
The Book of Transformations é o terceiro volume da série Legends of the Red Sun, continuando a história iniciada com Nights of Villjamur e City of Ruin. A história do Império avança, mas as personagens exploradas nos volumes anteriores são abandonadas e novas são exploradas. Ainda que tenha gostado do que li, a impressão com que fiquei deste terceiro volume foi de estranheza e incerteza, uma impressão que vai depender do rumo do quarto volume.
A acção centra-se em Lan, um travesti, que conhece um cultista disposto a experimentar pela primeira vez uma operação de mudança de sexo. Numa civilização onde as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo é punível com a morte, Lan esconde a operação que a transformou, mas sem grande sucesso. Esta operação será o motivo pela qual é chantageada e obrigada a transformar-se num dos três heróis com super poderes da cidade.
O inverno que começou há alguns anos não mostra sinais de esmorecer, os refugiados continuam a morrer às portas da cidade e um estranho exército avança pelo gelo conquistando todas as ilhas por onde passa e exterminando todos os sobreviventes. A acrescentar a tudo isto, uma cultista financia actos terroristas. Os cidadãos necessitam de esperança e que melhor forma de o conseguir do que criar heróis?
Como organizador deste grupo de heróis encontra-se Fulcrom, um investigador bem sucedido e relativamente novo que desde que enviuvou não se aproxima de mulheres. Até, claro, conhecer Lan. Mas quando começam os encontros românticos, o espírito da falecida esposa resolve aparecer. Na verdade, todos os espíritos dos mortos que foram simplesmente enterrados e não queimados começam a aparecer pela cidade causando o pânico.
E foi a junção de todos estes acontecimentos que me deixou incerta, a exploração de várias desgraças em simultâneo, resolvidas pelo aparecimento de sucessivos acontecimentos ainda mais destruidores. Na prática, parece que a cidade criada pelo autor se tornou de tal forma caótica que a única forma de limpar a confusão era criar uma bomba nuclear. E esperar que o pó assentasse.
O retrato dos heróis como humanos com falhas não é uma premissa original, mas foi explorada de forma suficientemente interessante para me cativar. Existem bons momentos, mas demasiadas linhas narrativas. Se, normalmente, a apresentação de várias personagens torna a história mais completa, neste caso senti-me esmagada com tantos acontecimentos em simultâneo.
A intercepção de todos estes elementos resultou numa história que se afasta cada vez mais do fantástico e se aproxima da ficção científica, um livro agradável que pode ser lido independentemente dos dois primeiros, mas confuso. Resta saber como o autor vai desenrolar o nó no próximo livro.
