
Já passaram alguns meses mas não estava esquecido (pelo menos, não totalmente, parte já estava escrito, mas não publicado). A sessão de Julho foi marcada pela presença de Cristina Carvalho e Tiago Patrício, que nos trouxeram uma interessante lista de livros afastados das mentes dos leitores – alguns dos títulos, ainda que muito falados, nem por isso serão muito lidos.


Ainda que não seja um autor esquecido, Cristina Carvalho recorda Truman Capote por ser essencialmente conhecido pelo livro (adaptado para cinema) A Sangue Frio. Publicado recentemente pela Sextante, Súplicas atendidas é uma crítica mordaz, terrível à alta sociedade americana na qual o autor se movia. Críticos, actores e escritores – o autor destrói totalmente a imagem de algumas personalidades expondo uma perspectiva informada. Por sua vez, em The Dogs Bark o autor apresenta uma série de entrevistas que fez a várias personalidades.

A primeira escolha de Tiago Patrício é Werther de Goethe, uma obra que terá reminiscências da adolescência do próprio autor e que será considerado o primeiro romance moderno. Apresentando uma história pessoal de paixão pela mulher do melhor amigo, bem como a história de uma paixão pela filha do patrão, interliga os dois amores impossíveis. O livro é proibido e queimado em praça pública por ofensas à moral. A obra terá sido escrita por Goethe como forma de catarse para não se matar a si próprio depois de um desgosto amoroso, mas acaba por provocar o efeito Werther, julgando-se interligado ao aumento da taxa de suicídio nos dez anos seguintes à sua publicação.

A segunda escolha de Cristina Carvalho é Bolor de Augusto Abelaira, um romance muito datado, neorealista apresenta o espaço lisboeta dos anos 60 como cinzento, retrógrado e inculto.

Ganhando vontade de escrever depois de ler Bonjour tristesse, Tiago Patrício depara-se com Aparição, um livro esmagador que dificilmente poderia ter sido escrito por um jovem. A própria personalidade do autor, extrovertido, misógino e afastado, é transmitida para o ambiente ficcional. De particular impacto terá sido a questão de dar e tirar a vida, questão explorada no episódio em que o rapaz mata uma galinha e se sente com poder semelhante ao de um criador.


Cristina Carvalho aproveita para recordar a própria mãe, Natália Nunes com Horas Vivas e Assembleia de Mulheres. Abafada pela figura do pai, mas com uma vasta produção cultural, terá produzido, por exemplo, Horas vivas, uma narrativa poética de carácter intemporal e universal.

A próxima recordação é de Tiago Patrício com À espera no centeio. Quando um adolescente é expulso do colégio, entre a expulsão e o início das férias passam três dias que, sem os pais saberem, decide ocupar indo para Nova Iorque. De linguagem coloquial, apresenta o horror ao crescimento por um adolescente que se prefere fingir surdo mudo e trabalhar numa bomba de gasolina, a ir trabalhar para o interior, no rancho dos pais.


Cristina Carvalho refere Selma Lagerlof, dando especial destaque a A maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Escrito a convite para mostrar historicamente o território, acompanha um rapazinho reduzido que se faz amigo de um ganso no qual monta e viaja.

A última escolha de Tiago Patrício é Contos do Mal Errante de Maria Gabriela Llansol, que reflectem a vida da própria autora quando se muda para a Bélgica com vista à fuga do serviço militar pelo marido. Os contos reflectem as leituras que faz e a dureza da vida que leva, numa espécie de diário.
Para mais detalhes sobre esta sessão, podem consultar a página oficial do evento.
