Os livros deste autor são o que chamo de ficção especulativa suave. Adorei um dos primeiros que li, Os Humanos, com uma perspectiva peculiar (alienígena) sobre a humanidade, gostei bastante do Midnight Library. Gostei menos do Como parar o tempo e deste.
A Vida Impossível apresenta-nos Grace, uma idosa professora de matemática, viúva, que vive numa rotina semi rígida, recordando o passado e culpando-se pela morte do filho ainda jovem. Os dias são passados entre as idas ao cemitério e a rotina básica, sendo que Grace se limita a esta existência cinzenta. Até ao dia em que recebe, de herança, uma casa em Ibiza.
Intrigada, Grace resolve atravessar o planeta para perceber o que recebeu e porquê – a pessoa que lhe deixou a casa há muito que não comunicava com ela. Chegada a Ibiza, Grace vai tentar perceber a morte da amiga, e acaba a contactar com os mesmos fenómenos estranhos que a amiga contactava, o que irá transformar a sua perspectiva sobre o mundo.



De alguma forma, em premissa ficcional, a ideia recorda-me um pouco In Ascension, ainda que, claro, a execução e o estilo se distanciem bastante. Tal como o livro de Martin Macinnes, e se vida extraterrestre já estivesse no planeta connosco, nas profundezas das águas? Neste caso, trata-se de uma inteligência que tem como objectivo a preservação da Natureza e que utilizará os seres humanos com os quais contacta conferindo-lhes poderes.
A curiosidade leva Grace numa aventura peculiar e mirabolante, onde recupera a energia e a vivacidade, bem como a vontade de viver. O contacto com a inteligência extraterrestre diminui o impacto que até ali a idade tinha tido, mas atribui também novos objectivos de vida.
Mas nem tudo é tão linear quanto parece. Existe um vilão, também ele com poderes e riqueza, que pretende transformar todos os paraísos da Natureza em hóteis para obtenção de lucros elevados. Entre jogos políticos e ameaças mais violentas, o confronto final vai ser menos interessante do que se julgava.
Menos interessante que outros livros do autor, A Vida Impossível é, como expectável, um livro de leitura fácil e fluída. O seu menor interesse (pelo menos para mim) advém do facto de existirem detalhes na narrativa que não me convenceram: por um lado Grace quebra com a sua rotina apesar da idade e do hábito, por outro, o vilão que assombra toda a história revela-se mais ridículo e menos concreto do que o esperado.

