The Very best of Kate Elliott

best of kate elliott

Representatividade. O género não importa. Ficção científica ou fantasia, o objectivo principal da autora é representar raparigas e mulheres, colocando-as em papéis que distorcem as expectativas tradicionais de serem observadoras passivas e burras. Aqui as mulheres agem. Ou pelo menos tentam, nem que seja de forma anónima.

Se há quem desconsidere as diferenças existentes dos dois géneros profissional ou socialmente, os acontecimentos deste ano decerto não permitem continuar com uma negação tão ingénua. Mas estas questões vão para além do género, passam também pela questão cultural (porque biologicamente não existem diferenças suficientes para considerar as populações humanas como raças distintas) e social (a perspectiva de que dos estratos económicos mais baixos não pode emergir inteligência).

Adiante. A autora, enquanto leitora de ambos os géneros, sentiu necessidade de personagens que a representassem. Mas não pensem que esta necessidade se traduziu em ingenuidade, com intenções escondidas no enredo. Pelo contrário. Mesmo que não se tenha lido a óbvia introdução, a autora refere conscientemente no enredo que não pretende seguir o caminho usual. O resultado é inquietante. De uma forma positiva. Mas inquietante.

Realmente não estamos habituados a ler sobre as necessidades físicas de uma mulher de forma tão directa. E não estou a falar de histórias eróticas, mas de uma personagem consciente de si própria que não está constantemente a tentar perceber o que o outro está a pensar, colocando-se no papel secundário da atracção sexual.

Pelo meio, percebe-se a frustração. As mulheres têm, demasiadas vezes, de recorrer a estratégias dissimuladas para atingir os seus próprios objectivos, recorrendo às expectativas sociais de serem atrapalhadas ou de mentes simples, para devagar continuarem pelo rumo que escolheram.

A maioria das histórias possui momentos memoráveis, ainda que nalgumas pareça que a história que está a ser contada não é assim tão importante quanto o momento mostrado, resultando em finais pouco conclusivos. Entre perspectivas desconfortáveis de contos de cavalaria encontramos divertidas interacções com culturas alienígenas ou transformos maliciosos. No final encontramos ainda alguns textos sobre o papel da mulher na ficção, que ajudam a perceber algumas das escolhas da autora nos seus contos.

Comentários isolados a algumas das histórias:

The memory of peace;

The Gates of Joriun;

Ridding the Shore of The River of Death;

Leaf and Branche;

The Queen’s Garden;

On the Dying Winds of the Old Year and the Birthing Winds of the new.

(cópia fornecida pela editora).

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