Escrito por Washington Irving em 1820, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça foi já intensamente explorada, dando origem não só a vários filmes, como a séries infantis. A versão mais conhecida terá sido a do realizador Tim Burton, que explora não só a luta entre a racionalidade e a superstição como o lado sobrenatural da história.

Mas se a lenda que dá origem ao filme é a mesma, os acontecimentos em torno desta são distintos. No conto original, a personagem principal, com o mesmo nome, Ichabod Crane, é o professor errante numa terra provinciana. Supersticioso, medroso e aproveitador dos seus sucessivos hóspedes, salta de casa em casa onde colecta as histórias de fantasmas e aparições da região. Apaixona-se pala filha de um rico fazendeiro, não tanto pelos seus atributos físicos, mas pela perspectiva de herdar as terras e comodidades; o que o leva a ganhar um inimigo temível, Brom Bones.

Embora seja uma comparação injusta pelo tamanho diminuto do conto, achei o desenvolvimento do filme de Tim Burton mais interessante. As descrições desnecessárias arrastam um pouco o ritmo da história quase fazendo perder, por vezes, o interesse.

No mesmo livro, publicado pela século XXI, encontrei ainda um outro conto do autor, também muito conhecido – O Homem que Dormiu Vinte Anos. Rip Wan Winkle, a personagem principal, é um bondoso e pacato homem que para todos trabalha menos para o próprio sustento. As suas terras permanecem baldias e abandonadas, a família vive na miséria, e a mulher rabujenta apoquenta constantemente e sem resultado Rip e o cão, companheiro da moleza. Até que um dia, Rip vai caçar para as montanhas e encontra estranhas personagens que lhe pedem ajuda.

Este pequeno conto, adaptação de Peter Klaus the Goathered de Nachtigal, fez-me lembrar as histórias celtas que relatam o contacto com seres fantásticos e que resultam em bruscas alteracções das vidas humanas. Embora mais interessante que o anterior, o tom monótomo e descritivo fez, também aqui, perder o encanto.

Ambas as histórias são dois clássicos do género mas o modo como estão narradas decepcionou-me.