As melhores jogatanas do ano 2021 (parte 2)

Na primeira parte falei dos mais jogados, dos jogos infantis e dos jogos de grupo. Agora chegou a vez dos abstractos (secção imperdível cá em casa) e dos melhores jogos!

Jogos Abstractos

Calico

Gatos numa manta de retalhos – Calico é um abstracto visualmente atraente onde cada um dos jogadores tenta fazer uma manta de retalhos, cumprindo objectivos com as peças que agrupa. Para além dos objectivos que se encontram nos tabuleiros, grupos de determinados padrões ou de cores proporcionam pontos extra. Os tipos de grupos e de combinações a realizar podem ir mudando de jogo para jogo, adicionando alguma diversidade ao jogo.

Project L

Este abstracto com puzzle e algum engline building surpreende pelo visual minimalista e pela capacidade de reduzir um jogo ao seu essencial, tanto a nível gráfico como em mecanismos e experiência de jogo. sem dúvida um jogo que se distingue em vários aspectos.

Sagani

Uwe Rosenberg lançou, mais recentemente, dois abstractos que, à primeira vista, podem ter algumas semelhanças (vou explorar este tema nos próximos artigos sobre abstractos). Há quem goste mais do Nova Luna e há quem goste mais do Sagani. Apesar de proporcionarem experiências de jogo diferentes, Sagani é visualmente mais atractivo e leva a menores tempos mortos. Por esta razão é, para mim, o melhor dos dois.

Cascadia

Tem algumas semelhanças com Calico, com peças hexagonais que são usadas, simultaneamente para tecer dois tipos de conjuntos. Neste caso, cada peça possui um ambiente e um animal. A forma como se pontuam os animais vão mudando de jogo para jogo, o que proporciona alguma diversidade. Menos contido em espaço do que Calico, não teve o mesmo sucesso mas é, no entanto, um jogo que se distinguiu enquanto abstracto.

Melhores jogos pesados

Barrage

Foi um dos últimos jogos do ano, mas surpreendeu! O tema é forte e ajuda na concretização das acções, o visual é muito bom (quase Steampunk), os mecanismos são conhecidos mas funcionam de formas interessantes e envolventes. Apesar dos vídeos disponíveis não serem muito bons, o livro de regras é quase sempre claro (tem apenas dois ou três detalhes que teria colocado mais explícito) o que é raro num jogo desta dimensão. São duas horas de jogo duro, onde é necessário gerir bem os recursos e antecipar as jogadas de acordo com os elementos que sabemos irem acontecer nas próximas rondas: a circulação de água e a disponibilização de recursos.

Vinhos

Até agora é o meu Lacerda favorito. O tema está bem implementado para os mecanismos que possui e apesar de ser, sem dúvida, um jogo complexo e longo, deixa uma boa sensação de concretização. A simbologia é acessível e, tal como outros jogos do Lacerda, é necessário antecipar as próximas jogadas e construir uma boa estratégia. Excelente.

Brass: Birmingham

A par com Terraforming Mars, tornou-se um dos jogos favoritos da minha ludoteca. Infelizmente, a opinião cá em casa não é unânime quanto a este e acaba por ir menos vezes à mesa do que gostaria. É, da lista de jogos pesados apresentada até agora, o menos intuitivo em relação ao tema, existindo alguns detalhes que são menos óbvios, mas gosto da forma como o jogo se desenrola e da experiência que proporciona.

Melhores jogos médios

Lost Ruins of Arnak

Esteve quase a ir parar aos jogos pesados e está, para mim, no limite entre um pesado e um médio. Depois de todo o hype em torno do jogo, estava reticente em jogá-lo. Felizmente, experimentei – e adorei. Percebendo a quantidade de possibilidades do jogo, estava à espera de confuso ou pouco intuitivo. Enganei-me. Encontrei algo fluído que me permitiu criar estratégias logo desde o início e está no topo das melhores experiências de jogo deste ano.

Grand Austria Hotel

Jogos com dados costumavam ser um tabu cá em casa, mas depois de descobrirmos Castles of Burgundy, temos experimentado alguns onde os dados são usados. É o caso de Grand Austria Hotel, um jogo onde se gerem os clientes de um hotel que combina mecanismos como leilão com gestão de mão e cumprimento de contractos. A experiência de jogo é sempre positiva e animada.

Clans of Caledonia

Desde o mapa às peças de madeira, Clans of Caledonia tem o aspecto de um Euro tradicional. Em termos de jogo, apresenta bons mecanismos para representar o mercado especulativo. Os jogadores vão construir ao longo do mapa para conseguir produzir e transformar produtos ao longo do jogo. É simples de perceber e sente-se a complexidade crescente, típica dos jogos em que se vai construindo para produzir. Muito bom, sobretudo para quem gosta deste tipo de mecânicas.

Tulip Bubble

Para quem gosta de jogos com mercado especulativo, eis outro que surpreendeu pela positiva! Tulip Bubble não é muito falado, mas resume as mecânicas do mercado especulativo ao essencial, com a chegada de mercadorias e a variação de preços consoante a compra e a venda de, neste caso, tulipas. O jogo precisa de mais de três jogadores, razão pela qual demorou algum tempo a ir à mesa, mas o resultado surpreendeu em vários aspectos.

Melhores jogos leves

Oh my goods!

Rápido, portátil e estratégico, Oh my goods! entrou logo para a nossa lista de jogos de viagem, ainda que ocupe algum espaço na mesa. Neste jogo, tenta-se construir uma cadeia de fornecimento para produzir bens cada vez mais valiosos. Mas nem sempre as cartas estão a nossa favor e nem sempre conseguimos construir o que queremos. É um jogo relativamente rápido e, entre os jogos pequenos, um dos mais estratégicos que deixa uma sensação de jogo grande.

Draftosaurus

Com o principal mecanismo espelhado no nome do jogo, Draftosaurus é rápido de jogar e rápido de explicar. O tabuleiro tem dois lados (um mais simples e outro mais complexo) e usamos cá em casa muito como filler ou jogo de entrada. Temos duas expansões que adicionam alguma variedade nas decisões, mas que não julgamos essenciais para o jogo.

Canopy

Uma boa surpresa a nível visual e em componentes, Canopy é um jogo em que coleccionamos e agrupamos algumas cartas para atingir maiores pontuações. Algumas cartas adicionam poderes e variações às acções ou aumentam a interacção entre jogadores. Uma das melhores surpresas deste ano nos kickstarters que nos chegaram a casa.

Melhores jogos portugueses

28

Já experimentámos o 28 a 2, 3 e 4 jogadores e a experiência foi sempre positiva. Neste jogo transportamos diferentes passageiros até a um determinado destino, de forma a cumprir as necessidades desse destino. Pelo meio, apitamos a outros eléctricos, aumentamos os nossos transportes e paramos em várias paragens.

Rossio

Rossio tem sabor a abstracto e apesar de algumas escolhas visuais se poderem enquadrar menos na típica calçada (mas sendo necessárias para uma melhor percepção visual do tabuleiro) gosto imenso do aspecto final. Neste jogo estamos a tentar concretizar e pontuar determinados padrões. Estes padrões são pontuados apenas por alguns turnos, pelo que o jogador tem de optimizar a construção de padrões de acordo com a rotação dos objectivos a pontuar.

Café

Para mim, um dos melhores jogos portugueses lançados nos últimos tempos, Café tem, como principal defeito, acabar cedo demais. De resto, o visual é impecável e as cartas são simples mas de imagens perceptíveis. É um jogo simples e acessível que gostaria que tivesse maior destaque.

O Cooperativo

Os cooperativos cá de casa contam-se pelos dedos. Não é tipo de jogo que exploremos muito, mas um amigo cometeu o pecado de nos apresentar Now Boarding. Tal como noutros jogos cooperativos, Now Boarding apresenta-se como uma espécie de puzzle onde, para conseguirmos concretizar todos os objectivos, temos mesmo de pensar em grupo. (In) Felizmente, o tempo para pensar é limitado, pelo que os jogadores têm de arranjar estratégias para optimizarem as conversações. É um jogo tenso, mas interessante.

A excentricidade

Lord of the Chords

Eis um jogo apropriado para quem gosta e sabe de música! Neste caso, tendo um músico em casa que também é boardgamer, foi a escolha apropriada como prenda. Infelizmente, o manual é indicado para quem sabe Teoria da Música a sério – as mecânicas não são complexas e depois de ter passado uma tarde inteira a perceber conceitos lá percebi como isto funcionava. Facilmente se poderia ter explicado isto sem precisar de ir ler um manual avançado de música… Ultrapassando este facto, os componentes são fantásticos – a caixa é um piano e no interior tem palhetas verdadeiras.

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