Incluído na colecção de SF Masterworks, City captou-me pela diferença, tanto na apresentação, como no conteúdo. Cada um dos oito contos presentes em City foi publicado isoladamente entre 1944 e 1951, constituindo a colecção alguns anos mais tarde. Existe ainda um nono conto, mas que não integra esta versão.

City apresenta a história da espécie humana depois das primeiras bombas nucleares, mas contada pela espécie canina, sapiente e dotada com a linguagem. Para esta espécie inteligente, os seres humanos roçam o mito, tal deuses gregos, simultaneamente demasiado estranhos e divinos, que terão concedido aos cães o dom da fala e inventado os robots.

História a história, assistimos ao abandono das cidades ou de outros aglomerados de casas, a invenções cada vez mais extraordinárias dos seres humanos, e, finalmente, ao abandono do próprio planeta Terra. Entre mito e história, os contos são apresentados com alguma incredulidade, apresentando uma linha contínua de evolução e dispersão.

Para além de uma perspectiva interessante sobre o destino da espécie, os contos apresentam histórias engraçadas e enigmáticas, que se vão encaixando como um puzzle. De tom melancólico face aos saltos evolutivos, as histórias apresentam alguns detalhes deliciosos que, infelizmente, o formato de mito nem sempre deixa aprofundar.

Foi este formato de história estanque nos primeiros contos que me distanciou. Felizmente, este formato desvanece-se e a continuidade entre os contos torna-se maior nos últimos, transformando City  num conjunto delicioso de excelentes momentos.