ouvir as novidades, Pessoa resolve relaxar em casa da amante, de origem judia, mas convertida, de quem os populares têm medo como se fosse uma bruxa, e não olham nos olhos. Entretanto, o rei parte para ver os moinhos de vento, numa época em que decorre uma invasão,  acompanhado pela escolta e alguns criados, de onde se destaca Jandira, uma escrava brasileira que o segue sempre e o ajuda nas decisões diárias, como escolher o que vestir ou o que comer.

Perto de Mafra o rei visualiza o que pensa ser uma estrela cadente, e desloca-se para observar. Encontram, no entanto, uma nave extraterrestre caída, de onde saem 3 pequenos seres esguios de olhos pretos translúcidos, que, claro, os homem daquela altura tentam identificar, ora como anjos, ora como animais das américas catapultados pelos espanhóis, ora como demónios. Na vila já se encontra Gomes, o inquisidor-mor, para investigar as histórias heréticas que se ouvem em Quintas.

Com vários momentos cómicos e dementes que se intercalam com comentários que roçam o sarcasmo e a ironia, é um livro que nos prende desde a primeira frase, não fosse esta o início da descrição dos pecados de D. Inês. É, também, uma história bastante melancólica: entre a Inquisição e os extraterrestres descobrem-se mentiras e graves heresias, às quais o Inquisidor-mor resolve fazer mão pesada, incorrendo, até, em ilegalidades durante  o julgamento.

Em Portugal, o livro foi publicado pela Saída de Emergência existindo também uma edição especial.