Saga – Vol. 8 – Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Num tom relaxado e desinibido, Saga vai tocando em alguns aspectos polémicos, assimilando questões associadas a preconceito que cada vez mais são relevantes na nossa sociedade. Mas Saga consegue fazer isto de forma inteligente, integrando estes aspectos na história.

Em Saga o conceito de família é algo fluído. Sim, existe mãe e pai, bem como avôs (nalgumas partes da história), mas criar uma criança requer trabalho (como diz o ditado inglês “It takes a village to raise a child” ) e toda a ajuda é preciosa. Neste caso vem de amigos (ou inimigos) que se juntam à eterna viagem no espaço. Há sempre mais um lugar para ir. Neste volume a família desloca-se a alguém que possa resolvar a gravidez de Alana levando-os a um novo planeta com personagens peculiares, pois a criança estará morta dentro da barriga.

Saga aborda a sexualidade como algo rotineiro. Algo normal que acontece entre adultos, quer sejam um casal, ou não. Não são de estranhar os fétiches ou os casais pouco convencionais. Para além de vermos casais de diferentes espécies sapientes encontramos trans género e pessoas de sexualidade fluída. Tudo de forma bastante natural.

Nada que seja de estranhar numa série que coloca, no centro do enredo, o relacionamento proibido de duas pessoas de espécies diferentes. Esta componente poderá ter algum paralelismo com os relacionamentos inter-raciais e com os problemas sociais que enfrentam. Neste caso, a relação é ainda mais perigosa porque gerou descendência, fazendo com que ambas as facções da guerra se unem para tentar eliminar a família. Será que esta preocupação em eliminar a descendência tem origem na explicação biológica de espécie? Bem, cá estarei para ler o final.

Mas este volume não toca só na sexualidade. Também no aborto e nas razões possíveis para o fazer, trazendo ao enredo uma mãe loba (curioso que a figura esteja associada à maternidade como a loba que salvou Rómulo e Remo) que realiza estes procedimentos em instalações pouco profissionais – os lugares oficiais não realizam abortos para este tempo de gestação, obrigando a família a deslocar-se aos confins da espaço.

Ainda que pareça pouco relevante na narrativa global da série (terei de ler o seguinte para perceber se assim é) este volume volta a conter elementos imaginativos e fantásticos como o povo esterco, uma espécie de entidades pouco racionais (quase zombies) que ganham vida a partir das fezes e que atacam quem encontram, numa luta literalmente suja.

Este oitavo volume continua com a boa disposição demonstrada ao longo da série, apesar da tragicidade dos acontecimentos. Existem batalhas épicas com espécies surreais. Existem picos de tensão que resultam em beijos inesperados. Existem crianças fantasma que saltam e brincam, desafiando a sua própria mortalidade (não, não me enganei a escrever). E são todos estes elementos que continuam a fazer da série uma das melhores histórias de Space Opera de sempre e que levam os leitores a pegar no próximo volume.

A série Saga é publicada em Portugal pela G Floy.

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TOP de Agosto

Entre novos jogos de tabuleiro e novos livros, eis o que se destacou durante o mês de Agosto.

Jogos de tabuleiro

Dr. Eureka

Dr. Eureka é um jogo que pretende melhorar a motricidade fina e o raciocínio e tem como objectivo fazer, com as bolas nos nossos tubos de ensaio, fazer o mesmo padrão que se encontra descrito nas cartas. O jogador a conseguir realizar este objectivo ganha a ronda. O primeiro a conseguir ganhar 5 rondas, ganha o jogo. Ainda que pareça (e seja) um jogo destinado a um público mais infantil, tem feito sucesso como party game, envolvendo jogadores inexperientes e tornando-se, rapidamente, viciante.

Century: A New World

Terceiro jogo de uma trilogia de jogos independentes (mas que podem ser combinados entre si para criar novos jogos), este Century consegue utilizar princípios semelhantes ao do primeiro, mas colocando-as num tabuleiro com mecânica de worker placement. Mais complexo que o primeiro, mas, talvez por isso, mais apreciado por jogadores experientes, este Century 3 fez sucesso cá em casa.

Klask

Não é novo cá em casa, mas começou a ser distribuído pelal MEBO em Portugal. É um jogo rápido que precisa de bons reflexos. Os pontos podem ser feitos de três formas diferentes:

  1. Fazer o adversário perder o controlo do manípulo;
  2. Fazer com que, ao manípulo do adversário, se colem dois ímanes;
  3. Conseguir colocar a bola na “baliza” adversária.

É um daqueles jogos que fascina os mais pequenos mas que qualquer adulto quer experimentar e testar os seus reflexos.

Banda desenhada

Sweet Tooth

O auge do mês foi atingido com Sweet Tooth, uma história apocalíptica de Jeff Lemire em que a humanidade é atingida por uma praga avassaladora. Os poucos sobreviventes assistem à degradação da civilização e da sociedade. Mas o ponto de destaque vai para as crianças que começam a nascer após a praga, que apresentam características animais, mais ou menos acentuadas, sendo este o mistério que o autor explora ao longo da série.

Gorazde

Gorazde foi, também, uma das principais leituras do mês, mas por motivos diferentes. A banda desenhada retrata a sobrevivência em clima de guerra, numa cidade que se viu, de repente, dividida entre origens e religião, com vizinhos a tornarem-se cada vez mais hostis. A comida escasseia e os tiros sucedem-se. Joe Sacco, o autor, jornalista, deslocou-se á cidade logo após à inauguração de uma estrada da ONU que lhe permitia entrar e sair do local. Mas os habitantes, esses, continuavam fechados na sua própria realidade. A população encontra-se sub nutrida, pobre, traumatizada e com poucas perspectivas de futuro.

Punk Rock Jesus

Punk Rock Jesus, por sua vez, surpreendeu como história pesada, carregada de acção, mas também de premissas que nos fazem pensar a sociedade e a religião. Fala-se de Jesus Cristo, do IRA, da clonagem, de crença e de reality shows, mas todos estes elementos concentrados numa história forte.

Livros

Um dos livros que mais teve impacto foi Vigilance de Robert Jackson Bennett. Na realidade descrita os tiroteios em massa são autorizados e fazem parte de um espectáculo televisivo que, simultaneamente, apela à corrida às armas e vende direitos publicitários milionários. É interessante constatar como a população reage, achando que a culpa é das vítimas que deviam ter armas para se defender. É interessante perceber como os inimigos começam por ser os outros, e passam a ser os vizinhos.

Máquinas como eu, de Ian McEwan, não é uma leitura dura de ficção científica. Está mais preocupado com os elementos psicológicos e sociais da integração de uma inteligência artificial, usando como factor alienante uma realidade alternativa. Não é uma leitura excelente, mas é uma leitura que escorrega pelos dedos facilmente, podendo ser caracterizada como uma boa leitura para a época de Verão.

City of Miracles, também de Robert Jackson Bennett é o último volume de uma trilogia fantástica de histórias independentes. No mundo em que decorre a acção existiram duas civilizações distintas, uma que se baseia na ciência, outra nos favores dos deuses (milagres). Digo existiram porque, após uma guerra, a civilização da ciência venceu, resultando no colapso de parte das cidades dos perdedores (as estruturas construídas pelos deuses, desapareceram quando estes foram eliminados). Algumas décadas depois, continuam a existir traços divinos que indicam a sobrevivência de algumas entidades. Trata-se de um mundo bem construído e interessante, de premissa simples, em torno da qual o autor desenvolve, de forma competente uma narrativa movimentada.

Assim foi – Worldcon Dublin 2019 – uma perspectiva pessoal

Foto oficial do Centro de Convenções de Dublin (edifício à direita)

Este ano a Worldcon foi em Dublin, num edifício que desafia a imaginação, quer em termos de formato, quer em termos de tamanho! Já o evento em si tem um tamanho inesperado – existem tantas palestras e actividades em simultâneo que cada visitante terá uma experiência única. Esta é a minha.

Infelizmente apenas pude estar no evento dois dias, Domingo e Segunda. A sensação, à chegada, é de um mundo à parte. A Worldcon ocupou pelo menos 6 pisos do centro de convenções, e cada piso tinha várias salas. Cada sala tinha uma lotação de 60 a 400 pessoas. E mesmo assim, existiam pessoas a ficar de fora consecutivamente.

 

Estive com pouca bateria durante o evento pelo que várias das fotos usadas nesta entrada foram disponibilizadas por Dan Ofer.

Exposições / comércio

O primeiro local a visitar é, claro, o piso térreo onde se encontram as bancas de comerciantes, as exposições e várias mesas de vários fandom. À entrada deparávamo-nos com este fabuloso DeLorean. Do lado esquerdo encontravam-se exposições, inclusivé uma do autor das capas da série fantástica The Elephant and Macaw Banner de Christopher Kastensmidt, Guilherme Da Cas.

Entre simuladores de pontes de comando de naves espaciais, encontramos bancas de todas as grandes editoras anglosaxónicas de ficção científica e fantasia! Mas não só! Também encontramos editoras mais pequenas mas marcantes no meio, bem como vários artesãos que vendem os seus próprios trabalhos.

Para além das exposições presentes neste edifício, existia outro (ao qual não tive oportunidade de ir) com um grande espaço dedicado a Lego.

Ainda que tivesse um tamanho considerável, esta zona foi a que, simultaneamente, me desiludiu e superou as expectativas. Comparando com a Eurocon Barcelona, e dada a quantidade de pessoas na Worldcon, esperava que a zona de comércio fosse maior e com mais oportunidades de compra.

A capacidade de organização

Eis uma componente que merece ser destacada. Sei que existiram várias queixas (quer relativas a festas com lotação máxima, quer relativas ao streaming dos prémios) mas, mesmo assim, foi uma questão essencial para que tudo corresse dentro do previsto.

Por razões de segurança, a assistência não podia ser maior do que a lotação da sala. De forma a garantir tal limitação, existia sempre, para cada sala, alguém responsável por garantir que as pessoas com falta de mobilidade entravam primeiro (existiam sempre lugares reservados) e que só entravam pessoas até serem preenchidos todos os lugares.

Tendo participado em duas palestras, assisti ao outro lado da organização. Para além de existir troca de pareceres algumas semanas antes do evento, na chegada era distribuído um envelope a cada participante. Este envelope continha um horário personalizado que indicava onde e quando teria de estar, bem como as regras de etiqueta a garantir durante as palestras. Era esperado que, meia hora antes da palestra, os participantes se reunissem numa zona reservada para trocar impressões e criar empatia.

Assim que entrávamos na sala já existiam etiquetas com os nossos nomes e um técnico de som. Para cada sala existia uma fila organizada que só prosseguia para a sala quando os “sinaleiros” assim o indicassem. No final, alguém alertava para os últimos cinco minutos. Assim se garantia que a palestra terminava a horas e que todas as pessoas saíam antes de poder deixar entrar para a seguinte.

Ninguém se aguenta sem comida

Existiam diversos pontos disponíveis por todo o edifício. O preço não era excessivo, mas também não era propriamente barato. Sim, eram muitas pessoas. Mas dada a quantidade de locais disponíveis, as filas para comer oscilavam entre 4 e 5 pessoas nos locais a que fomos.

Livros gratuitos

Alguns dos livros gratuitos disponíveis.

Não apanhei os dos primeiros dias, mas mesmo assim, eram vários. Podiam ser recolhidos numa zona própria (assim como pin’s e outros materiais publicitários de fandom, editoras e escritores) ou mesmo na zona de comércio.

Para além disto

Entre o cansaço, as palestras em que participei e alguns contratempos, não foi possível assistir aos espectáculos. Existiam actividades com desenhadores de jogos de tabuleiro, concertos, peças de teatro, bailes de máscaras, leituras e workshops. Ainda assim, descansámos os pés na sala de jogos de tabuleiro (no meu entendimento pequena para este evento mas com uma boa selecção de jogos).

Conclusão

Ir à Worldcon é ir na mesma escada rolante que o George R. R. Martin, cruzarmo-nos com Scott Lynch no corredor e trocar umas frases com Charles Stross ou Steve Jackson. É vermos dezenas de escritores de que gostamos, ao vivo e a cores, num só local. É percebermos que Joe Abercrombie tem um sentido de humor peculiar e que a fabulosa Jo Walton tem um discurso altamente inteligente. É falarmos com os editores de algumas das mais conhecidas editoras dos géneros da ficção especulativa, descobrirmos livros assinados nas bancas e ainda trazermos uns quantos gratuitos de autores que conhecemos. Nos intervalos de tudo isto descobrem-se outros fãs, exploram-se recantos e descansam-se as costas do peso dos livros.

Worldcon Dublin

Estarei aqui nos próximos dias, entre palestras, pedidos de autógrafos e muito mais. Por esse motivo (e por causa das férias) o blogue terá um período de pausa. Aproveito também para informar as palestras das quais farei parte:

The Politics of Horror – Domingo, dia 18 de Agosto, 12:00-12:30

Participantes: F. Brett Cox, Rosanne Rabinowitz, Charles Stross, eu.

Is horror political? Should it be? How do the metaphors of horror map onto social and political concerns? What creators are using horror to engage with the contemporary political climate right now?

Games for Science – Segunda, dia 19 de Agosto, 11:00 -12:50

Participantes: Tom Lehmann, Steve Jackson, Bob, eu.

STEM-inspired games have been growing and getting more popular in recent years, with Pandemic as one of the most well-known examples. Board and video games now cover biology, evolution, and terraforming Mars. We’ll look at the use of science in games and how it can encourage interest in science and engineering game designers and players discuss this trend.

 

 

 

The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction

Se bem repararam, o Rascunhos tem estado mais silencioso nestas últimas semanas. Tal redução de publicações deve-se ao surgir de um novo projecto que estou a coordenar conjuntamente com o Carlos Silva – o The Portuguese Portal of Fantasy and Science Fiction.

Ainda que apenas tenha sido lançado no passado Sábado, dia 11, é um projecto que fervilha desde que a sua necessidade se tornou evidente na Eurocon de Barcelona, há alguns anitos. É que, após apresentarmos vários livros, autores e iniciativas portuguesas, não tinhamos nenhum portal que pudesse dar continuidade ao interesse que se gerava pelo que é feito em Portugal.

É neste seguimento que surge, então, o portal – um esforço conjunto de mais de 20 pessoas que inclui associações e vários bloggers para divulgar tudo o que ocorre a nível nacional em várias vertentes – literatura, jogos de tabuleiro, banda desenhada, videojogos, rgp, cinema, música, teatro. E em língua inglesa para podermos dar maior visibilidade internacional!

O arranque de dia 11 trouxe artigos sobre videojogos, jogos de tabuleiro, livros (claro) e banda desenhada – mas já estão programados artigos sobre cinema, teatro, eventos e muito mais. Estamos abertos a contribuições, sugestões, ideias e muito mais – basta contactarem-nos pelo formulário que se encontra na página.

Assim foi: Contacto 2019

O Contacto, organizado pela Imaginauta, começou em 2018 no Palácio Baldaya em Benfica. Dedicado à ficção científica e fantástico, é um evento que se destaca por ter, para além de palestras e um espaço dedicado à literatura, muitas outras actividades apropriadas para todas as idades – lutas de sabres de luz, aulas de magia influenciadas pelo mundo do Harry Potter, exposições, jogos de tabuleiro, steampunk e muito mais.

Lançamentos

A minha perspectiva do evento é mais literária, destacando os eventos de lançamento que foram decorrendo. O primeiro a que assisti foi o lançamento do novo livro em português de Bruno Martins Soares, As Crónicas de Byllard Iddo – um lançamento em que o autor falou do livro e do interesse nos mundos que cria.

Já no Sábado, ainda presenciar um pouco do lançamento do livro de Nuno Duarte, O outro lado de Z, onde o autor Nuno Duarte falou do mundo fantástico de este livro e de outros. Seguiu-se o lançamento da antologia Winepunk onde participei (no lançamento, não na antologia). A antologia destaca-se por ser uma realidade alternativa que tem por base a história de Portugal, mais propriamente o Reino do Norte que, no meio das convulsões, surgiu no Norte de Portugal mas que apenas durou 3 semanas. E se tivesse durado 3 anos? Após ter iniciado o lançamento, o Rogério Ribeiro falou um pouco da forma como geraram a base antes de enviarem o desafio aos autores, Pedro Cipriano falou da produção que se seguiu por parte da editora, e os dois autores presentes (João Barreiros e João Ventura) falaram do seu processo criativo neste mundo fictício.

O último lançamento a que pude assistir foi o lançamento de Amadis de Gaula por Nuno Júdice, em que o autor falou da incerteza da autoria do livro, da forma como influenciou e é referido em obras posteriores, mostrando um exemplar com vários séculos de existência.

Banda desenhada

Para além do lançamento de O outro lado de Z, o Contacto reservou espaço na agenda para que pudessemos conhecer um pouco melhor outros autores de banda desenhada, como Joana Afonso, Henrique Gandum, Fábio Veras e Luís Zhang (autores de Filhos do Rato).

Ainda, no Lagar (zona central do edifício) estiveram alguns artistas a projectar enquanto desenhavam: FIL e Miguel Santos (da Associação Tentáculo) bem como Diogo Mané.

Ponto de encontro

Este tipo de eventos fantásticos e de ficção científica costumam ser ponto de encontro entre autores e editores, levando à criação de vários projectos. Neste caso o evento ajudou nestes encontros, disponibilizando uma sala para estes pudessem decorrer de forma mais oficial. Destacam-se dois encontros, um para a geração de um portal português de ficção científica e fantástico e outro para o encontro de autores de ficção científica e fantástico onde vários autores trocaram experiências.

Outros detalhes

Durante o evento decorreu uma taberna medieval e uma feira do livro que apresentava bancas das mais conhecidas editoras de ficção científica e fantástico – desde a Saída de Emergência com a colecção Bang!, à Europa-América com a colecção de livros de bolso de ficção científica, passando pela Imaginauta e pela Editorial Divergência entre outras.

Para além das exposições encontrávamos salas temáticas: Steampunk, Harry Potter e Star Wars, mais voltadas para o público jovem; bem como uma pequena oferta de jogos de tabuleiro.

O Feminino no Fantástico

Antologia de contos de ficção científica e fantástico onde o corpo da mulher tem papel fundamental

Desde o passado Fórum Bang! (no qual participei, com a Inês Botelho, numa palestra sobre a mulher na ficção especulativa) que ando com vontade de espelhar alguns pensamentos na forma escrita. Sim, a representação da mulher tem-se alterado nos últimos anos. Porquê? Será a moda do politicamente correcto? Bem, mais do que uma moda, a minha percepção é que resulta da pressão do próprio público, farto do mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

Porque digo isto? Bem, dou-vos como exemplo bastante óbvio as nomeações para os prémios Hugo. Para quem não está a par, aqui há uns anos surgiu um grupo de escritores de ficção científica revoltado com o afastamento dos protagonistas ou escritores tradicionais, brancos hetero. Estavam a ser nomeados, e premiados, sucessivamente, autores diferentes deste padrão original.

 

 

 

 

 

 

 

Este grupo de autores, designado como Sad Puppies, não só fizeram campanha pela ficção científica de homens para homens (ocidentais e hetero, claro) como tentaram concentrar votos em obras específicas. O resultado? Conseguiram algumas nomeações mas não o prémio, existindo algumas categorias em que o resultado foi até “sem premiado”. Pelo meio ainda houve uma nomeação curiosa a Chuck Tingle, um autor de pornografia homossexual de ficção científica, que aproveitou para parodiar o destaque, numa obra curiosa.

 

 

 

 

 

 

 

Bem, julgo que a resposta do público a este movimento demonstra que a verdadeira pressão sobre a indústria literária não é tanto pelo politicamente correcto, mas pela vontade, do público, em ver diversidade nas personagens, e ler obras que representem pessoas e não os típicos estereotipos de heróis, há muito ultrapassados. Personagens que se parecem com pessoas, densas, variáveis e, sobretudo, representativas da realidade que nos rodeia. Representativas da diversidade.

 

 

 

 

 

 

 

Não estou a falar, portanto, só de uma representação diferente do feminino, mas, também, uma diferente representação do masculino. Trata-se de criar histórias mais equilibradas em termos de papéis – nem as personagens femininas têm de ser ridiculamente fortes e destemidas para poderem ser protagonistas, abdicando de sentimentos para poderem ser tomadas a serio; nem as personagens masculinas têm de ser a personificação da certeza e da autoridade, podendo ser apenas pessoas com as suas dúvidas, incertezas e sentimentos.

 

 

 

 

 

 

 

Claro, que na componente feminina, outras questões de levantam. O uso do corpo como elemento para apimentar uma história (neste detalhe já existem exemplos que usam o corpo feminino e masculino) ou o consentimento no uso desse corpo. Não é, totalmente de estranhar que as histórias tradicionais, como as da Disney, os contos de fadas (sobretudo as mais recentes versões Disney), de princesas indefesas e passivas, tenham de ser revistos. Habituámo-nos a aceitar, sem questionar, os papéis que são concedidos às mulheres.

 

 

 

 

 

 

 

Detalhando. Se pensarmos bem, que tipo de homem encontra uma mulher, morta ou inconsciente, no meio de uma floresta e a beija? Que papel tem a mulher na escolha do seu parceiro , se se pressupõe que o príncipe que a salva a possui – sem se conhecerem previamente, a princesa passa de cativeiro a cativeiro. Numa gaiola dourada, claro. Mas nem por isso menos questionável. Que tipo de mensagem passa uma história onde um príncipe não reconhece a mulher pela qual se apaixonou e a procura pela medida de um sapato?

 

 

 

 

 

 

 

Sim, estas histórias reflectem a época em que foram construídas. Mas pouca ou nada se tem feito para as adaptar à realidade que nos rodeia. Quantas características ditas femininas não resultarão das expectativas que nos rodeiam? E o mesmo se pode dizer dos rapazes que não podem expressar sensibilidade ou sentimentos sem serem gozados. As personagens têm de evoluir – e não só as femininas. Deixo-vos com esta provocação. E, espero, algo para pensar. E debater.

Evento: Fórum Fantástico

Começa amanhã, dia 12, um dos mais esperados eventos do ano em torno da ficção científica e fantasia, o Fórum Fantástico. O Fórum apresenta, como já nos habituou, um programa extenso e diverso, onde se discutem e apresentam projectos. Neste seguimento entrevistei o Rogério Ribeiro, um dos organizadores (conforme já tinha divulgado),  mas aproveito para realçar algumas componentes, cujo programa podem consultar na página oficial do evento:

Workshops de escrita – com Bruno Martins Soares e Pedro Cipriano ou com Chris Wooding (o convidado internacional deste ano);

Lançamento de livrosLisboa Oculta (Guia Turístico), Tudo isto existe de João Ventura, O Resto é paisagem, Apocryphys vol. 3 (banda desenhada);

Palestras com vários autores nacionais e internacionais – de banda desenhada, ficção científica e fantástico;

– Jogos de tabuleiro;

– Exposições – Nos 25 Anos de Filipe Seems; de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves; Jardim Secreto, de Bruno Caetano;

– Feira do fantástico.

Assim foi: Lisboacon 2018

Lisboacon é um evento anual que decorre em Lisboa que tem como objectivo promover e divulgar jogos de tabuleiro. Este evento é de entrada livre e dispõe de um extenso espaço onde qualquer pessoa pode conhecer gratuitamente uma série de jogos de tabuleiro. Adicionalmente, pode ainda comprar jogos a um preço mais acessível do que é usual em várias lojas. Este ano o Lisboacon decorreu no pavilhão desportivo da escola José Gomes Ferreira, com o apoio da Junta de Freguesia de Benfica.

Ao chegar ao pavilhão deparamo-nos com uma série de mesas onde aguardam os mais clássicos jogos de tabuleiro, construídos em madeira e num formato maior do que é usual. Depois de passarmos um piso dedicado a RPG’s, e o salão onde decorrem os torneios (na qual estava uma mesa representando o Sci-Fi Lx – evento que irá decorrer no fim de semana de 14 e 15 de Julho) chegámos à componente principal do evento onde existiam dezenas de mesas e dezenas de jogos à disposição.

Como o nosso intuito era experimentar e comprar jogos novos, dirigimo-nos primeiro à loja para escolher potenciais aquisições e, daí, decidirmos que jogos experimentar. Não demorámos muito. Eu tinha visto algumas críticas positivas ao Legends of Andor e o meu companheiro estava de olho no Five Tribes (para além do Scythe, mas esse era a aquisição certa para o dia).

Começámos com o Legends of Andor – e para tal solicitámos a ajuda de uma das pessoas da organização (que, de realçar, estavam sempre prontos para ajudar, entusiasmados e disponíveis).

Percebi, mesmo antes de começarmos a jogar, que o estilo não me interessava – apesar de gostar da componente cooperativa (já cá temos em casa Ilha Proibida, Pandemic, Hanabi, e Floresta Misteriosa) as aventuras são demasiado pré-definidas, as lutas são decididas pelo resultado dos dados e a progressão é feita com base num narrador.

Para quem gosta do género, é um jogo cujas regras vão sendo apresentadas com o desenrolar das etapas, tornando-o de rápida aprendizagem, visualmente apelativo, com uma temática de fantasia medieval / épica e de jogadas rápidas.

Já o jogo seguinte despertou grande interesse e até já foi jogado cá em casa entretanto. Five tribes é um jogo estratégico com alguma variação de jogo para jogo, dá para jogar ao final de um dia de trabalho (com dois jogadores demora um pouco mais de 1h) e possui uma mecânica de movimento semelhante ao Mancala (algo que nos foi dito um conhecido e que rapidamente comprovámos).

O jogo permite o desenvolvimento de diferentes estratégias que podem resultar em pontuações finais semelhantes – mas apenas aquando da contagem dos pontos no final é que temos a certeza da nossa vantagem. Trata-se de um jogo com dinâmica diferente quando jogado a dois ou a quatro jogadores, pois a dois jogadores cada um joga duas vezes no mesmo turno e ao licitar a ordem de jogada pode tentar coordenar as suas duas jogadas.

O jogo que experimentámos de seguida também se tornou uma aquisição. Century recordou-me Splendor, com a aquisição de pedras ao invés de moedas para comprar cartas com pontos mais elevados. Mas no caso de Century as pedras a que temos direito são definidas pelas cartas que vamos conseguindo ao longo do jogo (deck building / card trashing). Ainda não o jogámos a dois, mas a quatro é um jogo bastante interessante.

Aquando da aquisição percebemos que existem duas versões do jogo: uma mais clássica, que foi a que jogámos, com desenhos que aludem às caravanas de especiarias; e uma segunda, mais colorida de temática fantástica, com golems e pedras preciosas. Indecisa entre as duas versões, optei pela do Golem.

Dado gostar de jogos de estratégia escolhi, ainda, o Concordia para experimentar em casa – o jogo encontra-se no lugar 21 do top de jogos de estratégia e tem o Império Romano como tema.

Resultado: 4 novas aquisições num Sábado bem passado com amigos, destacando-se o bom ambiente do evento, a disponibilidade dos jogadores em interagir com os participantes e a quantidade de jogos para empréstimo!

Claro que um evento deste tamanho não passa sem pontos negativos. A entrada para o evento fazia-se na porta voltada para a estação de benfica, sendo que as coordenadas da escola nos dirigem para a porta oposta, que a pé se traduz numa longa rampa inclinada. As indicaçoes para a porta correcta surgiram demasiado em cima do evento e nem todos os participantes as viram. Faltou, também, um bar de apoio (existem algumas restaurantes e centros comerciais, mas para quem se deslocou a pé a distância era excessiva).

Este será, definitivamente, um evento a voltar nos próximos anos … se a carteira aguentar com o estrago!

 

Retrospectiva 2017 – O Rascunhos em Banda desenhada

Numa contagem desatenta percebo que ultrapassei o número de leituras de banda desenhada do ano passado, rondando quase as 200 leituras, algumas (poucas) em francês ou espanhol, mas sobretudo em inglês e português (este registo passou a ser feito no Goodreads). Considero que este foi um grande ano na publicação da banda desenhada em Portugal, com a colecção de Novela Gráfica publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público, a lançar grandes obras que, de outra forma, dificilmente veriam a luz da edição portuguesa, e editoras nacionais a lançarem-se, pela primeira vez, na publicação de banda desenhada.

Banda desenhada portuguesa

 

 

 

 

 

 

 

A melhor leitura – O problema de separar em categorias e ter uma só para a banda desenhada portuguesa é ter de comparar obras bastante diferentes em tom e tema. Eis, portanto, as duas melhores leituras do ano em banda desenhada portuguesa : O Elixir da Eterna Juventude de Fernando Dordio e Osvaldo Medina e Comer Beber de Filipe Melo e Juan Cavia. O primeiro destaca-se pelo tom leve com que integra as músicas de Sérgio Godinho numa aventura divertida e o segundo pela qualidade do desenho e pelos temas, mais sérios, abordados nas duas histórias que compõem o volume que, apesar de curtas, conseguem transmitir o peso dos acontecimentos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – De Rui Lacas, Ermida é uma história curta mas caricata que inspira um enorme simpatia graças à força das expressões e dos modos que as personagens apresentam. Por sua vez, Hanuram de Ricardo Venâncio é visualmente interessante, tanto pela qualidade do desenho como pela composição, centrando-se num guerreiro que ousou desafiar os deuses ao se proclamar invencível. Totalmente diferente dos anteriores, Ermal de Miguel Santos destaca-se pela criação de uma realidade pós-apocalíptica em que o ocidente foge para território africano, resultando em guerras onde as várias facções tentam explorar interesses diferentes. No final o principal defeito é tratar-se de uma história curta. Finalmente, em tom humorístico, Conversas com os putos de Álvaro apresenta vários episódios cómicos que decorreram enquanto dava explicações.

Banda desenhada de ficção científica

A melhor leitura – Valerian de Christin e Mézières – A série publicada pela Asa em parceria com o jornal Público trouxe um conjunto de aventuras com uma qualidade que não esperava. Referida, por diversas vezes, como tendo influenciado Star Wars (ou mais do que influenciado) possui uma grande diversidade de mundos e de espécies alienígenas que se tornam fascinantes pela coerência que possuem. A dupla de agentes, por sua vez, ora viagem no espaço, ora no tempo, e se, nas primeiras aventuras as histórias são simples e quase clichés, sente-se que, com o avançar dos volumes, a série melhora, utilizando as histórias anteriores como alicerces para as seguintes, e ganha uma dimensão avassaladora.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Pela primeira vez de que me recordo tenho de reclassificar o género de uma série. Autumnlands, que começou por parecer uma série fantástica com elementos extraordinários, assume-se, no segundo volume, como ficção científica, utilizando espécies alienígenas tecnologicamente avançadas para justificar a origem do que se pensava ser magia. Espero que o terceiro volume revele um pouco mais desta dualidade. Por sua vez, Surrogates apresenta um mundo sombrio onde se inventaram corpos artificiais para os quais as pessoas se projectam e com os quais saem à rua, protegendo-se assim de potenciais acidentes e problemas de discriminação (já que o corpo pode não ter qualquer semelhança física com o seu dono). As vantagens são, no entanto, submersas pelas desvantagens, numa sociedade cada vez mais superficial. Outra das grandes descobertas não é uma novidade em termos editoriais, mas trata-se de A feira dos imortais de Bilal, autor do qual apenas conhecia os álbuns mais modernos e só com estes percebi porque tanta gente os repudia.

Banda desenhada de horror

A melhor leitura – Harrow County de Cullen Bunn e Tyler Crook – Depois de um excelente primeiro volume, o segundo mantém o tom negro, e percebemos que a menina com capacidades de bruxa, ao contrário do estereotipo se preocupa com a correcta utilização dos seus poderes, por forma a que exista um equilíbrio de forças. Esta preocupação será exacerbada pela entrada de uma nova personagem, uma irmã gémea que terá os meus poderes mas que não os usa de igual forma.

Banda desenhada fantástica

A melhor leitura – Monstress de Marjorie Liu e Sana TakedaMonstress fascinou pelo aspecto exótico e pela mitologia densa num mundo semelhante ao nosso, com tecnologia semi-medieval, onde existem seres semelhantes aos humanos com características de animais. Estes seres são caçados pelos humanos a mando de feiticeiras que com eles pretendem realizar experiências. Enquanto os supostos monstros são emocionalmente mais humanos do que os humanos e os deuses se escondem, simultaneamente dependentes e poderosos, temos uma espécie inteligente de gatos que se dedica a registar e a passar, de geração em geração, a história deste complexo mundo;

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – A famosa série Sandman foi finalmente publicada em Portugal numa parceria entre a Levoir e o jornal Público. Ainda não li todos os volumes mas a série, melancólica, centra-se na figura eterna responsável pelos sonhos cruzando as histórias mitológicas de várias civilizações. O resultado é uma história abismal onde Neil Gaiman explora personagens e mitos de forma envolvente. O Rei Macaco, de Manara e Silverio Piso é uma obra visualmente impressionante, onde a figura divina de um macaco usa o seu carácter irrequieto como explorador e parte do paraíso com o intuito de se tornar imortal e assim poder usufruir eternamente do paraíso. Irónico? Bastante. São comuns os comentários políticos e religiosos, bem como as insinuações fálicas ou a observação do decadente comportamento humano. Finalmente, comecei a série East of West, uma série que cruza tecnologia e fantástico apresentando-nos a demanda dos cavaleiros do apocalipse. A Morte busca o filho que está a ser manipulado para provocar o fim da existência.

Banda desenhada histórica

A melhor leitura – Os trilhos do acaso de Paco Roca – Nesta obra publicada em dois volumes o autor explora a guerra civil espanhola numa perspectiva pouco habitual, seguindo um refugiado espanhol – um homem que se viu obrigado a deixar Espanha num barco e que mesmo assim foi sortudo, considerando que a maioria não foi capaz de embarcar. Este homem é, agora, um velhote que ninguém suspeita ter sido um herói de guerra, lutando na Segunda Guerra Mundial. O que é peculiar não é só a personagem, mas a forma como Paco Roca cria empatia e explora a história mais pelo lado humano do que pela terror da guerra.

Menções honrosas – Também Destino Adiado de Gibrat tem como palco a guerra mas, desta vez, centra-se num jovem que desertou e que, por sorte, foi dado como morto. A partir daqui consegue esconder-se na vila de origem, passando os dias sem poder ser visto, mas numa casa que lhe permite observar o quotidiano de todos.

Antologia

A melhor leituraSilêncio – Das várias antologias de contos de banda desenhada que li este ano a que mais me impressionou foi o segundo volume The Lisbon Studio com o título Silêncio. Neste volume reúne-se o trabalho de vários autores portugueses que pertencem ao mesmo estúdio e se organizaram para entregar histórias curtas centradas no mesmo tema. Este é o segundo volume da série em torno do estúdio, sendo que achei que o trabalho apresentado neste ainda conseguia ser de melhor qualidade do que no primeiro volume. Os temas são diversos bem como o estilo, entregando-se boas histórias curtas.

Menções honrosas – Flight Esta é, no mínimo, uma antologia de banda desenhada competente. Todas transmitem alguma narrativa, ainda que nalgumas se perceba que esse não é o foco (são poucas), e todas são visualmente agradáveis (no mínimo), bastantes com detalhes caricatos que transmitem simpatia ao leitor. Ainda que Flight não devesse ser um tema, mas apenas o título do volume, várias das histórias têm o voo como premissa.

Registo autobiográfico

 

A melhor leitura – Tempos Amargos de Étienne Schréder – O autor apresenta os seus piores momentos de degradação originados pelo vício do vinho. Sem conseguir terminar os estudos pretendidos, pai demasiado cedo e trabalhando numa prisão, Étienne Schréder afunda-se cada vez mais na bebedeira como possibilidade de fuga da vida que leva. Aqui expõe-se (mas tem cuidado em não expor os outros) e demonstra os anos de escuridão.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – Em Histórias do bairro o autor mostra a sua infância e, até, adolescência num bairro problemático de onde é difícil escapar. Cedo os habitantes se envolvem em actividades ilícitas que são tão comuns que quase são tomadas por normais. Mas é a capacidade de desenhar e de querer fazer algo com essa capacidade que lhe concede a porta de saída deste mundo. Em Os Ignorantes dois homens trocam paixões com o autor a mostrar a banda desenhada a um produtor de vinho, e o produtor de vinho a demonstrar as fases e segredos da sua profissão.

Outras

A melhor leitura – NonNonBa de Shigeru Mizuki – Um rapaz endiabrado mas de bom coração entrelaça o sobrenatural em todos os momentos da sua vida, fazendo com que criaturas diferentes sejam vistas como a causa para os eventos que os rodeiam. Este rapaz encontra-se no Japão rural, fazendo com que percepcionemos a pobreza deste ambiente, afastado das maravilhas da cidade. Para além deste retrato, que é um factor de peso para ter gostado tanto deste livro, outro elemento importante é o caricato das personagens que nos envolve e cativa, contrastando com os cenários detalhados, bem como a forma como transforma episódios quase banais em grandes aventuras sobrenaturais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas Daytripper foi uma excelente surpresa, explorando a vida como uma série de pequenas fugas a eventos terminais numa história inspiradora e envolvente. Já The Fade Out destacou-se pela temática, com a apresentação de um crime nos bastidores do cinema de Hollywood dos anos 40 num ambiente negro e decadente. Da mesma dupla criativa, Criminal segue a vida de uma série de pessoas que retornam, voluntaria ou involuntariamente a vida do crime. Southern Bastards retrata  o interior americano onde o equilíbrio de forças é controlado pelo maior criminoso local que mantém debaixo de olho até a polícia. Num tom totalmente diferente, Jardim de Inverno é um relato delicioso e expressivo que apresenta a existência cinzenta de um rapaz na cidade.

A Melhor leitura – Tony Chu de John Layman e Rob Guillory A série centra-se em poderes associados à comida e, partindo de Tony Chu, um agente enfezado que percepciona a vida de tudo aquilo que come, tem conseguido centrar-se noutras personagens e manter o interesse do leitor com elementos cada vez mais estranhos.

 

 

 

 

 

 

 

Menções honrosas – É impossível não falar de série de banda desenhada e deixar de fora Saga. Ainda que, nos últimos volumes, sinta que faltam elementos inovadores e que a narrativa está “apenas” a colocar as personagens no local que deseja para poder desenrolar um final, continua a ser uma série interessante e mirabolante, com elementos leves e trágicos, uma piada às séries de ficção científica e fantasia mais conhecidas. Finalmente, estou na leitura da série Fables que tem altos e baixos. Os últimos volumes (13 e 14) que li destacam-se visualmente, com belíssimas composições (que merecia uma melhor qualidade do papel em que é impresso, mas essa é a mesma discussão de sempre em relação à banda desenhada da Vertigo).

Outras retrospectivas

Novidade e Evento: Silêncio – TLS Vol. 2

Depois do sucesso do primeiro volume, eis o segundo número de TLS Series, uma série de antologias de banda desenhada dos membros correntes do The Lisbon Studio. O tema do segundo número é Silêncio e as histórias são de diferentes autores:  Darsy Fernandes, Bárbara Lopes, Nuno Rodrigues, Filipe Duarte Pina, Marta Teives, Pedro Vieira de Moura, Paula Bivar de Sousa, Pedro Ribeiro Ferreira, Jorge Coelho, André Oliveira e Ricardo Cabral.

Depois da apresentação, que decorreu no Amadora BD, existirá novo evento de lançamento, agora no Museu Bordalo Pinheiro no dia 06 de Dezembro pelas 18h30. Deixo-vos mais detalhes sobre o evento, sinopse e páginas de Silêncio.

Nota adicional: será oferecido um print inédito, da autoria de Jorge Coelho, assinada pelo autor, a todas as pessoas que comprarem o livro, e será uma boa oportunidade de voltar a apanhar um grande número de membros do the Lisbon Studio reunidos.

São todas as bandas desenhadas silenciosas? Que sons e músicas escutas, quando viras as páginas? Que timbres tem o silêncio no mundo? Quando calar revela mais que dizer?

“No princípio não era o verbo… …A grande e inabalável ausência de ruído, podemos supôr, é a total ausência de percepção, o desmanchar da máquina dos sentidos, a morte. Assim, onde o silêncio está, nós não estamos… …Para nós, aqui na Terra, há o silêncio do medo e o silêncio da paz. Para cada um, o silêncio da sua sorte.”

– do prefácio de JP Simões

 

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (7)

237 – One Punch Man Vol.2 – One e Yusuke Murata – O segundo volume pareceu-me menos estruturado em história apresentando o nosso herói no seu usual papel de intervenção minimalista mas eficaz. Enfrentam-se clones que pretendem dominar o mundo e uma seita de carecas com a qual o herói tem receio de ser confundido. Entretanto, o seu ajudante segue a rotina que o poderá levar a adquirir os mesmos poderes.

238 – Ermal – Miguel Santos – A história decorre numa realidade pós-apocalíptica que deixou a Europa inviável à sobrevivência humana. Os europeus recorrem assim às colónias africanas, sendo mais uma força a lutar pelo território, entre tantas outras – algumas que pretendem a evolução da sua civilização;

239 – Tungsténio – Marcello Quintanilha – A realidade dos subúrbios brasileiros é dura e é necessário criar uma série de estratégias de sobrevivência para se poder esquivar a grandes criminosos e polícias corruptos;

240 – Os Vingadores Vol.6 – Continua a guerra entre os super-heróis com origem na capacidade de prever o futuro – quão certas serão estas previsões para que se possa agir em relação a elas é a causa da divergência;

241 – Nova ordem – Fernando Dordio, Osvaldo Medina e Mário Freitas – A nova aventura do Inspector Francos traz-nos uma personagem implacável, capaz de fazer confessar o mais duro dos vilões. Depois de um grande atentado em Portugal, um grupo terrorista resolve raptar agentes de polícia como forma de chantagem;

242 – Os três estigmas de Palmer Eldritch – Philip K. Dick – Philip K. Dick no seu melhor, apresentando uma história onde a realidade se mistura com o efeito das drogas de tal forma que acompanhamos sonhos dentro de sonhos e os episódios que foram sonhados têm um grande efeito na realidade. Joga-se, também, com a capacidade de perspectivar o futuro e de agir em relação a estas perspectivas.

Resumo de leituras – Novembro de 2017 (2)

207 – Valerian Vol.9 – Christin, Mézières -Sem o mundo que lhes deu origem, Valerian e Laureline vão-se envolvendo nos conflitos a que assistem, vivendo pequenas e movimentadas aventuras. É nestas que irão conhecer alguns dos elementos que lhes permitirão fazer uma revolução em volumes mais avançados da história;

208 / 209 – Homem-aranha vol.3 / 4 – Slott, Camuncoli, Buffagni, Bendis e Pichieli – Enquanto o homem-aranha original explora novas geografias mas luta contra vilões já muito conhecidos, Miles Morales, o novo homem-aranha debate-se com as suas responsabilidades quotidianas, enquanto jovem estudante, e tenta justificar, à família, a quebra nas notas;

210 – Apocryphus – Vol.2 – vários autores – Graficamente melhor do que o primeiro volume (se tal era possível), este segundo denota, também, uma melhoria a nível narrativo, explorando a temática Crime;

211 – Vingadores secretos – Vol.35 Coleção oficial de Graphic Novels Marvel – Visualmente este volume é esplendoroso. Explora um conjunto de super-heróis que age de forma mais subtil, realizando pequenas missões secretas com o objectivo de salvar o mundo;

212 – Thor o último Viking – Vol. 33 Coleção oficial de Graphic Novels Marvel – Volume com trechos mais antigos que explicam o surgir de Thor, bem como os anos que passou entre os mortais sem reconhecer os seus poderes. Como mortal procura uma identidade banal que lhe possibilite sobreviver, mas o aparecimento de monstros que procuram eliminá-lo dificulta a sua existência em anonimato.

Resumo de leituras – Outubro de 2017 (8)

183 – Kingsman – Serviço secreto – Mark Millar, Dave Gibbons e Matthew Vaughn – Nem todos os agentes secretos têm uma origem aristocrática. A história apresenta um jovem numa existência problemática, um bairro carregado de vícios e vazio de possibilidades que dita o destino criminoso de quase todos os que nele habitam. Felizmente para este jovem o tio é um grande agente secreto que tentará levar o sobrinho a seguir-lhe as pisadas por um caminho demasiado árduo;

184 – Tony Chu Vol.7 – John Layman e Rob Guillory – O sétimo volume mostra um Chu mais determinado e focado, enquanto os casos exploram as possibilidades dos vários poderes envolvendo comida. Menos centrado em Chu, é um volume nojentamente divertido carregado de peripécias mirabolantes;

185 – Strange Fruit – J.G. Jones e Mark Waid – Uma história que aproveita um período marcante da história americana em que a população afro-americana, apesar de livre, continua a ser vista como propriedade, trabalhadores inferiores que podem ser comandados e dispostos como gado. O período das cheias intensificou as tensões existentes, mas neste volume cria-se um herói que vira a calamidade eminente;

186 – As Bruxas – Stacy Schiff – Uma reconstrução interessante em torno dos acontecimentos que envolveram Salem e o surgir de um sem fim de bruxas no meio de uma comunidade que seria tão religiosa. Tédio, falta de atenção, possibilidade de não trabalhar – as acusações partem de um pequeno grupo de raparigas que se dizem embruxadas e que vão acusando vários elementos da comunidade. Começam com os alvos fáceis e vão aumentando de importância as suas vítimas;

187 – Tio Patinhas 2 – O segundo volume de Tio Patinhas possui uma série de aventuras, diversas, carregando fortes componentes de ciência e mistério, mas nem sempre centradas na personagem que dá nome ao volume;

188 – Um gladiador só morre uma vez – Steven Saylor – Há mais de uma década li todos os livros publicados, em português, da série Sub-Rosa. Com este volume volto à mesma Roma, com uma série de pequenos mistérios, alguns de fácil solução, em que Gordiano se apresenta não só como o Descobridor, mas como um homem responsável e dedicado à família.

Resumo de leituras – Outubro de 2017 (7)

177 – Os vingadores – Vol.3 – Ataque a Pleasant Hill – Contra todas as ordens e todos os acordos encontra-se em vigor um plano para manter os vilões com super-poderes presos – uma limpeza de memória que os coloca numa vila perfeita e onde levam uma vida quase perfeita. Não fosse terem alguns restos da sua anterior personalidade que faz com que alguns se libertem e iniciem um plano de revolta;

178 – Stevenson, le pirate intériour – Follet / Rodolphe – Um livro que espelha a vida do autor mostrando que, desde criança, sucumbia a frequentes febres e doenças, o que o levava a imaginar aventuras de piratas. Enquanto adulto dedica-se à escrita e torna-se um autor bem sucedido;

179 – Tio Patinhas vol. 1 – O primeiro volume possui histórias engraçadas, algumas das quais pouco centradas no Patinhas;

180 – Rowans Run – Mike Carey, Mike Perkins e Andy Troy – Uma jovem decide ter umas férias diferentes, trocando o seu minúsculo apartamento por uma casa inglesa, carregada de história. Entre sombras e aparições a jovem apercebe-se que a casa tem muito mais história do que seria de supor e começa a investigar o que ocorre;

181 – Harrow county Vol.2 – Cullen Bunn e Tyler Crook – O segundo volume volta ao ambiente rural onde os monstros são possíveis, acrescentando uma irmã gémea que terá crescido na cidade. Estas mudanças terão impacto na forma como são geridos os monstros e contra todas as probabilidades, estes mostram-se mais correctos que alguns humanos;

182 – Hanuram, o Dourado – Ricardo Venâncio – Visualmente interessante, centra-se num homem que ousou comparar-se aos deuses. Claro que a vingança por tal ousadia não se faz esperar e, episódio atrás de episódio, luta contra monstros improváveis.

Resumo de leituras – Outubro de 2017 (6)

173 – The Overneath – Peter Beagle – Livro de contos de um mestre! Com algumas histórias excelentes e outras menos envolventes, não há que negar a capacidade de escrita do autor. Mesmo quando os contos são menos interessantes revelam-se bem construídos e coesos;

174 – Histórias de um rapaz mau – Thomas Bailey Aldrich – A infância e a adolescência do autor enquanto rapaz endiabrado e dado para as partidas e aventuras sem medir as consequências;

175 / 176 – Os trilhos do acaso – parte 1 e 2 – Paco Roca – Incidindo sobre os refugiados da Guerra Civil Espanhola, Os trilhos do acaso é um relato muito humano em torno de um refugiado que se tornou soldado e que acabou entre os franceses a guerrear contra Hitler. Actualmente é um velhote, um herói anónimo do qual ninguém sabe a história.

Assim foi: Fórum Fantástico – as escolhas do ano

 

A minha selecção era um pouco mais alargada, abrangendo obras portuguesas como Lovesenda, Anjos e As nuvens de Hamburgo. Havendo sobreposição com escolhas de outras pessoas (e sabendo que iriam ser muito bem tratadas) retirei da minha secção.

Eis ligações para opiniões mais detalhadas dos livros escolhidos. Infelizmente o João Barreiros não tem blogue próprio (apesar de ter começado a transcrever algumas opiniões para um blogue próprio que deixei de ter tempo de manter).

 

Assim foi: Fórum Fantástico 2017

As diferenças

O Fórum Fantástico cresceu, este ano, de forma bastante positiva! Por um lado notou-se a forte aposta em workshops, o que possibilitou integrar camadas mais jovens e manter um programa mais dinâmico. A par com a usual (e fantástica) impressão a 3D organizada pelo Artur Coelho, houve espaço para desenvolver a imaginação dos mais pequenos, construir Zepellins e armaduras, ou para aprender um pouco mais de ilustração com Ricardo Venâncio.

Por outro, é de realçar a maior ocupação do espaço da Biblioteca Orlando Ribeiro que deu nova vida ao espaço – era impossível não reparar na tenda que ocupava parte do pátio com uma pequena feira do livro, onde se viam exemplares de livros de ficção científica e fantasia, sem faltarem os da autoria de Mike Carey, o escritor convidado deste ano. Nesta pequena feira do livro exterior encontravam-se a Leituria e a Dr. Kartoon.

Mas não foi só com a feira do livro que houve uma maior ocupação do espaço. O bom tempo permitiu a existência de bancas de produtos diversos, com especial destaque para o Steampunk (ou não estivesse a decorrer a EuroSteamCon integrada no Fórum Fantástico), bem como de mesas e cadeiras no exterior que permitiram usufruir do bom tempo. O terraço, bem como outras salas da biblioteca foram ocupadas, permitindo a apresentação de jogos de tabuleiro (com participação da Morapiaf) e a exibição de pranchas de Ricardo Venâncio.

E as diferenças não acabaram por aqui – a existência de um bar aberto durante todo o evento facilitou a permanência no Fórum Fantástico pois em anos anteriores era usual ter-se de deixar o recinto para comer alguma coisa. O menu, fantástico, possuía várias alusões ao evento e a comida fornecida era de boa qualidade (pela Cacaoati).

Mike e Linda Carey

Mike Carey produziu mais de 200 comics, vários livros e guiões para cinema. Com a adaptação para cinema de The Girl with all the gifts tem-se tornado cada vez mais requisitado. Por sua vez, Linda Carey escreveu também alguns livros (alguns sob pseudónimo). O destaque para a imensa obra, principalmente a de Mike Carey, serve para contrastar com o espírito que ambos demonstraram, sem prepotências ou projecções de importância, atenciosos e simpáticos durante todo o evento.

Na sexta-feira Mike Carey, conjuntamente com Filipe Melo e José Hartvig de Freitas, falou da larga experiência na produção de comics, da forma como trabalha com diversos desenhadores e da sua própria evolução e adaptação. Destacou-se a produção da série Unwritten, ideia que surgiu em cooperação com Peter Gross, com o qual já se habituou a desenhar. Foi uma palestra interessante e bem disposta.

No Sábado decorreu a conversa com ambos, Mike e Linda Carey, moderada por Rogério Ribeiro, mais voltada para os restantes livros (fora do formato da banda desenhada) onde se falou intensivamente do The Girl with all the gifts, que foi escrito em simultâneo com a adaptação, para cinema, da mesma história. Ambos os autores demonstraram uma queda para pequenos elementos subversivos nas suas histórias.

As restantes palestras de sexta

E com esta nomenclatura não pretendia referir menor prestígio das restantes palestras, mas sim destacar as que envolveram o autor convidado.

15:30 – Sessão Oficial de Abertura do Fórum Fantástico 2017

O Fórum iniciou-se na sexta (para mim, que não pude ir aos worksops) com uma sessão de apresentação de João Morales e Rogério Ribeiro onde expuseram algumas das diferenças deste ano e destacaram algumas sessões e workshops.

16:00 – Sessão “A Ficção Científica: Espelho de ansiedades políticas e pessoais”, com Jorge Martins Rosa, Maria do Rosário Monteiro, Daniel Cardoso e Aline Ferreira

Nesta sessão referiram-se várias obras e respectivas projecções das ansiedades sociais, não só em relação à evolução tecnológica e respectiva perda dos papéis tradicionais (com especial referência à mulher grávida e aos úteros artificiais), como a novos modelos sociais.

16:45 – Sessão “O lugar do Fantástico na Arte Contemporânea”, com Carlos Vidal, Henrique Costa e Opiarte – Núcleo de Ilustração e BD da FBAUL

A sessão apresentou a Opiarte enquanto espaço que permite, a alguns artistas, explorarem a vertente fantástica e de ficção científica nos seus trabalhos, espaço que visou responder a uma necessidade sentida pelos alunos da faculdade. Durante a sessão mostraram-se trabalhos produzidos neste núcleo, alguns dos quais se destacam pela qualidade.

17:45 – Sessão “Narrativa em Videojogos”, com Nelson Zagalo, Ricardo Correia e João Campos

(Cheguei no final)

As restantes palestras de sábado

14:30 – Sessão “Identidades autorais”, com Ana Luz, Joel Gomes e Pedro Cipriano

Os autores aproveitaram o espaço para falar sobre o seu percurso enquanto escritores, desde influências a desenvolvimento de método (destacando-se a referência de Ana Luz ao conto O Teste de João Barreiros), mostrando os livros em que já participaram, bem como os projectos futuros em que se encontram envolvidos.

16:00 – Lançamento “Almanaque Steampunk” (Editorial Divergência)

Cada EuroSteamCon costuma ser acompanhada pela publicação de um Almanaque Steampunk. O deste ano foi produzido em tempo recordo com a colaboração da Editorial Divergência. Ainda não tive oportunidade de ler, mas a publicação é curiosa, bastante atractiva visualmente, com conteúdos diversos e que promete bastante diversão para o leitor.

17:45 – Sessão “Prémio Adamastor”, com João Barreiros e Luís Filipe Silva

O prémio Adamastor este ano foi atribuído a João Barreiros e Luís Filipe Silva, dois dos poucos autores de ficção científica portuguesa que se têm destacado na divulgação do género dentro e fora do país. De realçar as várias antologias que João Barreiros organizou recentemente, bem como as colecções que organizou enquanto editor. Por seu lado, Luís Filipe Silva tem participado em diversas Con’s onde fala da ficção especulativa portuguesa, divulgando o que se fez em Portugal há várias décadas e o que se continua fazendo.

18:00 – Sessão “Dormir com Lisboa”, com Fausta Cardoso Pereira

Premiado e publicado na Galiza pela Urco Editora, Dormir com Lisboa é um romance de ficção especulativa que decorre na capital portuguesa, partindo da premissa de desaparecimento injustificável de várias pessoas. A passagem lida por João Morales denota um humor peculiar, com caricaturas de personagens e situações insólitas.

18:30 – Lançamento “Apocryphus #2”, com Miguel Jorge

Este projecto de banda desenhada português apresentou, no primeiro volume, uma qualidade gráfica excepcional, com elevado cuidado no tipo de papel utilizado e uma selecção cuidada de autores. À semelhança do primeiro volume, também o segundo foi publicado no Fórum, com a presença de tantos autores que por pouco transbordavam do palco.

Restantes palestras de Domingo

Infelizmente, Domingo apenas pude assistir à palestra do João Morales, Novas Metamorfoses Musicais, para além de participar em As Escolhas do ano com João Barreiros e Artur Coelho (sobre a qual dedicarei uma entrada específica para publicar as escolhas de cada um, como é usual).

A sessão de João Morales demonstrou o usual bom humor, com óptimas escolhas musicais onde se cruzam estilos e épocas, novas conjugações de musicas conhecidas em que destaco as seguintes:

(Venus in Furs: Versão portuguesa em Uma Outra História)

No final, há a destacar que o Fórum Fantástico é um evento TOTALMENTE gratuito, onde, todos os anos, várias pessoas se organizam para proporcionar, ao público, três dias de extrema diversão geek!