As Fogueiras de Deus – Patricia Anthony

Mistura entre ficção científica e história alternativa, As Fogueiras de Deus (de título original God’s Fires) decorre em Portugal, durante o reinado de D. Afonso VI, um rei com algumas limitações intelectuais. Com um rei fraco, o poder da Igreja torna-se mais forte e faz-se sentir através da Inquisição.

Fornicações – esta é a primeira palavra do livro, utilizada para descrever o pecado com que se confessa D. Inês, a última pessoa de quem o padre Manoel Pessoa esperava ouvir tal palavra. Ainda por cima, com um anjo. Manoel Pessoa é um padre jesuíta que pertence à Inquisição e viaja de terriola em terriola. Quando chega a Quintas, um povoado perto de Mafra, nada o prepara para encontrar, para além do relato de D. Inês, outros de encontros com anjos e aparições, envolvendo duas jovens raparigas, uma de barriga extremamente inchada e virgo intactus.

Depois de ouvir as novidades, Pessoa resolve relaxar em casa da amante, de origem judia, mas convertida, de quem os populares têm medo como se fosse uma bruxa, e não olham nos olhos. Entretanto, o rei parte para ver os moinhos de vento, numa época em que decorre uma invasão,  acompanhado pela escolta e alguns criados, de onde se destaca Jandira, uma escrava brasileira que o segue sempre e o ajuda nas decisões diárias, como escolher o que vestir ou o que comer.

Perto de Mafra o rei visualiza o que pensa ser uma estrela cadente, e desloca-se para observar. Encontram, no entanto, uma nave extraterrestre caída, de onde saem 3 pequenos seres esguios de olhos pretos translúcidos, que, claro, os homem daquela altura tentam identificar, ora como anjos, ora como animais das américas catapultados pelos espanhóis, ora como demónios. Na vila já se encontra Gomes, o inquisidor-mor, para investigar as histórias heréticas que se ouvem em Quintas.

Com vários momentos cómicos e dementes que se intercalam com comentários que roçam o sarcasmo e a ironia, é um livro que nos prende desde a primeira frase, não fosse esta o início da descrição dos pecados de D. Inês. É, também, uma história bastante melancólica: entre a Inquisição e os extraterrestres descobrem-se mentiras e graves heresias, às quais o Inquisidor-mor resolve fazer mão pesada, incorrendo, até, em ilegalidades durante  o julgamento.

Em Portugal, o livro foi publicado pela Saída de Emergência existindo também uma edição especial.

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4 pensamentos sobre “As Fogueiras de Deus – Patricia Anthony

  1. In BBdE (http://www.bbde.org/viewtopic.php?f=3&t=4979&p=49103&hilit=fogueiras&sid=22d4a938927ac5e402b50830c6d502a0#p49103)

    Acabei de o ler na sexta….
    Concordo com o Steerpike na classificação de ficção cientifica e não fantasia, mas é uma classificação muito fraquinha….

    Fraquinha não no sentido do livro ser fraquinho. Antes pelo contrário. É um livro muito bom, onde a época e as personagens acabam por ser muito bem delineadas e onde se sente a existência de ‘vida’. Mas é f. cientifica apenas porque há uma nave espacial que cai na terra ( e por estranho que pareça, não foi na América mas sim aqui no nosso quintal )

    A parte histórica está bem concebida e segue bem a história de Portugal, onde as personagens históricas ganham nova vida.

    Mas dá a ideia de os extraterrestres terem sido colocados no livro quase por obrigação, porque estes são uns perfeitos bananas sem qualquer reacção ao longo de todo o livro inclusive, [spoiler]sem qualquer reacção quando são levados para serem queimados nas fogueiras e nem mesmo quando estão a arder!!! [/spoiler]

    Uma diferença para os outros romances, sejam históricos ou não…[spoiler]os maus neste livro, não são castigados e os bons são mesmo queimados[/spoiler]

    Recomendo a leitura como romance histórico com liberdades, mas não como romance de ficção cientifica.

    O que não quer dizer que não seja.
    Acho é que a parte referente à ficção cientifica é…..quase ignoravel.
    A autora poderia perfeitamente ter escrito um romance sobre a inquisição, como este é, com todas as reacções e acções existentes no livro, despoletadas por coisas normais, sem incluir os tais seres extraterrestres….

  2. 🙂 por isso iniciei logo a dizer que é um misto entre FC e História Alternativa. Por acaso, eu achei que os extraterrestres davam mais um toque à demência que aquilo tudo parecia lá pelo meio. Ainda que justifiquem algumas coisas, realmente, não fazem nada.

    Mas sim, é um excelente livro, seja lido como FC, fantasia, ou histórico 🙂

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