
Iron Angel é o segundo volume da trilogia Deepgate Codex, um livro sobre o qual tinha alguma curiosidade, depois de ler o morno Scarnight, que nos apresenta uma amizade inocente (por mais estranho que pareça) entre o último anjo na cidade, e a assassina escolhida para o proteger. Descendente de anjos guerreiros, Dill foi criado por uma seita religiosa que o protege do mundo, possuindo a mentalidade de uma criança. Por seu lado, Rachel é uma assassina que nunca passou o único estágio da sua aprendizagem.
Iron Angel abre com um cenário poderoso de pós-guerra, em que a cidade se encontra prestes a desmoronar e a seita religiosa instaurou uma política de medo, prendendo e torturando os que pretendem fugir da cidade, ou que revelam algum sentimento ou pensamento revolucionário. Rachel e Dill refugiam-se numa estalagem, mas em pouco tempo são traídos pelo dono do estabelecimento. No quartel general da seita, são separados. Rachel consegue escapar, mas quando finalmente encontra Dill este foi possuído pelo fantasma de um anjo guerreiro.
Simultaneamente, o Deus dos Marinheiros decide vir a Deepgate, para encontrar a filha de um outro Deus. E é nestes momentos que encontramos a componente cómica da história. O servente que puxa o barco a partir da terra engole almas como quem engole tremoços, muitas vezes com remorsos. Forte de uma forma sobrenatural, facilmente enfrenta vários assassinos, despedaçando um edifício, sem nunca largar a corda que o prende ao barco.
Ambas as personagens principais parecem espantalhos: Dill é eternamente arrastado para todo o lado, Rachel é uma assassina que tem raros rasgos de decisão, mas cujo rumo é sempre decidido por outras personagens. Talvez por isso, a meio do livro, o autor optou por introduzir novas personagens, mais fortes. Enquanto que, noutros livros, a adição de histórias paralelas pudesse aumentar o interesse da história, neste caso senti uma dispersão – a alternância entre personagens é pouco, e Dill e Rachel só voltam a ser referidos novamente a mais de meio da narrativa.
Considerando que a trilogia se iniciou antes da febre dos anjos (após os vampiros e os lobisomens, seguiram-se várias obras românticas contendo anjos), possui vários elementos interessantes e originais: anjos guerreiros semi-deuses, um inferno com características diferentes do usual, uma seita religiosa que poderá recordar os assassin mas melhorados; e deuses ao género grego / romano. As ideias são engraçadas, mas a execução parece-me insuficiente para tornar a obra em algo de especial.
O problema parece estar na forma como o autor tentou incluir todas as ideias conforme as foi tendo, abandonando de repente algumas personagens, e deixando alguns cenários repentinamente de parte, para explorar outros. Resta saber como terminará a trilogia, esperando que o autor ganhe alguma maturidade, para conseguir explorar os conceitos, originais.
