Assim foi: Recordar os Esquecidos – Julho de 2016

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Já passaram alguns meses mas não estava esquecido (pelo menos, não totalmente, parte já estava escrito, mas não publicado). A sessão de Julho foi marcada pela presença de Cristina Carvalho e Tiago Patrício, que nos trouxeram uma interessante lista de livros afastados das mentes dos leitores – alguns dos títulos, ainda que muito falados, nem por isso serão muito lidos.

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Ainda que não seja um autor esquecido, Cristina Carvalho recorda Truman Capote por ser essencialmente conhecido pelo livro (adaptado para cinema) A Sangue Frio. Publicado recentemente pela Sextante, Súplicas atendidas é uma crítica mordaz, terrível à alta sociedade americana na qual o autor se movia. Críticos, actores e escritores – o autor destrói totalmente a imagem de algumas personalidades expondo uma perspectiva informada. Por sua vez, em The Dogs Bark o autor apresenta uma série de entrevistas que fez a várias personalidades.

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A primeira escolha de Tiago Patrício é Werther de Goethe, uma obra que terá reminiscências da adolescência do próprio autor e que será considerado o primeiro romance moderno. Apresentando uma história pessoal de paixão pela mulher do melhor amigo, bem como a história de uma paixão pela filha do patrão, interliga os dois amores impossíveis. O livro é proibido e queimado em praça pública por ofensas à moral. A obra terá sido escrita por Goethe como forma de catarse para não se matar a si próprio depois de um desgosto amoroso, mas acaba por provocar o efeito Werther, julgando-se interligado ao aumento da taxa de suicídio nos dez anos seguintes à sua publicação.

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A segunda escolha de Cristina Carvalho é Bolor de Augusto Abelaira, um romance muito datado, neorealista apresenta o espaço lisboeta dos anos 60 como cinzento, retrógrado e inculto.

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Ganhando vontade de escrever depois de ler Bonjour tristesse, Tiago Patrício depara-se com Aparição, um livro esmagador que dificilmente poderia ter sido escrito por um jovem. A própria personalidade do autor, extrovertido, misógino e afastado, é transmitida para o ambiente ficcional. De particular impacto terá sido a questão de dar e tirar a vida, questão explorada no episódio em que o rapaz mata uma galinha e se sente com poder semelhante ao de um criador.

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Cristina Carvalho aproveita para recordar a própria mãe, Natália Nunes com Horas Vivas e Assembleia de Mulheres. Abafada pela figura do pai, mas com uma vasta produção cultural, terá produzido, por exemplo, Horas vivas, uma narrativa poética de carácter intemporal e universal.

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A próxima recordação é de Tiago Patrício com À espera no centeio. Quando um adolescente é expulso do colégio, entre a expulsão e o início das férias passam três dias que, sem os pais saberem, decide ocupar indo para Nova Iorque. De linguagem coloquial, apresenta o horror ao crescimento por um adolescente que se prefere fingir surdo mudo e trabalhar numa bomba de gasolina, a ir trabalhar para o interior, no rancho dos pais.

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Cristina Carvalho refere Selma Lagerlof, dando especial destaque a A maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Escrito a convite para mostrar historicamente o território, acompanha um rapazinho reduzido que se faz amigo de um ganso no qual monta e viaja.

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A última escolha de Tiago Patrício é Contos do Mal Errante de Maria Gabriela Llansol, que reflectem a vida da própria autora quando se muda para a Bélgica com vista à fuga do serviço militar pelo marido. Os contos reflectem as leituras que faz e a dureza da vida que leva, numa espécie de diário.

Para mais detalhes sobre esta sessão, podem consultar a página oficial do evento.

 

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