A componente de não ficção foi revista há cerca de um mês. Desde aí que ando para terminar a leitura dos contos e apresentar um opinião.

Mutação final é o título da primeira história, um conto onde os portugueses retomam o espírito da aventura e se tornam em peça fundamental no descobrimento do Universo, ou não tivesse sido Portugal o único país a não se envolver numa guerra, recebendo cientistas refugiados que iniciam uma experiência nos novos rebentos da nação lusitana: uma mutação genética que irá permitir a sua adaptação ao ambiente marciano.

Para além de relembrar a série Star Trek (pelas referências constantes e directas), a história recordou-me outras de autores portugueses, onde também se realça a raiz lusitana, com aspiração a uma glória futura e universal, algo que gosto mais de ler quando utilizado de uma forma irónica. Com um início prometedor é uma história que sofre uma reviravolta final engraçada, mas que na verdade não nos leva a lugar nenhum e onde poderiam ter sido cortados alguns detalhes sem importância.

O conto de Carla Ribeiro tem o nome de uma nova estirpe viral criada em laboratório por uma cientista que trabalha para a resistência, Thalormis Zeta. Após testes em seres humanos capturados, constatou-se que o vírus é uma arma biológica poderosa que provoca a morte celular em pouco tempo e a morte do indivíduo em minutos. O objectivo desta arma apenas será conhecido a meio, mas estará relacionado com a tentativa de impedir a migração dos ricos para uma nova colónia em Marte, construída com os recursos necessários para a manutenção do planeta Terra.

Ainda que a história seja engraçada (mas não excelente), acho que é sobretudo na forma que o conto poderia ser melhorado: se a escrita fosse mais simples tornaria a leitura mais fluída. Esta impressão ficou-me principalmente do início do texto e é atenuada com a continuação da história.

De Space Oddity pouco ou nada há para dizer,  um texto quase tão curto quanto a bibliografia da autora, que relata uma despedida em grande.

Cometas Extintos é um conto que decorre num planeta ecologicamente destruído, para o qual são enviados quatro soldados para executar um extermínio, sem as armas habituais e com tecido orgânico como armadura. A missão, que tem uma probabilidade de sucesso de 78%, decorre com algumas surpresas. Ainda que este conto tenha algumas falhas, e um final banal, foi o que mais gostei do conjunto.

Finalmente, o último conto do conjunto, Aleninam, centra-se numa jovem que ajuda na busca de assassinos, através de um poderoso olfacto, característica especialmente induzida para esse fim. Com a premissa mais interessante de todas as histórias em Conto fantástico, não me captou totalmente pela forma como desenvolveu a ideia.

Em suma, na componente de ficção de Conto Fantástico encontram-se ideias interessantes mas verdes, que poderiam ter ganho em maturar um pouco mais, ou em ter sofrido duras revisões de texto. Ainda assim, aconselho a leitura de Cometas Extintos e Aleninam, mas sem elevadas expectativas,  e das componentes não ficcionais da revista, principalmente para aqueles que desconhecem a história da ficção científica em Portugal há mais de 20 anos.