Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!

A ficção especulativa em Portugal – 2016

Se o ano 2016 foi catastrófico em diversas áreas, na ficção especulativa, não sendo extraordinário, foi um ano muito razoável, ultrapassando o ritmo de 2015 e abrindo portas para um 2017 que promete.

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Tivemos poucas visitas estrangeiras, quando comparamos com 2015 (marcado pela presença de David Brin na Leituria e por Lauren Beukes e Fábio Fernandes em Outras Literaturas entre muitos outros) mas a presença de Brandon Sanderson em Portugal, vindo da Eurocon em Barcelona foi um sucesso que levou muitos à FNAC, bem como a de Carlos Ruíz Záfon na Academia das Ciências. Com menor assistência mas, para mim, de maior destaque foi a vinda de Zoran Zivkovic para o lançamento de O Livro. De nota, a presença de Ken MacLeod nos Mensageiros das Estrelas, evento mais académico dedicado à Ficção Especulativa.

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Olhando para os eventos regulares, Os Sustos às sextas tiveram uma segunda época de sucesso e estão já a preparar a terceira onde alguns detalhes mais literários aguardam o anúncio oficial. Resta-nos aguardar impacientemente! Também este ano o Scifi-LX pareceu mais consolidado voltando ao Pavilhão Central do IST com robots, jogos, livros, palestras e várias outras coisas muito geeks. O Fórum Fantástico também retornou ao espaço habitual, em Telheiras, com os usuais três dias carregados de eventos fantásticos – e já há datas para a edição de 2017 ( 29 de Setembro a 01 de Outubro). De temática não especulativa, Recordar os Esquecidos escorrega de vez em quando na ficção científica e na fantasia, destacando-se pelas tardes bem passadas no Saldanha, revendo livros e autores.

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Mas 2016 também foi marcado pelo aparecimento dos Devoradores de Livros, uma tertúlia mensal que termina em jantar, que decorre na Leituria e onde se fala sobretudo de livros de ficção especulativa, mas não só. Ainda em solo nacional, João Barreiros apresentou Viagem ao retrofuturo, e deu-se especial destaque a António de Macedo, com o filme O Segredo das Pedras Vivas no MotelX, e o divertidíssimo documentário sobre a sua obra, Nos interstícios da Realidade. Ainda na Península Ibérica, mas fora de Portugal, é de destacar a forte presença portuguesa na Eurocon de Barcelona, associada ao evento Scifi-Lx e à Editorial Divergência, com Luís Filipe Silva a marcar presença em vários painéis.

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A nível de publicações de ficção especulativa nacional, também não foi um mau ano, com o lançamento de Terrarium na Comic Con (mas apenas disponível nas livrarias a partir de 27 de Janeiro), de Galxmente de Luís Filipe Silva (nova edição), A Provocadora Realidade dos Mundos Imaginários de António de Macedo, Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, e da primeira antologia Cyberpunk portuguesa, Proxy, pela Editorial Divergência. Em caminhos mais internacionais, foi publicado um conto de um autor português, Mário de Seabra Coelho, na Strange Horizons!

Sem estranhar, a publicação de livros estrangeiros continua escassa e camuflada em etiquetas genéricas e pouco alusivas à ficção especulativa. Eis os que achei mais relevantes:

Sobre o ano de 2015, podem consultar a entrada equivalente, A ficção especulativa em Portugal – 2015.

Assim foi: Recordar os Esquecidos – Novembro de 2016

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A sessão de Novembro contou com a presença de Nuno Camarneiro e Nuno Costa Santos, bem como a habitual moderação de João Morales.

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A primeira escolha de Nuno Camarneiro vai para A Vida Modo de Usar, de Georges Perec, o romance mais romance deste autor pois normalmente os seus livros são desafios e puzzles. Por um exemplo, num dos seus livros descreve uma praça central de Paris, ao detalhe, quer as pessoas, quer os edifícios que o compõem.

Neste, A vida Modo de Usar, toda a história se passa num prédio, ao longo dos vários quartos, sendo que nunca se retorna à mesma divisão. Ao longo da narrativa vai-se explorando a vida de todas as personagens que lá moram. Por exemplo, um dos habitantes é um excêntrico que vai contratando as várias pessoas que lá moram, para executarem tarefas que se complementam. Para conseguir contar esta história circulando pelos quartos, sem se repetir, o autor tinha um mapa fictício das divisões.

Sem serem livros necessariamente profundos, são divertidos, centrando-se bastante nos objectos, a partir das quais as pessoas surgem, como que por arrasto. Órfão muito cedo, “há qualquer coisa de um menino que aprendeu a brincar dentro da própria cabeça”(Nuno Camarneiro).

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A primeira escolha de Nuno Costa Santos foi Remington de Jorge Listopad. O autor terá nascido em Praga no ano de 1921 e passado pela resistência aos nazis. Já em França, conheceu Sartre, Beckett, entre outros nomes conhecidos. Entre a realidade e a ficção, Listopad brinca, apresentando vários episódios cujos possíveis detalhes ficcionais não se distinguem da realidade.

Homem de flashes e de iluminações, demonstra a dor de quem fugiu à guerra, com as marcas de um clandestino que todas as noites tinha de procurar azilo e que acaba por pertencer a parte alguma. Entre as fábulas anedóticas em que consegue brincar com a sua própria tragédia, apresenta episódios como a presença de Hitler na ópera Salomé que terá lançado as sementes para o anti-semitismo (no seguimento de um episódio de bondade de Alma, interpretado como humilhação), ou quando terá recebido, de Sartre, uma máquina de escrever com uma história mirabolante.

Este foi um dos livros que corri a adquirir no final da sessão. O outro é o próximo, mas infelizmente, parece esgotado.

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A segunda escolha de Nuno Camarneiro foi Ovelha Negra e outras fábulas de Augusto Monterroso. Autor de literatura fragmentada, escreve sobretudo contos, biografias imaginárias e é o autor conhecido por ter o conto mais pequeno do Mundo. Pelo menos na época em que o escreveu. A propósito deste autor, leu-se a opinião de Isaac Asimov:

“Os pequenos textos de A ovelha negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso, aparentemente inofensivos, mordem os que deles se aproximam sem a devida cautela e deixam cicatrizes. Não por outro motivo são eficazes. Depois de ler “O macaco que quis ser escritor satírico”, jamais voltei a ser o mesmo.”

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Nuno Costa Santos segue recordando Giovanni Papini, primeiro com Um Homem Liquidado. Autor que o marcou pela coragem e frontalidade com que interpelava o leitor, terá estado ligado ao futurismo. Apesar de ter sido anti-cristão, mais tarde converteu-se e tornou-se menos interessante. Marginalizado pelas opiniões políticas, terá sido dos primeiros a dirigir-se directamente ao leitor, algo pouco usual para a época.

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Um dos primeiros livros de Aquilino Ribeiro, autor difícil e antiquado quando muitos já tinham apanhado o comboio do modernismo (que ele não quis seguir), possui muitos regionalismos difíceis, muito territoriais já para a época e que terão caído em desuso entretanto. Anti clericais, mas não de uma forma óbvia, sem ser poético nem romantizado, este Jardim das Tormentas apresenta-se telúrico, com o pensamento encantatório sobre o passado que não se deixa espartilhar pela Igreja.

Recuperando algum classicismo, apresenta o maravilhoso profano pagão, com erotismo muito selvagem. Este Jardim das Tormentas apresenta vários contos que poderão ser considerados esboços do que veriam a ser os livros seguintes. De destacar um dos contos que é passado num pós apocalipse.

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Nuno Costa Santos recorda, em seguida, Rui Knopfli com Obra Poética. Autor que terá vivido em fronteiras perdidas (como diz Agualusa), que terá uma escrita agreste e emocional. A este propósito destacou-se O Monhé das Cobras (que representa o lado dos episódios africanos) e O Escriba Acocorado.

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O próximo esquecido é Sá de Miranda, por Nuno Camarneiro. Pouco se sabe sobre este poeta, um dos maiores antigos poetas portugueses que trouxe o soneto para Portugal bem como outros mecanismos poéticos.

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Para fechar a sessão Nuno Costa Santos recorda dois autores açorianos, Emanuel Félix e José Martins Garcia. De Emanuel Félix destacou-se a Viagem Poesia, com a leitura de As Raparigas lá de casa. De José Martins Garcia destacou-se O Medo, um romance sobre a guerra colonial, passado na Guiné, um dos lugares mais violentas da guerra, com um tom depressivo, sublimado pelo sarcasmo.

Assim foi: Portugal na Eurocon

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Imagem retirada da página oficial do CCCB

Se tivesse que me mudar para outra cidade europeia decerto mudaria para Barcelona – ruas lindíssimas rodeadas por montes e mar, população de etnia variada e, claro, um sem fim de livrarias enormes, algumas especializadas, outras genéricas, quase todas com obras em vários idiomas (até em português). Saber que a próxima Eurocon seria em Barcelona foi um elemento decisivo para planear uma viagem com dois anos de antecedência. Sim, dois anos. Leram bem.

Para quem não sabe o que é a Eurocon, é uma convenção de ficção científica a nível Europeu que se centra em livros. A convenção decorre todos os anos num local diferente decidido por votação. Para a Eurocon de Barcelona foram anunciados alguns dos autores mais relevantes na ficção científica europeia, como Aliette de Bodard, Johanna Sinisalo, Andrzej Sapkowski, Albert Sánchez Piñol ou Richard Morgan (que esteve em Portugal há uns anos, para o Fórum Fantástico).

Apesar de não ter participado nos anos anteriores, pareceu-me que, devido à proximidade (Barcelona é já ali ao lado), a Eurocon de 2016 se diferenciou por uma forte presença lusa, havendo, para além de uma consistente participação do Luís Filipe Silva em vários painéis, uma banca com divulgação da Ficção Científica em Portugal, obra de André Silva, Tomás Agostinho, Carlos Silva e Pedro Cipriano.

Painéis com participação portuguesa

Atrás han quedado los días de gloria del Imperio – Luís Filipe Silva

SFF in Portugal Nowadays – Luís Filipe Silva, Carlos Silva e eu

Dédalo – Tomás Agostinho

Is there a Southern European SF? – Luís Filipe Silva (e outros autores)

How to promote Euro SF – Luís Filipe Silva (e outros autores)

Atrás han quedado los diás del gloria del Imperio

Não pude assistir a esta mas, felizmente, há gravação.

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Retirado do Twitter oficial da Eurocon

SFF in Portugal Nowadays

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Pati Manning

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Pati Manning

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Pati Manning

Ainda que a sessão tenha decorrido no edifício Pati Manning (lindíssimo, mas menos central no circuito da Eurocon) tivemos direito a público e a gravação (não oficial). Por enquanto aqui ficam os slides apresentados, realçando-se que foi, também, referido António de Macedo tanto pelos filmes que produziu, como pelos livros que tem escrito. Muito ficou por falar e por destacar mas, infelizmente, não havia espaço para tudo.

Is there a Southern European SF?

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Com moderação de Luís Filipe Silva, esta mesa reuniu Anders Bellis, Arrate Hidalgo, Francesco Verso e Claude Lalumiére numa conversa que deu especial destaque à proximidade Mediterrânica e onde Claude Lalumiére, de origem canadiana, falou das mudanças que a sua própria escrita sofreu com a proximidade ao mar. Esta sessão foi gravada:

How to promote Euro SF

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Sessão mais movimentada, marcada por opiniões mais vincadas, em que se destacou o papel dos prémios nacionais para promover a obra de ficção científica em cada um dos países europeus.

Outras presenças portuguesas

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Sci-fi LX a marcar presença na Eurocon com uma banca em que divulgaram vários projectos portugueses

O Sci-Fi Lx, representado por André Silva, Carlos Silva e Tomás Agostinho marcou espaço com uma banca em que apresentou, não só os projectos que lhe estão directamente relacionados, como outros, portugueses, sendo que a disposição do material era dinâmica, modificada ao longo do dia para ir destacando os vários produtos e ideias. Muitas foram as pessoas que pararam, de diferentes nacionalidades e interesses para saber mais sobre o que se faz neste quadrado à beira mar plantado e a boa disposição dos intervenientes rapidamente se tornou contagiante!

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

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Eurocon 2016 – Souvenir Book – livro distribuído a todos os participantes da Eurocon

O Souvenir Book é um livro de 160 páginas que contém artigos relacionados com a ficção científica europeia. Entre estes artigos encontramos quatro páginas da autoria de Luís Filipe Silva em que se fala da história da ficção científica portuguesa.

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À esquerda Zine produzida durante o evento (http://edm-online.de / http://Hansecon.blogspot.com) e à direita um dos postais distribuídos a todos os participantes com a publicidade à Fénix.

E quase que me esquecia, eis os nomeados portugueses para as várias categorias dos prémios ESFS (na página da Locus podem consultar os vencedores):

  • Best author – João Barreiros
  • Best magazine – Bang!
  • Best artist – Edgar Ascensão
  • Best fanzine – H-Alt
  • Best website – Bibliowiki

E o Encouragement Award português vai para… Rui Ramos!

Por último e, ainda que não esteja bem relacionado com a Eurocon, foi engraçado andar a passear por ruas escuras da zona gótica e descobrir livros portugueses numa montra minúscula !

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Algumas novidades para o Amadora BD

O AmadoraBD começou ontem e com a aproximação do evento as editoras têm anunciado algumas das novidades que têm preparado. Eis alguns lançamentos, da G Floy e da Arte de Autor. Nos próximos dias seguir-se-ão mais alguns !

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Várias histórias se cruzam neste volume: Gwendolyn e a Gata Mentirosa arriscam tudo para tentarem encontrar uma cura para A Vontade, enquanto Marko e o Príncipe Robot IV se tornam aliados improváveis na busca dos seus filhos desaparecidos, presos num mundo estranho por terríveis inimigos.

Fantasia e ficção científica – e sexo, política, traição, morte, amor verdadeiro e reality shows – juntam-se como nunca antes neste épico subversivo e provocante do escritor Brian K. Vaughan e da artista Fiona Staples.

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udo o que ela queria, era ter sido super-heroína…

As aventuras da Vingadora que se tornou detective privada continuam em mais dois casos. Jessica Jones viaja para uma pequena cidade do interior, uma cidade cheia de preconceitos e racismo, para investigar a desaparição de uma adolescente que todos acreditam ser uma mutante… mas será mesmo? E, logo depois, a nossa investigadora azarada vai sair num encontro com… o Homem-Formiga?!

Continuam as aventuras da heroína de banda desenhada da Marvel que deu origem à série de TV da NETFLIX com o mesmo nome!

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Anne tem 19 anos, e parte um osso do tornozelo chamado astrágalo, ao saltar a parede da prisão onde está presa por assalto. Salva por Julien, um ladrão como ela, Anne irá esconder-se, sofrer, rebelar-se, voltar a fugir, tanto faz, está loucamente apaixonada por Julien.

Estavam em fuga, livres e totalmente, furiosamente selvagens… E a sociedade autoritária do pós-guerra da França vai fazer-lhes pagar o preço dessa liberdade.

Adaptado do romance de Albertine Sarrazin, O Astrágalo fez descobrir a milhões de leitores o destino de uma jovem mulher escandalosamente livre na França de antes de Maio 68. Desse destino, Albertine Sarrazin conseguiu fazer uma obra-prima, marcada pelo signo de uma liberdade audaciosa, tónica e cheia de humor. O Astrágalo é o primeiro volume de uma autobiografia em três volumes. No ano em que saiu o terceiro, 1967, Albertine Sarrazin morreria numa mesa de operações. Ainda não tinha 30 anos.

“Albertine, a pequena santa dos escritores inconformistas. Pergunto-me se sem ela, eu seria o que sou hoje. O seu mantra juvenil foi aceite de corpo e alma, impregnando o meu espírito juvenil.”
Patti Smith

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Na pequena vila de Harrow County, no Sul dos Estados Unidos, a jovem Emmy sempre soube que a floresta à volta da sua casa estava cheia de fantasmas e monstros. Mas, na véspera do seu décimo oitavo aniversário, ela descobre que está profundamente ligada a essas criaturas – e à própria terra que pisa – de uma maneira que nunca poderia ter imaginado. Aos poucos, sentirá nascer dentro dela os estranhos poderes que a ligam ao passado de Harrow County… estará ela pronta para enfrentar todos os seus mistérios?

Considerada pelo lendário Mike Mignola como a melhor série do ano de 2015, Harrow County conta-nos a viagem iniciática de uma jovem rapariga numa terra imbuída de sobrenatural. Uma história terrível e onírica ao estilo “southern gothic”, criada pelo escritor Cullen Bunn e assombrosamente desenhada e pintada pelo artista Tyler Crook.

“Ao mesmo tempo incrivelmente sedutora e muito perturbadora, esta série é um sucesso brilhante”
Mike Mignola

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Uma obra inédita no nosso mercado. Esta foi a BD que serviu de argumento ao filme “A Vida de Adéle” que no Festival de Cannes de 2013 obteve a Palma de Ouro para o melhor filme. É um livro excepcional, que teve grande sucesso em todos os países onde foi publicado, nomeadamente no Brasil. É também um livro com vários prémios, nomeadamente o do Público no Festival Internacional de BD de Angoulême.

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Druuna está de regresso para desvender as suas origens numa história sem palavras que dá pelo título de Anima. Vinte anos depois de lhe ter dado vida, e 13 anos após a publicação do último álbum, Serpieri regressa ao universo da sua famosa heroína, o qual é um misto de ficção científica e de heroic fantasy, povoado de estranhas criaturas, hostis ou amorosas.
Este tomo 0 é complementado com um caderno de 18 páginas que contem esboços e uma história curta de 7 páginas, inédita, a qual data de 1981.

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O professor Mortimer está farto. Já não suporta ver os outros aproveitarem-se da sua lendária gentileza. Que o seu velho cúmplice Francis Blake se enfie em sua casa,    ainda vá. Que Nasir, o seu fiel servidor, exija um aumento e o pagamento de    horas extraordinárias, aceita-se. Que um bando de delinquentes, que diríamos saídos   do filme Laranja Mecânica, o chateiem, admite-se. Mas quando Blake lhe chama “mole”,   o seu sangue escocês começa a ferver: isto tem de mudar! De regresso a casa, Mortimer prepara um produto revolucionário que o vai transformar num malfeitor  impiedoso e dominador… Por Jove e por Horus! Mas o que é que aconteceu ao nosso  velho amigo Mortimer? Não contente por se transformar fisicamente, qual doutor Jekyll, agora frequenta clubes de strip-tease, aterroriza Olrik e persegue a ambição de dominar o mundo?
Admirador do Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr Hyde, o romance de Stevenson, o  argumentista Pierre Veys é também um leitor assíduo de Jacobs, tal como Nicolas Barral que tem o prazer de reproduzir, nos mais infimos pormenores, o seu universo gráfico  .

Assim foi: Fórum Fantástico de 2016 – Sugestões de Literatura

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Como já é habitual, a sessão de sugestões de literatura contou com a presença de João Barreiros, Artur Coelho e de moi-même.

Como já é hábito, tendo o Artur Coelho debruçado-se já sobre as suas escolhas no blogue Intergalacticrobot, deixo-vos algumas notas sobre as obras escolhidas e a razão pela qual as selecionei.

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The Loney – Andrew Michael Hurley – Publicado recentemente como O Santuário, The Loney, vencedor do prémio Costa é uma obra que usa a questão do fervor religioso para nos apresentar uma história de horror subtil, onde o suspense em crescendo é percepcionado apenas por uma criança. Usando reminiscências do relacionamento que encontramos em Of Men and Mice de Steinbeck a história centra-se em dois irmãos, tendo o mais velho uma forte deficiência mental que leva a mãe a organizar sucessivas romarias a santuários. Neste ano, o local é uma terra inóspita e pouco acolhedora, onde os habitantes possuem os seus próprios segredos que irão influenciar o milagre aguardado pela mãe zelosa – um milagre pouco puro num ambiente quase claustrofóbico carregado de elementos suspeitos mas invisíveis a olhares fervorosos.

Casos do direito galáctico e outros textos esquecidos

Casos de direito galáctico e outros textos esquecidos – Mário-Henrique Leiria – Sem nenhuma edição recente em circulação, este volume reúne não só a obra em título, mas três outras quase esquecidas. Para mim o ponto alto é efectivamente o que dá nome ao conjunto, uma série de casos legais mirabolantes que usam o absurdo para uma crítica social nem sempre subtil, que podem ter uma leitura simplesmente divertida.

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Emphyrio – Jack Vance – Clássico da ficção científicas, apresenta-nos um mundo distópico cujas regras que prendem a sociedade se baseiam na manutenção de um sistema económico injusto com vista à escravidão dos seus membros. Um rapaz cedo se apercebe das limitações da sociedade onde vive a acaba por encarnar um herói mítico para libertar o seu mundo.

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Facas – Valério Romão – Pequeno livro com três histórias onde as facas possuem o foco, desempenhando, por vezes, papéis metafóricos como objectos assombrados e amaldiçoados outras meros meios para atingir determinado fim. São histórias fortes e sangrentas que apresentam a decadência total do ser humano, por vezes com espírito irónico e com pequenos elementos surreais.

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Kallocaína – Karin Boye – Apesar de este livro já ter sido aconselhado por diversas vezes por João Barreiros, é de destacar a sua publicação, finalmente, em português, pela Antígona. O livro, publicado originalmente nos anos 40, apresenta uma distopia militarizada em que quase todo o tempo dos indivíduos é ocupado com tarefas que diminuam a probabilidade de traição, e que aumentem a capacidade de vigilância mútua. Neste contexto um homem desenvolve uma droga capaz de fazer qualquer um expressar os seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, mesmo aqueles que não admite a si próprio.

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The Atrocity Archives – Charles Stross – Sem ser um clássico do género da ficção científica, decorre num Universo onde as leis da física diferem das do nosso e onde um buraco se pode abrir ao nosso lado e tentáculos nos podem levar para uma realidade paralela dominada por criaturas lovecraftianas que visam sugar a energia de todos os mundos. Para além dos acontecimentos rocambolescos (em que nem a codificação é isenta de perigos) a personagem principal é um agente secreto geek que acaba por agir quando é necessário, e a burocracia nesta sociedade secreta é tão grande que pode levar qualquer um à loucura.

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O Gigante Enterrado – Kazuo Ishiguro – este foi um dos livros mais polémicos dos últimos no género – não pelo seu conteúdo, mas pela resistência do autor em que se enquadre a obra num género especulativo. Centrando-se em um casal idoso num país onde uma névoa de esquecimento se abateu sobre as populações, e apesar da névoa poder ter um valor metafórico, destaca-se pela forma carinhosa como desenvolve o relacionamento do casal que procura, naquele país perdido, o filho.

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O Livro – Zoran Zivkovic – Se o livro fosse capaz de falar directamente connosco expressaria os abusos aos quais é sujeito diariamente por monstros, leitores que não possuem qualquer pudor em abrir demasiado as suas páginas quebrando lombadas ou virando os cantos para marcar passo. Sendo a palavra, na língua original, feminina, toda a descrição atinge um duplo sentido divinal. Após este início o autor aproveita para desconstruir todo o negócio em torno dos livros, com uma caricatura cómica dos autores e das editoras, passando pela atribuição de prémios fabricados propositadamente para fins publicitários.

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Descender – Cruzando referências de Inteligência artificial, com a apresentação de um robot criança, Tim, capaz de empatia que procura a sua família, e de Battlestar Galactica, com o cenário de revolta dos robots, Descender contrasta a magia da inocência com o confronto de interesses que pretendem se aproveitar de Tim e de tudo o que ele simboliza.

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Parque Chas – Mirabolante, imaginativo e divertido de uma forma quase nostálgica e roçando a alucinação, Parque Chas decorre num bairro onde ocorrem fenómenos como num triângulo das Bermudas, com desaparecimento de pessoas e meios de transporte, e alienígenas que se tornam amigos das crianças. A personagem principal é uma projecção do próprio autor que, seguindo uma femme fatale, começa por recolher os episódios estranhos para se embrenhar cada vez mais em aventuras estranhas onde se cruza com figuras ficcionais.

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Wytches – Banda desenhada de horror, apresenta-nos o horror numa terriola do interior. Se pensavam que no campo se encontra um ambiente saudável e honesto, desenganem-se. A Natureza é antiga e tão antiga quanto ela é a maldade materializada, aqui, em seres sobrenaturais, bruxas cegas que vivem no interior de velhas e sombrias árvores, que concedem desejos a troco de sacrifícios.

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Fragmentos da enciclopédia délfica – Recordando A Guerra da Elevação de David Brin, Miguelanxo Prado cria uma série de episódios futuros onde se apresenta a evolução da humanidade ao longo de vários milénios. Com a expansão a outros planetas os seres humanos fazem evoluir chimpanzés e golfinhos, tornando-os uma espécie de escravos, espécies sapientes que são tratadas como espécies inferiores. É neste ambiente futurista, suficientemente alienante e distante que se aproveita para tecer críticas bem posicionadas à nossa sociedade.

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I hate fairyland – Quantas histórias existirão que apresentam como premissa a presença inesperada de uma criança numa terra encantada onde tem de cumprir uma missão para voltar a casa, sã e salva? Assim começa a história, como tantas outras. Mas Gertrude é uma criança que tem pouco jeito para puzzles e rimas, pelo que 27 anos depois de tanta fofura, florzinha, musiquinha e corzinha vira uma psicopata que quer a todo o custo acabar com a tormenta – nem que seja devorando a eito pequenos soldados adocicados!

Resumo de Leituras – Julho de 2016 (3)

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169 – O Senado – Luís Corredoura – Afastando-se do tom corriqueiro e confuso que caracteriza alguns livros do género, tece uma teoria inspirada na história portuguesa justificando a pasmaceira política do País em que nenhuma verdadeira revelação é feita;

170 – A vida oculta de Fernando Pessoa – André F. Morgado – Uma versão alternativa da vida de Fernando Pessoa onde as sombras se materializam e se expandem infectando vários seres humanos;

171 – Traço de giz – Miguelanxo Prado – Com referências claras ao célebro romance de Adolfo Bioy Casares, A Invenção de Morel, em que o futuro se cruza com o passado, Traço de Giz retrata o encontro / desencontro de dois possíveis amantes que permanecem na ilha num ambiente que propicia a desgraça;

172 – 3 contos fantásticos – Ludwig Tieck – Pequeno volume que reúne três histórias fantásticas clássicas onde o horror tem um lugar importante. No primeiro as acções do passado assombram o presente e o futuro e acabam por se abater sobre a personagem principal. No segundo, é a saudade e a angústia dos bons tempos passados entre fadas que levam à desgraça, enquanto que no terceiro são as bruxarias.

O melhor do segundo trimestre de 2016

À semelhança do trimestre passado, dado que mantive quase o mesmo ritmo de leitura neste segundo (com 83 livros lidos, dos quais 44 banda desenhada), fiz uma pequena selecção das melhores leituras, por ordem cronológica:

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12 – O Gigante Enterrado – Kazuo IshiguroDepois de toda a controvérsia em torno da inclusão no género fantástico, gostei, inesperadamente, do que li. A história centra-se num casal de velhotes que não se recorda de quase nada da sua vida passada. Até poderia ser normal em idosos, mas o que não é normal é que o mesmo mal ataque toda (ou quase toda) a população daquela zona. Partindo em viagem em busca de um filho esquecido, o casal vai viver episódios de grande acção onde é a forte ligação que os une que os salva constantemente. E são estes detalhes, de grande dedicação entre ambos onde expressam a sua fragilidade e confiança, que tornam a história uma das melhores leituras dos últimos tempos;

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13 – I Hate Fairyland- Skottie Young Quem está farto de reinos de fadas encantados, fofinhos e docinhos? A concretização do sonho de viver uma aventura num destes cenários até pode parecer engraçado nos primeiros dias para uma criança, mas vinte sete anos depois de andar a tentar acertar o propósito de rimas e adivinhas qualquer criança se tornaria num psicopata cínico, meio louco e quase desesperado. É o caso de Gertrude. Num cenário infantil de cores garridas e carregado de doces e fofuras, Gertrude continua à procura do caminho para casa, numa aventura linear mas cheia de elementos anti-cliché em referência às mais variadas histórias do género fantástico;

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14 – Fragmentos da enciclopédia délfica – Miguelanxo Prado – Um dos primeiros volumes de Miguelanxo Prado que tive a oportunidade de ler revelou-se uma boa surpresa carregada de episódios satíricos de ficção científica, com críticas óbvias à sociedade humana ainda que utilizem alienígenas e outros seres terrestres tornados inteligentes para criar projecções.

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15 – Bats of the Republic – Zachary Thomas Dodson Este é daqueles livros que dificilmente pode ser adaptado para o formato digital, utilizando a composição do próprio texto para dar maior dimensão à história. A narrativa conta a aventura de dois homens, um no passado e outro no futuro, que se relacionará de diversas formas. Se por um lado vamos acompanhando as personagens através de cartas e relatos complementados por desenhos de animais, esquemas, fotografias e documentos, por outro, o tom mistura o nervoso das situações pessoais com a confissão de uma carta íntima, quase um diário. O resultado é um puzzle gigante carregado de empatia.

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16 – Ardalén – Miguelanxo Prado – Uma das mais recentes obras de Miguelanxo Prado surpreende pelo diferente formato em relação à maioria dos seus álbuns anteriores, normalmente compostos por séries de episódios que se relacionam entre si, nem que seja em temática. Aqui conta-se uma história que utiliza as particularidades da memória tendo, como personagem principal, um velhote que carrega na sua cabeça diversas histórias – qual será a sua?

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17 – O Negócio dos livros – André Schiffrin – Para além da perspectiva pessoal como editor, O Negócio dos livros tem interesse sobretudo pela oposição de dois modelos de negócio bastante distintos nas editoras. Se por um lado as editoras mais tradicionais (e realmente interessadas em lançar boas obras) se mantém pelas vendas a médio longo prazo, apostando em livros que se possam tornar futuras obras de referência, tanto pelo aspecto cultural como pelo aspecto académico, as editoras maiores e mais recentes, transformam o conceito em venda de modas, apostando em best-sellers e renovando títulos a um ritmo alucinante. O primeiro continua a ser um modelo de negócio mais tradicional e comedido, o segundo é uma máquina de fazer dinheiro e sustentar regalias milionárias.

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18 – 12 – A Doce – François Schuiten – A história começa como uma simples (mas eficiente) relação homem máquina, mostrando um maquinista que dedicou a sua vida à máquina alimentada a carvão. Quando a indústria se inova, o maquinista tenta resistir. As tentativas valer-lhe-ão um lugar na cadeia mas, ainda assim, encontrando-se novamente em liberdade, apenas pensa em reencontrar a máquina com que se ocupou toda a sua vida, num mundo de sinais apocalípticos onde as águas sobem perigosamente. Se no início se estabelece a sensação de uma história agradável, clássica mas simples, com as diferenças da realidade descrita evolui-se para a exploração do desconhecido, a partida em demanda, a busca por um propósito que os tempos parecem querer apagar e esquecer.

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19 – The Loney – Andrew Michael Hurley – Sem cenários de sangue espalhado por cadáveres e sem assassinos em sério, The Loney consegue tornar-se um dos melhores livros de horror apenas pela criação de um ambiente peculiar e pela sugestão de algo (nunca verdadeiramente dito). Inconformada com a deficiência de um dos filhos, a mãe investe toda a sua energia num estilo de vida piedoso com uma obsessão por rituais religiosos que devem ser seguidos de forma perfeita no momento certo – só assim se conseguiria atingir o estado de pureza necessário para um milagre. É assim que o filho mais novo acaba por se tornar ajudante do padre, como prova de devoção e forma de redenção. Com reminiscências de Of Mice and Men na forma como os dois irmãos se relacionam (e as alusões aos ratos) a narração vai construindo uma história de várias facetas onde nada do que acontece é propriamente uma surpresa. Percebendo-se o que se segue, mas sem saber como, constrói-se um ambiente de expectativa que gera o terror mais psicológico e interior, neste caso exacerbado pelo fervor religioso que impede que se percepcionem os verdadeiros acontecimentos.

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20 – O Livro – Zoran Zivkovic – O mais recente livro publicado em Portugal de Zoran Zivkovic desmancha não só o livro enquanto objecto estático, mas todas as profissões que participam na sua concepção. E se os livros fossem serem conscientes e sencientes, capazes de nos relatar os seus sentimentos e pensamentos? Esta é a premissa inicial que descreve a forma como se sentem explorados e violados, premissa que evolui facilmente para o nascimento de um livro e para o acaso que reúne um molho de páginas sob um capa alienada de sinopse vaga. A premissa, apesar de ser simples, desenvolve-se de uma forma brilhante para desconstruir todo o processo de criação de um livro.

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21 – Os Vampiros – Filipe Melo e Juan CaviaDepois de aventuras sobrenaturais com Dog Mendonça e Pizzaboy, a dupla explora um tema bastante mais pesado – a Guerra Colonial. Esta Guerra decorreu sobretudo na selva densa e desconhecida e transformou-se rapidamente numa batalha psicológica. Sem poderem visualizar o que se esconde por detrás de cada arbusto, árvore ou monte de folhas os soldados sentem-se vulneráveis, constantemente surpreendidos por eventos pontuais que são psicologicamente devastadores e que criam desequilíbrios mentais.

Casos do direito galáctico e outros textos esquecidos

22 – Casos de direito galáctico e outros textos – Mário Henrique-Leiria – Gostando de outros livros de Mário Henrique-Leiria (como a dupla Contos do gin tonic e Novos contos do gin) achei que o conjunto de textos que dá o título ao livro está envolto numa tal genialidade absurda que o coloca léguas dos restantes. Basta considerar a ideia, uma série de textos que discutem casos legais de conflito entre espécies alienígenas. A lógica humana não se aplica (até porque entre viagens do tempo, auspícios de futuro e outras dimensões, há que encontrar nova lógica) mas ainda assim é possível discernir uma carregada sátira social.

Eventos: Feira do Livro de Lisboa 2016 – Livros do Dia

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À semelhança do que aconteceu com lançamentos e autores convidados, várias editoras optaram por disponibilizar por si listas dos livros do dia ao longo da Feira do Livro que irão permitir aos visitantes planear algumas compras.

A página oficial da Feira não permite, neste momento, consultar a lista (só por pesquisa de um livro específico, pelo que vos deixo algumas sugestões bem como ligações para as páginas onde se encontram tais listagens oficiais nalgumas editoras. Conforme forem sendo publicadas mais listas, acrescentarei

Listas disponibilizadas até ao momento

26 de Maio

– Editorial Presença – Os contos de Beedle o Bardo – J. K. Rowling

– Relógio D’Água – Aventuras de Alice no País das Maravilhas

27 de Maio

– Relógio D’Água – Contos – Clarice Lispector (também vai ter preço especial nos dias 29 de Maio e 02 de Junho)

– Relógio D’Água – Mary Poppins

28 de Maio

– Antígona – Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley

29 de Maio

– Tinta da China – Os Vampiros – Filipe Melo e Juan Cavia – é o mesmo dia em que decorre o lançamento pelo que é uma óptima oportunidade para conseguir um exemplar autografado;

– Saída de Emergência – Histórias dos Sete Reinos – George R. R. Martin

– Antígona – 1984 – George Orwell

– Cavalo de Ferro – A volta ao Mundo em 80 dias – Julio Cortázar

– Cavalo de Ferro – Final do Jogo – Julio Córtazar

– Relógio D’Água – Aventuras de Alice no País das Maravilhas

31 de Maio

– Relógio D’Água – Metamorfose – Kafka

01 de Junho

– Tinta da China – O livro da selva – Rudyard Kipling

– Tinta da China – O vento dos salgueiros – Kenneth Grahame

03 de Junho

– Tinta da China – Dicionário dos lugares imaginários – Gianni Guadalupi e Alberto Manguel

04 de Junho

– Saída de Emergência – Centurião – Simon Scarrow – também no dia em que o autor estará na Feira;

05 de Junho

– Kingpin Books – O Poema Morre – David Soares e Sónia Oliveira;

06 de Junho

– Tinta da China – Hav – Jan Morris

07 de Junho

– Tinta da China – Cândido – Voltaire

09 de Junho

– Editorial Presença – Ready Player One – Ernest Cline

10 de Junho

– Saída de Emergência – Aniquilação – Jeff Vandermeer

– Editorial Presença – Cloud Atlas – David Mitchell

12 de Junho

– Relógio D’Água – Aventuras de Alice no País das Maravilhas

13 de Junho

– Editorial Presença – Cinzas de um novo mundo – Rafalei Loureiro;

Últimas aquisições

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As quinze primeiras vidas de Harry August por Claire North é o terceiro volume da coleção Admiráveis Mundos da Ficção científica que se encontra em lançamento conjunto da Saída de Emergência com o Jornal Público. Livro inédito desta coleção, é o volume que mais antecipava. Vencedor do prémio John W. Campbell Memorial, tinha lançamento previsto para Agosto de 2015, mas só agora chegou às bancas. Se por um lado foi uma tremenda espera, por outro o preço é bastante mais acessível (6,95€).

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A vida aventurosa de Sparrow Drinkwater por Trevor Ferguson promete uma mirabolante aventura ao género das que eram produzidas antigamente com jovens que se metiam com meliantes, despertando para a vida adulta com a descoberta de que a realidade é bem mais dura e menos transparente do que a fantasia:

A mãe de Sparrow acreditava que o filho tinha sido concebido por um corvo que desceu dos céus numa noite de estrelas e explosões. A grande desilusão da sua vida foi que Sparrow nunca tenha aprendido a voar.

Sparrow nascido e criado num manicómio, onde a loucura da mãe e dos que o rodeiam é a sua única realidade, um dia é levado para o mundo exterior. Perde o rasto da mãe, descobre-se sozinho numa grande cidade… e a sua vida aventurosa ainda mal começou!

Esta é a fabulosa história de Sparrow Drinkwater, que atravessa o continente americano obcecado por descobrir a identidade do seu pai, reencontrar a mãe e desvendar o mistério do seu passado. No seu caminho cruzam-se sinistros criminosos, atravessa os túneis secretos sob as ruas da Montreal, vive tremendas perseguições em comboios de alta-velocidade, encontra a «feiticeira» da rua Bloomfield, leva a cabo brilhantes golpes nas altas esferas da finança internacional…

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Há já algum tempo que ando para ler O Ensaio sobre a cegueira de José Saramago, mas as edições que se encontram dos livros de Saramago são tão foleiras que tenho evitado a aquisição, pensando, talvez, numa edição mais antiga em bom estado. Bem, infelizmente apenas está prevista a publicação deste volume em edição de capa dura no âmbito da colecção RTP, mas digam lá que não tem muito melhor aspecto que a edição da Porto Editora? Melhor ainda, esta, de capa dura, custa 10 euros. Aproveitando a promoção de 20% da FNAC… bem… ficou por 8.

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No seguimento do 30º aniversário do acidente de Chernobyl foi publicado pela Levoir, em parceria com o jornal Público, esta banda desenhada da autoria de Natacha Bustos e Francisco Sanchez. O livro também se encontra disponível na FNAC (com os usuais descontos) e apresenta um retrato singular do acidente.

À esquerda encontra-se o primeiro volume de Mr. Hero, uma banda desenhada escrita por James Vance e desenhada por Ted Slampyak, centrada numa personagem criada por Neil Gaiman. Claro que aqui o nome de Neil Gaiman aparece em letras garrafais ocultando os restantes intervenientes – é um nome que vende. Autómato que se move a vapor para ser uma força maléfica, torna-se um herói nobre. Claro que o nome de Neil Gaiman foi o que me levou a pegar no livro, mas o interior foi o que me convenceu a trazê-lo.

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Fevereiro de 2016

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Lançamentos nacionais relevantes

Para além das colecções de banda desenhada em curso (da Marvel pela Salvat, e dos Heróis DC pela Levoir em parceria com o jornal Público) eis os lançamentos nacionais que mais me interessaram:

Por sorte o leite – Neil Gaiman – Editorial Presença;

Extinção – Kazuaki Takano – Casa das Letras;

– O livro da selva – Rudyard Kipling – Bertrand Editora;

O barão trepador – Italo Calvino – Dom Quixote;

Filho Dourado – Pierce Brown – Editorial Presença;

O herói das eras – Brandon Sanderson – Saída de Emergência;

O trono dos crânios – Peter V. Brett – Edições Asa;

Críticas interessantes

Se no mês passado constatei que o número de blogues com excelentes críticas de FC era cada vez menor (citando alguns de exemplo que não dão sinal de vida há largos meses), este mês outros houve que anunciaram fecho. Mais palavras para quê? Aqui fica o apanhado das críticas que achei mais interessantes ao longo de Fevereiro.

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Ficção científica

Analog Science Fiction and Fact – Setembro 2014 – Intergalacticrobot – A revista é uma das mais conhecidas no meio, e uma das melhores formas de se descobrir ficção em formato mais curto;

The young world – Chris Weitz – As leituras do corvo – um clássico cenário pós-apocalíptico, com todos os inevitáveis dilemas da vida adolescente;

Confessions d’un automate mangeur d’opium – Fabrice Colin & Mathieu Gaborit – Intergalacticrobot – quando a ficção steampunk tem preocupações mais estéticas do que narrativas;

12.22.63 – Stephen King – D’Magia – história de viagem no tempo com ritmo imparável apoiada numa pesquisa exaustiva sobre 22 de Novembro de 1963;

Rendez-vous com Rama – Arthur C. Clarke – Ler y Criticar – clássicao do género centra-se no primeiro contacto com vida extraterrestre;

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Fantasia

A porta no muro – H. G. Wells – A Lâmpada Mágica – Um dos livros da colecção dirigida por Jorge Luís Borges apresenta uma faceta mais fantástica do autor de A Guerra dos Mundos;

O Vento nos Salgueiros – Kenneth Grahame – Deus me Livro – um clássido da literatura juvenil, “história de amizade e mudança, de lendas e mitos”;

Monsters of Men – Patrick Ness – Floresta de Livros – último volume da trilogia com “personagens intensas, sem momentos mortos e com uma escrita veloz”;

A rainha vermelha – Victoria Aveyard – Letras sem fundo – jovens saídas da puberdade, capacidades mágicas e triângulos amorosos num esquema narrativo distópico;

The sleeper and the spindle – Neil Gaiman – Leitora de fim-de-semana – a união de dois contos, A Bela Adormecida e Branca de Neve, resulta numa história bem diferente;

A guardiã da espada – Alex 9 – Bruno Martins Soares – A Lâmpada Mágica – Romance demasiado ambicioso de frenética sucessão de cenas, com várias descrições de combates e batalhas;

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Banda desenhada

A louca do Sacré-Coeur – Moebius & Jodorowsky – A Lãmpada Mágica – gozo ao intelectualismo oco, às crises masculinas de meia-idade e ao misticismo new age;

Tony Chu: Enfarda-Brutos – Layman & Guillory – As leituras do Pedro – “original e “nojentamente divertido””

A agência de viagens Lemming – José Carlos Fernandes – aCalopsia | As leituras do Pedro;

Cruelle – Florence Dupré La Tour – As leituras do Pedro;

– Foi assim a guerra das trincheiras – Tardi – A Lâmpada Mágica – retrato revoltante e comovente da guerra, com exposição das grandezas e misérias da espécie humana;

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Outros

Connections – James Burke – Intergalacticrobot – livro não ficcional de divulgação científica, que possuirá uma abordagem pouco usual para explicar a evolução tecnológica;

O poço e o pêndulo – Edgar Allan Poe – Nuno Ferreira – conto de horror de escrita envolvente onde se destaca a capacidade de subtilmente transmitir sensações;

As horas invisíveis – David Mitchell – Ler y Criticar – o último livro do autor publicado em Portugal tem um ritmo lento, mas é original e ambicioso;

Oriente, Ocidente – Salman Rushdie – Pedro Cipriano – depois de ter lido um livro do autor, fiquei curiosa com este, um livro de contos;

Frankenstein – Mary Shelley – Virtual Illusion – “um rasgo de pura criatividade que se veio a tornar num ícone dos mundos de ficção”;

Outros artigos

Literatura de ficção

– O umbigo do Mundo de Umberto Eco era em Portugal – Observador;

– Franz Kafka: A obra em chamas – Deus me Livro;

– As fantasias irrealistas de David Mitchell – Observador;

– Umberto Eco: A insuportabilidade do silêncio – aCalopsia;

– Eternamente Tom Sawyer – Revista Estante;

– O bibliotecário e o nome da rosa – Observador;

– O homem que inventou Dan Brown – Observador – apesar do título (infeliz, a meu ver, que quase dá maior importância a Brown) tem alguns parágrafos interessantes;

Banda desenhada

– Os heróis também usam BI – Mafalda – Deus me Livro;

– Hermann: Um grande clássico – aCalopsia;

– Príncipe Valiente: 1957 – 1960 – As leituras do Pedro;

– Artigos sobre BD, Os meus – cuto “O Mosquito” – Divulgando Banda Desenhada;

– Crítica e divulgação de BD: Antes e depois da Internet – aCalopsia;

– 2016: Arranque em grande para os autores portugueses no estrangeiro – As leituras do Pedro;

– Super-heróis à francesa II: O Universo fantástico da Lug – Leituras de BD;

– A mansão assombrada da Disney por Joshua Williamson e Jorge Coelho – aCalopsia;

Eventos

– Correntes d’Escritas – Deus me Livro (23, 24, 25, 26, 27);

Sustos às sextas;

– Reportagem – 380º encontro da Tertúlia BD de Lisboa – Kuentro 2;

Recordar os Esquecidos;

– Exposição comemorativa do 80º Aniversário d’O Mosquito – Kuentro 2;

Janeiro de 2016

Como já é usual, eis o resumo do que mais interessante se passou da ficção especulativa em Portugal, durante o mês de Janeiro – eventos, notícias e críticas.

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Lançamentos nacionais relevantes

Depois da pausa de Dezembro, o ano ainda está a arrancar. Deste mês é de destacar Os Doze de Inglaterra no seguimento do aniversário da revista Mosquito, e As Horas Insivíveis, já aconselhado por João Barreiros no Fórum Fantástico. Sobre os lançamentos de Janeiro, para obterem mais informação, podem clicar no nome da editora correspondente.

Drácula – Bram Stoker – Girassol;

Os Doze de Inglaterra – Eduardo Teixeira Coelho – Gradiva;

As horas invisíveis – David Mitchell – Editorial Presença;

As pedras élficas de Shannara – Terry Brooks – Saída de Emergência;

The young world: O Mundo novo – Chris Weitz – Editorial Presença;

Críticas interessantes

Recentemente fiz um apanhado dos blogues que costumava seguir há meia dúzia de anos. Conclui que a maioria dos bons blogues de ficção científica, responsáveis por algumas das melhores críticas se foram apagando. Restam alguns, sim, mas são poucos – recordo Blade Runner, Inner Space, I dream in Infrared, Stranger in a strange land. Alguns ainda dão sinais de vida anualmente. Não que existam actualmente boas críticas, mas são mais escassas.

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Ficção científica

Sejam críticas positivas ou negativas, é bom ver que as obras nacionais continuam a ser lidas e comentadas. Abaixo, três: Espíritos das Luzes, Comandante Serralves e Os números que venceram os nomes.

Nostrillia – Cordwainer Smith – Intergalacticrobot;

Espíritos das Luzes – Octávio dos Santos – A Lâmpada Mágica;

Comandante Serralves – Vários autores – Intergalacticrobot;

Sally – Isaac Asimov – Nuno Ferreira;

Dune – Frank Herbert – Papéis e Letras;

Os números que venceram os nomes – Samuel Pimenta – Letras sem fundo;

Por mundos divergentes – vários autores – My very own lines;

Estação Onze – Emily St. Mendel – Ler y criticar;

Gene Mapper – Taiyo Fujii – Intergalacticrobot;

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Fantasia

Enquanto se espera pelo lançamento do próximo livro de Zoran Zivkovic,  continuam a aparecer novos leitores.

O Dragão de sua majestade – Naomi Novik – Que a estante nos caia em cima;

O bobo – Christopher Moore – Leitora de fim-de-semana;

Firmin – Sam Savage – Folhas do Mundo;

Sete notas musicais – Zoran Zivkovic – D’Magia;

Rainha Vermelha – Victoria Aveyard – As Leituras do Corvo;

As reencarnações de Pitágoras – Afonso Cruz – Bibliotecário de Babel;

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Banda desenhada

Bando de dois – Danilo Beyruth – A Lâmpada Mágica;

Old Pa Anderson – Yves H. , Hermann – As Leituras do Pedro;

The Wicked + The Divine Vol.1 – Kieron Gillen – Que a estante nos caia em cima;

Habibi – Craig Thompson – Virtual Illusion;

Wolverine: Origem e Logan (vários volumes) – As Leituras do Pedro;

FreakAngels – Vol.2 e 3 – Warren Ellis e Paul Duffield – Intergalacticrobot;

The Umbrella Academy: Suite do Apocalipse – Gerard Way, Gabriel Sá e Dave Stewart – Deus me Livro;

Talco de vidro – Marcello Quintanilha – Bibliotecário de Babel;

The arrival – Shaun Tan – Que a estante nos caia em cima;

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Outras obras

Berenice – Edgar Allan Poe – Nuno Ferreira;

The Chtullu Encryption – Brian Stableford – Intergalacticrobot;

Dagon – H. P. Lovecraft – Nuno Ferreira;

The rest of us just live here – Patrick Ness – Pedacinho Literário;

Outros artigos

– A aventura espacial, em novas visões aos quadradinhos – Máquina de escrever;

– Verdade e fantasia nas histórias – IGN;

– Criador e criatura de FC – Simetria;

– 2015, entre os herdeiros de George Orwell – Máquina de escrever;

– Pyongyang, quando o real não chega – Virtual Illusion;

– Torroselo: Um lugar nada ruim – Quilómetros que contam;

– Under the cover – Jornal i;

– Estará a Ficção Especulativa a morrer em Portugal? – Pedro Cipriano;

– 500 anos depois, o sentido de Utopia não se perdeu – Público;

– O mundo mágico de Tolkien ao vivo e a cores – Visão;

– Sobre a utopia, alguns apontamentos – Público;

– Clube Português de BD – A partir de 16 Jan – Divulgando Banda Desenhada;

– Gradiva com BD «Os Doze de Inglaterra» – Diário Digital;

– Exposições BD avulsas – “O Mosquito” na Biblioteca Nacional de Portugal – Divulgando Banda Desenhada;

Os melhores romances escritos em língua portuguesa – Resultados do Inquérito;

Eventos nacionais

– Sustos às sextas – Intergalacticrobot | Rascunhos;

– Recordar os Esquecidos – Rascunhos;

Resumos mensais anteriores

Dezembro de 2015;

Novembro de 2015;

Outubro de 2015.

Os melhores dos melhores 2015

Ano após ano vemos crescerem e multiplicarem-se as listas de melhores leituras do ano, de vários tipos. Se no estrangeiro jornais como NY Times têm espaço para a ficção especulativa, já por cá, esse espaço é diminuto ou inexistente. Mas passando à frente – para não repetir novamente o mesmo discurso sobre literatura séria e as outras “coisas”. Mais interessante do que ver essas listas, é perceber que existem referências constantes a determinados livros. Eis, pois, as que considero serem as melhores listas (ou pelo menos aquelas que parecem adequar-se mais ao que gosto de ler) e os livros que são referidos várias vezes.

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HarperCollins best of 2015 Com várias secções, apresenta uma curta lista para a ficção científica e fantasia: The Invasion of the Tearling de Erika Johansen (acho que é a primeira vez que vejo uma menção a este livro), Seveneves de Neal Stephenson e Trigger Warning de Neil Gaiman. Pena que esta lista não tenha espaço para comics;

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ScifiNow – 20 Books you should have read in 2015 – A lista começa com The Water Knife de Paolo Bacigalupi, continuando com referências interessantes como Twelve Kings de Bradley Beaulieu, The long way to a small angry planet de Becky Chambers (um livro que teve uma primeira edição a partir do Kickstarter e que ganhou tal visibilidade que foi lançado por uma editora, com edição em capa dura, o que é pouco usual para o primeiro livro de qualquer autor), The House of Shattered Wings de Aliette de Bodard (uma das convidadas da Eurocon de 2016 – Barcelona). A lista engloba a fantasia, a ficção científica e o horror, e possui sugestões interessantes;

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Amazon Com referências de topo coincidentes, a lista da Amazon consegue trazer algumas surpresas como The Book of Speculation de Erika Swler, The Fold de Peter Clines ou Superposition de David Walton – livros que, até esta lista, não tinha visto referidos;

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– The Guardian – Best science fiction and fantasy books of 2015 – A lista começa por destacar Aurora de Kim Stanley Robsinson, Ancillary Mercy de Ann Leckie ou Slow Bullets de Alastair Reynolds. Mais voltados para a fantasia ou para o horror encontramos, entre outros, Slade House de David Mitchell;

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– iO9 – The very best science fiction and fantasy books of 2015 – Destacando The Water Knife, encontramos Sorcerer to the crown de Zen Cho, Gene Mapper de Taiyo Fujji, ou Crooked de Austin Grossman. Esta é uma lista peculiar onde encontramos referências a livros que foram muito falados durante todo o ano, bem como referências a livros que… nunca vi em lado nenhum;

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– Electric Lit – Jeff Vandermeer’s Epic List of Favorite Books Read in 2015 – Contendo pouco em comum com as listas mais populares, esta é uma lista que procuro sempre e que ocupa um lugar sempre especial. É que Jeff Vandermeer tem a tendência para ler e recomendar livros menos falados, muitas vezes pertencentes ao New Weird ou àquela fronteira entre a ficção especulativa e a dita literatura séria. Este ano encontramos Animal Money de Michael Cisco, Broken Monsters de Lauren Beukes, The Librarian de Mikhail Elizarov, ou Not Dark Yet de Berit Ellingsen;

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BuzzFeed – The 24 Best Science Fiction Books of 2015 – Para além dos recorrentes Seveneves, Radiance ou The Water Knife, contem Lagoon de Nnedi Okorafor, The Mechanical de Ian Tregillis ou The Traitor Baru Cormorant de Seth Dickinson;

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– Omnivoracious – Celebrity Picks: George R. R. Martin’s Favourite Reads of 2015 – A lista começa com Station Eleven, The Shinning Girls de Lauren Beukes mas desliza com The Girl on a Train;

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– Sf Signal – Adam Morgan Shares his picks for the best science fiction and fantasy of 2015 – com apresentações peculiares para cada uma das referências, lista Aurora, Radiance, Seveneves, The Book of Phoenix de Nnedi Okorafor ou o Bats of the Republic de Zachary Thomas Dodson.

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Kirkus – The best of the best of 2015’s Science-fiction and fantasy books – parece que alguém teve a mesma ideia e fez uma compilação. Os mais referidos não são de espantar, mas alguns causam-me comichão. É o caso de Uprooted de Naomi Novik que achei engraçado, mas devido a demasiados defeitos está muito longe de estar perto do topo. Felizmente, possui outras sugestões: Ancillary Mercy de Ann Leckie, Slade House de David Mitchell ou The Fifth Season de N.K. Jemisin.

De tanta listagem, existem livros que parecem consistentes: Seveneves de Neal Stephenson, Uprooted de Naomi Novik, The Water Knife de Paolo Bacigalupi, The long way to a small angry planet de Becky Chambers, Trigger Warning de Neil Gaiman ou Ancillary Mercy de Ann Leckie.

Dezembro de 2015

Sim, o resumo do mês de Dezembro sai depois do resumo de 2015 – por conta das críticas e artigos que, para compensar os lançamentos, foram bastantes. Ocorreram as Conversas Imaginárias (em substituição parcial do Fórum Fantástico) e o lançamento de Nos Limites do Infinito, que deu muito que falar. A nível das críticas, este mês foi bastante movimentado, com bastante destaque da produção nacional. Nos artigos, há a destacar o mais recente lançamento de Umberto Eco e uma entrevista ao escritor João Barreiros.

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Críticas interessantes

Ficção científica

Antologia Steampunk 2015 – Intergalacticrobot;

A Cidade do Céu – Curt Siodmak – A Lâmpada Mágica;

Tis the season – China Miéville – Nuno Ferreira;

Arranha-céus – J. G. Ballard – Ler y Criticar;

Os vespões de ouro – Peter Randa – A Lâmpada Mágica;

– A Lição de Anatomia do temível Dr. Louison – Enéias Tavares – Intergalacticrobot;

O Último Europeu – Miguel Real – Que a estante nos caia em cima;

O tempo do impossível – John D. MacDonald – A Lâmpada Mágica;

Cair da noite – Isaac Asimov – Intergalacticrobot;

Passaporte para o eterno – J. G. Ballard – A Lâmpada Mágica;

Nemesis Games – James S. A. Corey – Intergalacticrobot;

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Fantasia

O cavaleiro sueco – Leo Perutz – Deus me Livro;

Histórias das terras e lugares lendários – Umberto Eco – Intergalacticrobot;

Histórias de aventureiros e patifes – vários autores – Nuno Ferreira;

O anjo mais estúpido – Christopher Moore – Que a estante nos caia em cima;

Ashram – Ana Luiz – The fond reader;

Contos a Oeste – Ana Cristina Luz – A Lâmpada Mágica;

As reencarnações de Pitágoras – Afonso Cruz – Deus me Livro;

O herói das eras – Brandon Sanderson – Nuno Ferreira;

– A alvorada dos Deuses – Filipe Faria – As Leituras do Corvo;

Fontiçaria – Terry Pratchett – Leitora de fim-de-semana;

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Banda desenhada

Batman: The Doom that came to GothamIntergalacticrobot;

Sharaz-DeQue a estante nos caia em cima;

Fatale vol.3aCalopsia;

– Tony Chu – Diário Digital;

– Batman Noir – As Leituras do Pedro;

Fell: Cidade Selvagem – Intergalacticrobot;

O esquadrão da LuzaCalopsia;

O Livro do Mr. Natural – Robert Crumb – A Lâmpada Mágica;

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Outros

Contos de aprendiz – Carlos Drummond de Andrade – Deus me Livro;

Nos limites do infinito – vários autores – Intergalacticrobot; As leituras do corvo; O Senhor Luvas;

O diabo e eu – Alcimar Frazão – My very own lines;

A Loucura de Deus – Juan Miguel Aguilera – A Lâmpada Mágica;

A celebração – H. P. Lovecraft – Nuno Ferreira;

Colecção Barbante – vários autoresIntergalacticrobot;

Outros artigos

– João Barreiros, Portuguese Writer, Editor, Translator and Critic Interviewed by Cristian Tamas – Europa SF;

– A dupla vida de Alix – Máquina de escrever;

– Livros com utopia – Visão;

– Um escritor do outro Mundo – Observador (sobre Philip K. Dick);

– Os lugares mágicos e lendários de Umberto Eco – Diário de Notícias;

– Levar «As crónicas de gelo e fogo» de George R. R. Martin nos bolsos das nossas calças – Diário Digital;

– A ler: História das Terras e dos lugares lendários – Estante;

– Notas sobre uma resurreição – Máquina de escrever;

Eventos nacionais

– Lançamento: Nos Limites do Infinito – Intergalacticrobot, Que a estante nos caia em cima, Especular;

– The Padawan Wars – Que a estante nos caia em cima;

– Comic Con 2015 – As Leituras do Pedro, Leituras de BD, D’Magia;

– Conversas Imaginárias – Intergalacticrobot, Que a estante nos caia em cima, aCalopsia;

Resumos mensais anteriores

Novembro

– Outubro 2015

Setembro 2015

Retrospectiva 2015 – Resumo literário

Depois de um pequeno apanhado sobre a ficção especulativa em Portugal durante o ano de 2015, eis a normal lista de melhores do ano, com algumas estatísticas para enquadramento.

2015 no Rascunhos

Por motivos profissionais e pessoais, durante os anos de 2012 / 2013 as minhas leituras ficaram reduzidas quase a zero. Felizmente, em 2014 voltei a ler a sério, que é como quem diz, mais do que um livro por semana (Retrospectiva 2014). O ano de 2015 foi o ano de retomar o meu usual ritmo com 152 livros (Livros lidos em 2015). Ao contrário do que me é costume, este ano tinha alguns objectivos genéricos de leitura – ler mais autores portugueses, livros em espanhol e mais banda desenhada. Ainda não foi desta que voltei a pegar em livros de nuestros hermanos.

As críticas aumentaram, bem como as visualizações (cerca de 24 000). Dediquei mais tempo à página facebook, renovei antigas parcerias e criei novas. Também me associei ao NetGalley, uma plataforma que me tem permitido receber cópias digitais das editoras de vários e bons livros. Tudo isto justifica uma nova página com os livros recebidos pelas editoras ou pelos autores.

Artigos mais lidos este ano? Não contando os acessos directos à página principal: As cruzadas vistas pelos árabes (no seguimento de várias pesquisas de teor duvidoso sobre refugiados) com 935 visualizações, seguido de Rapariga com brinco de pérola com 453, O Visconde cortado ao meio com 437. Dos artigos recentes, o mais visto foi Aventuras de João sem medo com 183 visualizações e Mar de Afonso Cruz com 177.

Entradas no Rascunhos que mais gostei de fazer?

– Como oferecer ficção científica ou fantasia a toda a gente;

– Favoritos – Lista de autores, séries e livros favoritos;

– Série de links interessantes – Halloween;

Distopias;

Lançamento Da Família e Inventário do Pó;

– Colecção Bang! Saída de Emergência / Colecção 1001 Mundos Gailivro;

– Livrarias: Leituria / Fyodor / Bivar;

– Enciclopédias e Dicionários Fantásticos;

– As histórias circulares de Zoran Zivkovic;

– The Gallery – Fredrik Dahl Tyskerud;

Metas para 2016? Manter o ritmo, investir na área vasta que é a banda desenhada e continuar a dar destaque a ficção especulativa portuguesa.

As Melhores Leituras 

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Melhor antologia – Stories of your life and others de Ted Chiang – As histórias presentes nesta antologia partem de premissas simples para transformar de forma considerável a sociedade, tendo, comummente, um de dois pontos como partida: a influência da religião ou o desenvolvimento da inteligência. Na influência da religião encontramos contos centrando-se no poder da escrita judaica, com golems e homúnculos, ou na construção de uma torre de babel que atinge a cúpula celeste. Com desenvolvimento da inteligência encontramos homens tão inteligentes que jogam xadrez com a realidade, ou entidades artificiais com capacidade de desenvolvimento, aprendizagem e sentimentos que nos fazem questionar se podem ser consideradas entidades com direitos e deveres. Estes são apenas alguns exemplos, mas as histórias de Ted Chiang caracterizam-se por serem impecáveis do ponto de vista formal (sem episódios em excesso e contendo apenas o essencial para a história sem quebrar a empatia com o leitor), interessantes em premissa e envolventes.

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Melhor história curtaThe Day the world turned upside down de Thomas Olde Heuvelt. Quando pensei nesta categoria, foi logo esta história que me ocorreu. E logo a seguir o pensamento “Que lugar comum, escolher logo o vencedor do prémio Hugo!”. Razão pela qual fui rever as antologias e revistas que li ao longo deste ano (e foram muitas). Resultado? Voltei à mesma história. Apesar de ter lido dezenas de histórias apocalípticas em antologias dedicadas ao tema, esta destaca-se.  Sem se preocupar com causas, nem efeitos cientificamente correctos, centra-se numa única personagem que, frente à desgraça mundial, procura apenas a ex-namorada, num cenário de cobardia e incapacidade para com os eventos que o rodeiam, mas simultaneamente coragem louca para rever a pessoa pela qual está obcecado.

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Melhor banda desenhada Locke & Key Vol.5 – Excepcional do ponto de vista visual, muito movimentado e bastante revelador da origem de toda a história, este volume possui uma enorme carga trágica, com episódios bastante violentos do ponto de vista psicológico. A premissa é interessante – uma série de chaves que se encontram numa velha casa de família permitem adquirir diversos e até, assustadores poderes. É possível abrir, literalmente a cabeça para retirar ou adicionar conhecimentos, é possível passar a existir como um fantasma ou viajar para qualquer lado que tenha uma porta – mas estes poderes só se encontram acessíveis a jovens.

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– Melhor ficção científica – The Martian Chronicles – Ray Bradbury – Excelente e com uma pitada de humor típica de Bradbury, apresenta-nos uma série de histórias interligadas do tempo em que ainda se podia sonhar com uma civilização perdida em Marte. Histórias dementes que nos fazem apaixonar por um planeta que não existe, de sentimento nostálgico, satirizando governos e situações – The Martian Chronicles é simplesmente fabuloso com pitadas devastadoras de ironia bem posicionada.

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– Melhor fantasiaO Grande Manuscrito – Zoran Zivkovic – Não fosse um dos meus autores favoritos, este foi o último livro lançado do autor cuja história se centra em… livros. A realidade descrita é bastante semelhante à nossa, mas possui contornos surreais e fantásticos que são percepcionados e estranhados pelas próprias personagens. O próprio escritor alterna entre decisor e peão, numa dualidade interessante que é explorada em várias camadas. Este não é o típico livro de fantasia épica, mas das que li, nenhuma me desperta o sentimento de maravilha como este livro;

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Melhor antologia portuguesa – Insonho. Bem sei que é um conjunto de contos, mas é um conjunto coeso de premissa interessante – monstros do popular português.

– Outras menções honrosas

  • Antologias – Depois de ter lido mais de uma dezena de antologias, não é de estranhar que queira realçar mais uma, Deathbird Stories de Harlan Ellison, um conjunto pungente de contos negros, pesadelos que subvertem a realidade de forma dura, crua e contagiosa, falando de deuses tornados homens e homens tornados deuses de forma pervertida. Estes contos são murros no estômago e não devem ser lidos pelos mais sensíveis;
  • Histórias curtas – Entre as dezenas de antologias e colectâneas lidas este ano é impossível não destacar mais histórias. The Mill de Paul di Filippo foi outra das histórias de que me recordei logo. Criando um mundo bastante semelhante ao The Carpet Makers é complexo e interessante, apresentando várias gerações que afinal fazem parte de uma farsa imperial – um mundo inteiro numa economia de mentira. The Autopsy de Michael Shea é um excelente conto de horror científico que, sem grandes efeitos, consegue criar o ambiente perfeito de suspense. Em Sun’s East, Moon’s West de Merrie Haskell o conto de fantasia transforma elementos conhecidos apresentando uma rapariga que, sendo capaz de transformar palha em oiro, prefere matar dragões. Claro que tinha de me recordar de outro conto apocalíptico – Dark, Dark Were the Tunnels de George R. R. Martin apresenta-nos uma humanidade dividida entre aquelas que ficaram na terra durante um desastre nuclear e se refugiaram no subsolo e aqueles que estavam na Lua – será que quando as duas partes se reencontram se reconhecem como pertencendo à mesma espécie? Soft de F. Paul Wilson é outro conto apocalíptico que se destaca pela exploração da componente humana, apresentando uma doença que liquidifica lentamente os ossos;
  • Banda desenhada – Estas são referências que não irão espantar ninguém: Saga é uma extraordinária série cruzando elementos de ficção científica e fantástico com vários elementos cómicos; Tony Chu explora poderes associados à comida que causam fascínio e asco ao leitor, centrando-se numa personagem relativamente mal disposta; Animal’Z é um volume negro, deprimente e apocalíptico que deixa pouca esperança na humanidade como a conhecemos – talvez com umas pequenas alterações? Finalmente, The Private Eye é uma distopia futurista, deprimente, estranha e cativante, de cores fortes;
  • Ficção científica – foram poucos os livros de ficção científica ou fantasia lidos este ano – li sobretudo contos. No entanto, O Ano do Dilúvio de Margaret Atwood foi uma leitura suficientemente interessante para merecer uma referência. Apocalíptico, acompanha uma seita de naturalistas que passam por loucos numa sociedade degradada e degradante.
  • Autoria portuguesa – As sementes para boa ficção especulativa portuguesa existem. O que não existe é solo para crescerem ou espaço para se consolidarem e crescerem. João Ventura já é um nome constante de diversas antologias e revistas que, desta vez, me surpreendeu com Fogo! na Antologia de Ficção Científica Fantasporto. Urbania – A destilação do absurdo de Carlos Silva também me surpreendeu pela positiva numa compilação lançada digitalmente, Universos Literários. Finalmente, Teddy de João Rogaciano é também uma história cativante que merece referência;
  • Fora de género – À mesa com Kafka é uma divertida compilação de receitas enquadradas numa história contada ao estilo de algum autor conhecido.

Melhoras leituras de anos anteriores

2014

2011

2010

2009

2008

2007

2006

 

Resumo de Leituras – Dezembro de 2015

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141 – A Fantasy Medley 3 – Vários autores – contendo quatro longas histórias fantásticas, este é um volume de qualidade média quando analisado globalmente. Quando se analisa conto a conto, os dois primeiros são mais fracos centrando-se em heróis recorrentes dos autores, e talvez por isso não se preocupando com o seu desenvolvimento. As outras duas histórias são bastante melhores, com mundos interessantes e desenvolvimento que foge ao engrandecimento comum da personagem principal.

a fantasy medley 3

142 – As reencarnações de Pitágoras – Afonso Cruz – Este foi, até agora, o volume mais fraco desta Enciclopédia. Tendo como elo de ligação as reencarnações de Pitágoras, apresenta-nos de forma curta várias personagens. Cada personagem é acompanhada por uma imagem, num vazio de conteúdo que não costuma ser comum nestes volumes. Ao contrário dos anteriores que intercalam histórias curtas com outras longas, neste caso apenas existem curtas apresentações das personagens.

143 – Locke & Key Vol. 5 – Joe Hill – O melhor volume desta série de banda desenhada até agora. Imagem e composição espectacular, com revelações interessantes que explicam alguns mistérios da história e mantendo o tom negro e dramático que caracteriza todos os volumes.

144 – Histórias de aventureiros e patifes – vários autores – Antologia organizada por George R. R. Martin e Gardner Dozois onde, curiosamente, a história que menos gostei foi a de George R. R. Martin. A premissa da antologia é engraçada – uma série de contos que se centram em personagens pouco perfeitas, patifes e aventureiros em contos de vigário ou histórias mirabolantes.

Assim foi: Conversas Imaginárias 2015 – As Leituras do ano

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Esta foi a última conversa do dia, uma conversa que já tem sido habitual nos anos anteriores do Fórum Fantástico e que reúne João Barreiros e seus sobrinhos Artur Coelho, João Campos e eu. Abaixo eis a apresentação dos livros citados, bem como indicação de quem o citou.

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Estando do lado da mesa, existem menos hipóteses para tirar notas de pontos interessantes, mas mesmo assim, houve alguns detalhes que gostaria de realçar. Um dos livros indicados por João Barreiros, The Explorer’s Guide de John Baird é um bom exemplo da interacção que permite o formato físico, com páginas amareladas a simular o antigo, e contendo não só texto como banda desenhada e outras imagens. Um livro que foi directo para a minha lista de aquisições futuras.

la casa

Outra das referências de João Barreiros que achei curiosa foi o La Casa de Daniel Torres, um volume que apresentará a casa ao longo dos milénios, desde os primórdios da humanidade aos tempos modernos, mostrando não só o interior das habitações mas representando um pouco do quotidiano e da mentalidade.

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Outro volume referido por João Barreiros foi Slade House de David Mitchell, continuação de The Bone Clocks, onde alguns seres humanos são chamados a uma misteriosa casa para serem enclausurados e comidos de forma estranha. A descrição da história foi bastante vísceral.

luna

Luna foi referido tanto por João Barreiros como por João Campos, mas de formas bastante diferentes. João Barreiros irritou-se bastante com as referências brasileiras mal efectuadas que demonstram pouco trabalho de pesquisa, e com as traduções mal feitas de frases para português (brasileiro) que pareceriam saídas do google translator. Já a João Campos estas referências não estragaram o livro, do qual gostou bastante.

O que achei engraçado nesta diferente percepção do mesmo livro, está relacionado com um texto que li algures numa revista americana de ficção sobre os erros dos romances, e até que ponto está o leitor disposto a acumulá-los até se desgostar com o texto. Claro que tal nível de tolerância está relacionado com o quanto esteja a gostar da história.

the wolf among us

Se ainda não leram John Brunner (como eu) decerto que depois das múltiplas referências de João Campos ficam decididos a ler. Claro que terei de iniciar com Stand on zanzibar que já repousa há algum tempo na prateleira. Outro dos escolhidos de João Campos que me chamou à atenção foi The Wolf Among Us por estar relacionado com a série de banda desenhada Fables. Para além da relação com a banda desenhada, captou-me a forma como o final fará repensar todas as fases do jogo.

Leviathan Wakes, James SA Corey

Já tinha reparado nas várias críticas do Artur Coelho aos livros de James SA Corey, longas space-operas, mas que terão alguns pontos repetitivos ao longo dos vários volumes. Fica a referência ao primeiro, que poderá ser uma boa obra para recordar o estilo. Ficou-me, também, a referência a Os Marcianos somos nós de Nuno Galopim, bem como do mais recente Almanaque Steampunk. Mas sobre as escolhas de Artur Coelho não falo mais – podem encontrar detalhe sobre as mesmas no seu blog.

stories ted chiang

Eis então as minhas escolhas e os motivos que me levaram a selecioná-los. A maioria dos volumes que referi são colectâneas, volumes que reúnem as melhores histórias de alguns autores – já que contos não vendem, este ano foi o que mais li.

O primeiro volume escolhido foi Stories of Your Life and Others de Ted Chiang. Esta foi uma das grandes descobertas do ano. O autor possui contos excepcionais, bem escritos, de premissas desenvolvidas de forma concisa, mas sem sacrificar a empatia das personagens, e dando espaço para o desenrolar dos acontecimentos. A maioria dos contos têm uma de duas premissas: inteligência ou religião.

Os contos de premissa centrada na inteligência desenvolvem-se utilizando ora a inteligência artificial, ora a inteligência humana artificialmente aumentada. Temos assim manipulação de genes que leva a uma nova raça de seres humanos, intelectualmente incompátiveis com os restantes, ou grandes duelos entre dois seres humanos que, de tão inteligentes jogam xadrez com a realidade. Do lado da inteligência artificial temos o conto que dá nome ao conjunto, onde se codificam várias entidades, uma espécie de bonecos virtuais com capacidade de aprendizagem e desenvolvimento, que ao revelarem pensamentos e sentimentos, levam a várias questões sobre onde começará a identidade e os direitos e deveres associados.

Os contos de premissa religiosa não possuem uma perspectiva muito positiva. Ora existem anjos que transformam os humanos, mas nem sempre de forma positiva, fazendo com que percam um braço ou uma perna, sem qualquer explicação; ora apresentam uma nova versão da construção da Torre de Babel onde os homens a terminam, chegando à cúpula celeste.

Mas a colectânea possui, também, várias histórias fora destas premissas. Uma delas apresenta-nos seres inteligentes e humanóides, uma espécie de robots que vivem num mundo quase hermeticamente fechado. A pouca perda de energia fã-los viver cada vez mais lentamente.

the bees

The Bees de Laline Paull não tem uma das premissas mais originais nem é, formalmente, dos melhores livros do último ano. Demasiado centrado numa única personagem demasiado multifacetada,é, no entanto, uma leitura que me entreteve bastante e que tive de referir. Capaz de nos fazer simpatizar com a personagem, possui descrições de como as abelhas se fascinam perante a abelha rainha, e apresenta-nos uma rígida hierarquia na colmeia. Ainda que não ocorra nenhum acontecimento político é um género de distopia animal em que a rigidez social é uma constante já esperada.

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Se as leituras anteriores se apresentam bastante simpáticas, criando empatia com o leitor, este Deathbird Stories de Harlan Ellison é brutal, visceral e simultaneamente fascinante. O leitor assiste mesmerizado a cenas horrendas, que, são descritas de tal forma, que despertam o lado animal do ser humano. Assim começa a colectânea com um conto brutal, onde todo o bairro assiste, estático, ao homicídio de uma mulher. Um crime sangrento e ruidoso, quase teatral, em que a vítima agonia impotente.

Os restantes contos apresentam ecos deste misto de fascínio e aversão, como que transformando o leitor num dos habitantes do tal bairro, descrevendo de forma controlada mas quase sádica, episódios horrendos com pitadas de ironia que fazem o leitor assistir quase estático.

mesa com kafka

Aqui está um livro que se destaca bastante dos anteriores, nem que seja por poder ser encontrado na secção de culinária. E se calhar esta caracterização nem estará assim tão errada porque o livro, na verdade, até apresenta receitas. À mesa com Kafka apresenta ingredientes e modos de preparo, mas dentro do contexto de uma história que é contada ao estilo de algum escritor conhecido.

E que bem é esse estilo simulado. Sopa rápida de miso a la Franz Kafka recorda na perfeição o livro O Processo, descrevendo um episódio que facilmente poderia ser encaixado no livro sem problema algum. Outro dos contos que achei peculiar é Ovos com estragão a la Jane Austen que se centra numa senhora que pretende apresentar os seus belos ovos à sociedade. De origem menos elevada do que a daqueles a quem pretende apresentar os ovos, procura uma forma de os enaltecer sem cair no ridículo. Já Passarinhas desossadas e recheadas a la Marquês de Sade foi o conto lido no Recordar os Esquecidos e que me fez adquirir o livro.

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Das colectâneas apresentadas, esta, Trigger Warning, é decerto a menos coesa, quer em conteúdo, quer em formato das histórias. Apresentando ora poemas curtos e estranhos (como uma ode a uma cadeira), ora descrições de fotos mórbidas, ora longas histórias que já foram publicadas isoladamente, destaca-se sobretudo por algumas histórias excelentes que fazem valer a pena o livro.

Para além de apresentar o conto The Sleeper and the Spindle (que ganha maior dimensão na versão ilustrada), destacam-se dois contos centrados em personagens bastante conhecidas de todos: Dr. Who e Sherlock Holmes. O primeiro é uma aventura engraçada e caricata que reconstrói de forma impecável o ambiente da série. O segundo apresenta-nos o detective já idoso, explicando parte do seu fascínio por abelhas.

pump six

A maioria das histórias de Paolo Bacigalupi em Pump Six and other stories apresentam um mundo ecologicamente destruído. O nível das águas sobe de tal forma que grande parte do território está inundado gerando milhões de refugiados e a maioria das espécies animais e vegetais foi extinta. Gera-se fome quer pela indisponibilidade de terreno, quer pela extinção em massa. Para compensar, existem fortes investimentos na biologia molecular que produzem várias espécies artificiais, mais adaptadas à nova realidade.

Um dos melhores contos foge, no entanto, deste contexto. Pump six, a história que deu origem ao conjunto foi o conto que me deu a conhecer o autor, e um exemplo extraordinário de uma história apocalíptica contada ironicamente. A história começa com um homem a entrar na cozinha, e a encontrar a esposa com a cabeça dentro do fogão, com um fósforo acesso, procurando a origem de uma fuga de gás. Depois de a retirar, explica-lhe a estupidez do cenário, relembrando um outro episódio onde teria tentado limpar uma tomada com um garfo. Percebemos dentro de pouco tempo o que se passa: a água cada vez mais contaminada das canalizações está a embrutecer e a transformar os seres humanos de tal maneira que alguns já são autênticos animais, restringindo-se a três actividades, copular, comer e pregar partidas.

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Melancólico e estranho, A Stranger in Olondria, centra-se numa personagem que tem tudo para ser um herói típico de aventuras fantásticas. Enganem-se. O fascínio que nutre por outra civilização onde espera encontrar livros sem fim e viver descansadamente, torna-se um pesadelo de perseguições religiosas, febres constantes em que não sabe se está a ser assombrado ou se terá sucessivos pesadelos desgastantes.

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As próximas referências são livros que se encontram no meu radar para aquisições futuras. City of Blades será o segundo de uma trilogia de volumes independentes. O primeiro, City of Stairs, foi uma das melhores leituras do ano passado e é com curiosidade que aguardo este. O mundo onde decorre possui duas civilizações concorrentes, uma de tecnologia evoluída e outra de grandiosos edifícios construídos por Deuses. Quando os Deuses são assassinados, os edifícios desaparecem, mas persistem as escadas construídas pelos humanos. A cidade fica, assim, carregada de escadas, escadarias, pequenos degraus e caracóis que levam a lado nenhum – pedaços que recordam os milhões de pessoas que desapareceram com os edifícios.

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The Flicker Men parece ser uma das grandes promessas dos próximos tempos. Não foi a sinopse que me captou, mas várias críticas que o descrevem como uma espécie de cruzamento entre Stephen Hawking e Stephen King, ou seja, contendo grande detalhe científico num excelente thriller.

A última referência não tem, ainda, capa. Big Book of SF será o grande projecto de Ann e Jeff Vandermeer para o próximo ano, onde pretendem reunir ficção científica exemplificativa de todo o século XX, com os mais variados temas, origens e desenvolvimentos.

Outros resumos das sessões de Conversas Imaginárias 2015

Eventos: Fórum Fantástico 2015 retorna como Conversas Imaginárias

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No seguimento das obras da Biblioteca Municipal de Telheiras que têm impedido a concretização do Fórum Fantastico deste ano, irá decorrer um encontro de menor dimensão temporal na Livraria Fyodor Books (Lisboa) no dia 12 de Dezembro.

Denominado de Conversas Imaginárias, irá centrar-se essencialmente na produção nacional de ficção científica e fantástico, começando com duas conversas, uma de Ficção Científica e outra de Fantasia, em que participam os mais conhecidos autores nacionais associados aos géneros: Carlos Silva, João Barreiros, Luís Filipe Silva, David Soares e António de Macedo.

A estas conversas segue-se um espaço para apresentação de interessantes projectos em curso como a Colecção Barbante, a Colecção Génesis, a Revista H-Alt ou a Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas.

O encontro termina com a usual apresentação de Leituras do ano, onde participam Artur Coelho, João Barreiros, João Campos e eu.

Curiosos? Então acompanhem a página oficial do evento para mais detalhes !

15:30 – Abertura (Rogério Ribeiro).
16:00 – Universos Partilhados (com Carlos Silva, João Barreiros e Luís Filipe Silva).
16:45 – O Fantástico e o Real (com David Soares e António de Macedo).
17:30 – Intervalo.
17:45 – Iniciativas em Comunidade: Colecção Barbante, Colecção Génesis, Liga Steampunk de Lisboa e Províncias Ultramarinas, e Revista H-Alt (com Carlos Silva, Ricardo Lourenço, Leonor Ferrão e Sérgio Santos).
18:45 – As Leituras do Ano (com Ana Cristina Alves, Artur Coelho, João Barreiros e João Campos).
19:30 – Encerramento.
20:00 – Jantar (pormenores a anunciar).

Organização: Rogério Ribeiro e João Campos.
Cartaz: Rui Ramos.

Como oferecer ficção científica ou fantasia a toda a gente (2)

(parte I)

a vida no ceu

4. A vida no céu – José Eduardo Agualusa

Os livros deste autor costumam possuir um género de fantástico mágico na história. Mas neste caso diria que é mais ficção científica. Num futuro não muito distante um desastre ecológico fez submergir todos os terrenos. Para sobreviver, a humanidade teve de subir aos céus em balões de ar, e construir novas cidades.

Apesar de demasiado centrado em dois jovens que se transformam em heróis salvadores, a história, que flui rapidamente, aproveita a culpa da humanidade no desastre ecológico e a criação de uma nova estruturação social. Não sendo a melhor leitura apocalíptica que já encontrei, é uma boa leitura para os que não conhecem o género e não gostariam de excessivos detalhes científicos.

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5 – Hav – Jan Morris

Para os que gostam de literatura de viagem, nada melhor do que Hav, um livro que descreve minuciosamente uma cidade multicultural que nunca existiu. Bem enquadrado na colecção de Literatura de Viagens da Tinta-da-china, apresenta detalhes tão minuciosos que vários leitores já contactaram o escritor para perceberem a localização exacta da cidade.

Esta cidade mediterrânica teria estado sob a alçada de diversos países, albergado diversos refugiados e fugitivos de guerra, um potencial paraíso para espiões, refugiados, ou até nazis – viajantes em transição que quisessem desaparecer ou mudar de identidade. A diversidade cultural e religiosa é fascinante e contagia não só o quotidiano dos habitantes como é perceptível na descrição da arquitectura dos edifícios. E o mais engraçado é o que leitor até se esquece que… a cidade não existe.

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6 – O Último Livro – Zoran Zivkovic

Tendo como personagem principal um inspector de polícia, O Último Livro centra-se na investigação de uma livraria onde, subitamente, os clientes começam a morrer. O inspector, um leitor ávido, apaixona-se pela dona da loja, enquanto procura o que estará a causar a morte.

Este não é um simples livro de mistério criminal. Entre as referências a bons livros em cenários privilegiados (livrarias e salões de chá) encontramos seitas, perseguições e um livro com estranhos poderes que todos procuram.  O autor há era conhecido com livros que juntam várias histórias de uma única temática, mas com este livro mudou de formato e criou uma leitura excepcional.