I have waited, and you have come é uma história apocalíptica pouco usual. Não existem zombies nem outros monstros, como tem sido costume nas obras mais recentes, e a acção centra-se numa mulher com algumas limitações intelectuais, Rachel. No futuro, com a extensa poluição, as mudanças climáticas são visíveis, e as doenças proliferam, resultando numa regressão tecnológica da humanidade, que se vê obrigada a regressar ao modo de vida comunitário, para sobreviver.
Rachel é um dos poucos seres humanos que continua a viver isolada, uma pessoa anti-social que apenas se desloca para obter aquilo de que necessita. Uma das poucas pessoas com quem convive é Noah, o rapaz do mercado e para quem se vê obrigada a ser simpática. Numa das suas visitas ao mercado este pede-lhe o número. Mais tarde, quando recebe um telefonema para se encontram com ele, quem comparece é Jez White, um homem sombrio e inquietante.
Após um segundo encontro falhado com Noah, no qual volta a deparar-se com Jez, Rachel retorna ao mercado para enfrentar Noah, descobrindo que este nunca lhe chegou a telefonar, tendo perdido o contacto no mesmo dia em que lho terá pedido. Desconfiada, Rachel resolve questionar as comunidades mais próximas para tentar perceber quem será Jez White e as intenções por detrás dos encontros falsos.
Entre a infantilidade e a loucura, Rachel é uma mulher sem conexão com a realidade, que se afasta dos restantes seres humanos. Os poucos com quem mantém algum contacto é apenas com o objectivo de sobreviver, deixando-se cair, a ela própria e à casa onde mora, num extremo estado de desmazelo. Jez é, também, um homem perturbado pelas alterações sociais, ansiando por uma companhia feminina com quem poderá estabelecer uma relação marital, mas de uma forma pouco saudável.
Estranha e perturbante, é uma história curta e bem contada que me impressionou com algumas reticências, entrelaçando o diário doentio de um relacionamento com a história de Raquel. A ligação entre ambas as partes apenas é descoberta no final, tornando-se simultaneamente irónico e arrepiante.

Não conhecia este livro, mas a história parece intrigante.
Lê-se bem, é curtinho e tem partes capazes de fazer libertar um sorriso arrepiante. Mas nada de excepcional. 🙂