Uma magia mais escura – V. E. Schwab

São raros os livros juvenis não condescendentes – de repente lembro-me apenas de a trilogia dos Mundos Paralelos (His Dark Materials) de Philip Pullman, mas este é mais um deles. Uma magia mais escura é uma aventura que pode ser caracterizada como juvenil – com personagens jovens, uma permissa facilmente perceptível e alguns detalhes que são percepcionados pela narrativa (mas também explicados no decorrer de conversas entre as personagens). Não é condescendente porque não se afasta de alguns detalhes mais pesados que lhe conferem alguma credibilidade (como um amigo realçou numa conversa, tortura, e relações abusivas) e possui acontecimentos importantes que têm de ser inferidos porque não são entregues de bandeja.

Kell é um dos poucos de uma linhagem de mágicos que resta nas várias realidades paralelas. Em todas existe Londres, mas cada cidade de Londres de cada realidade reflecte o mundo onde existe. Na Londres em que Kell cresceu, a Londres vermelha, o ar está impregnado de um aroma adocicado a flores e a magia é usada de forma controlada e responsável. Por sua vez, na Londres cinzenta (semelhante à nossa) a realidade é quase desprovida de magia, na Londres branca a magia é cobiçada e uma forma de exercer poder – outrora existiu a Londres Negra onde o exercício da magia se descontrolou, levando ao isolamento dos mundos e ao medo da forma como usar a magia.

A magia é, em Uma magia mais escura, um género de entidade, uma força com intuitos próprios que pode controlar e corromper quem a utiliza se o seu uso for desmedido. Kell é dos poucos, dada a sua linhagem (simultaneamente bendita pelas capacidades e maldita pela queda da Londres Negra) que consegue viajar entre os mundos e é usado pela família real como correspondente entre as várias realidades. A par com esta tarefa tem um hobby perigoso, coleccionando objectos das várias cidades de Londres – é que estes objectos possibilitam a abertura de portas entre as realidades, portas que podem originar invasões.

Uma magia mais escura possui alguns detalhes interessantes na sua construção que são bem usados, e personagens fortes que conseguem ter características bastante próprias, derivadas do meio em que cresceram. Existem duas personagens principais, um rapaz, Kell, e uma rapariga, Delilah, ambos com papéis próprios – a rapariga é destemida e capaz, mostrando uma maior capacidade para a violência, derivada da sua ocupação de ladra e de ter crescido numa cidade agreste. Como forma de melhor de defender e camuflar veste roupas másculas, dispara e maneja uma faca como nenhuma outra personagem.

Publicada em Portugal pela Minotauro, Uma magia mais escura é uma leitura que consegue ser apropriada para jovens e mais crescidos, mantendo pontos de interesse para ambos os grupos de leitores ao apresentar uma história de premissa relativamente simples, mas deixando de lado as condescendências. Espera-se, neste momento uma adaptação do livro – inicialmente ia ser adaptado para série televisiva, mas entretanto foi direccionado para o cinema por Gerard Butler, Alan Sigel, Danielle Robinson e Neal Moritz.

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