Decálogo é uma série clássica de banda desenhada franco-belga da autoria de Frank Giroud, em parceria com vários desenhadores, que foi lançada entre 2001 e 2003. Em Portugal foi lançada pela Editora Asa, em capa dura, estando disponível por um preço engraçado (5€ cada volume, ao qual, por vezes ainda se aplicam promoções).



A história
A série apresenta, em cada volume, os donos do livro Nahik, uma obra de conteúdo controverso que colocará em causa componentes essenciais da religião muçulmana. O livro parece conferir má sorte a quem o detém, e acaba por passar facilmente de mãos em mãos, resultando, portanto na série de 10 volumes. Existirá um 11º volume publicado posteriormente. Os volumes são publicados por ordem cronológica inversa.
Neste volume, somos levados a uma viagem de barco para os Estados Unidos da América. Dois casais cruzam-se e interagem, apesar dos diferentes estatutos sociais, sendo que ambas as mulheres estão grávidas. Heba, de posses, oferece um livro precioso ao filho do outro casal, sem saber a importância que este livro tem.
Logo após darem à luz, o barco atravessa uma grande tempestade que provoca várias mortes. Entre elas, a do bebé do casal de posses. Mas no meio da confusão são trocados. Anos mais tarde, encontramos Alice Fleury, uma jovem tempestuosa de um meio privilegiado que descobre algumas verdades sobre a sua família.



Crítica
Tal como noutros volumes desta série, as personagens são levadas por uma trama dramática, de conflitos, segredos e mortes evitáveis. O livro parece não só trazer o azar a quem o detém, como fazer aparecer o pior dos que o rodeiam.
Menos ligado ao tema religioso, este volume parece comprovar o efeito da proximidade do livro, criando um drama carregado de clichés – mas daqueles que funcionam: a troca de um bebé com as consequências familiares que daí se criaram, as divergências de classes e o que se faz por dinheiro.
A história toca em questões morais, mas de uma forma algo desconfortável. Os pobres vendem tudo por dinheiro, corrompem-se e não sabem gerir os valores que vão adquirindo. A família pobre tem vários filhos, e portanto, não dá grande valor por cada um deles. Por sua vez, a família rica tenta ganhar influência política e parece vender um pouco da sua alma por tal influência.
Se, noutros volumes, o Nahik é um dos elementos principais do enredo, provocando a acção ou justificando-a, aqui tem um papel tangencial e ocasional – não fosse termos lido já outros volumes e não associaríamos o azar extremo ao livro. É um dos factores que fortalece a proximidade entre as famílias durante a viagem, mas a sua referência é rara e a sua importância pouco reconhecida.
A narrativa roda sobretudo, em torno das questões familiares, da irreverência da jovem Alice que, estando na idade da revolta, demoniza os pais nas suas intenções políticas. Será incessante na descoberta e revelação do que a rodeia, mas nem tudo o que parece é simples e tem uma única versão. O resultado será, claro, dramático.



Conclusão
Este sexto volume é dos mais dramáticos da série, focando-se sobretudo nas duas famílias e nos dramas da troca de Alice. e pouco no livro que, verdadeiramente, é a razão da série. É, portanto, uma narrativa carrega de emoções e reviravoltas, mais centrado nas interacções das personagens do que nas circunstâncias políticas e religiosas. Apesar das diferenças em relação aos livros lidos anteriormente, mantém coerência com o tom da série, fortalecendo a fama do Nahik.

