Depois de A Invenção de Morel decidi-me a adquirir e a ler outros livros de Adolfo Bioy Casares. Em português os seus livros têm sido publicados quase exclusivamente pela Cavalo de Ferro, e Plano de Evasão é um deles.
Tal como em A Invenção de Morel, vamos conhecendo o dia a dia atormentado de uma personagem. Se no primeiro livro um homem acompanhava a imagem de uma mulher numa ilha, no segundo observamos Henrique que assume a posição de administrador numa prisão que se localiza, também, numa ilha, enquanto sonha em retornar à amada.
Ainda que as suas funções pareçam simples, desde o primeiro dia que se apercebe da existência de factos obscuros que rodeiam o governador. Nem sempre presente, são várias as palavras sussurradas e as respostas indirectas que rodeiam as tentativas de tentar descobrir o que este faz. As suas perguntas suscitam medo nos reclusos e Henrique dedica-se a investigar o governador. Ainda que todas as pistas apontem para experiências animais numa das ilhas, Henrique suspeita de algo ainda mais obscuro.
Plano de Evasão consegue ser distante e desprendido assim como sombrio, ao mesmo tempo. Explorando alguns conceitos sociais e humanos, confronta-nos com uma experiência psicologicamente tenebrosa: a forma como vemos o que nos rodeia pode ser mudada e a realidade é subjectiva. Se a história avança devagar, com mais introspecção do que acção, o final revela-se carregado de acontecimentos, com um desfecho bastante diferente do que estaríamos à espera, uma visão simultaneamente bela e horrenda.
Findo o livro, ficaram os sentimentos contraditórios: se por um lado houve alturas em que a história me era indiferente, gostei da premissa e da forma como foi explorada para arrastar as personagens para uma outra realidade.
