The Facts Behind the Helsinki Roccamatios – Yann Martel

Este livro corresponde a uma pequena selecção de contos de Yann Martel. Escritos no início da sua carreira e melhorados recentemente, os 4 contos constituem um conjunto estranho mas coeso.

O primeiro e maior que dá nome à compilação, The Facts Behind The Helsinki Roccamatios, conta a história de um rapaz que acompanha o amigo contaminado com SIDA, em fase terminal. Depois de esgotados os jogos e as diversões, os dois dedicam-se a escrever uma história sobre uma família de Helsínquia. Iniciando a história no princípio do século, e alternando os anos sobre os quais escrevem, os eventos que escolhem para enquadramento dos contos retratam o estado de espírito e o desenvolvimento da doença.

No segundo conto, um rapaz encontra-se de visita a Nova Iorque, cidade que pretende explorar exaustivamente de modo a conhecer as várias facetas. Assim decide assistir a um concerto num teatro decadente, que se revela um dos melhores que já teve oportunidade de ouvir.

Os diversos modos como um condenado à morte pode viver as suas últimas horas são retratados numa terceira história, sobre a forma de uma carta escrita pelo director à mãe do prisioneiro.

Um homem com aversão ao coleccionismo, visita a avo cleptomaníaca. Em casa desta vai desenterrando as relíquias que permanecem eternamente naquela casa, e simultaneamente vai ouvindo as memórias da sua avo. O relato vai no entanto se esfumando nos ouvidos do neto e sendo substituído por um barulho de fundo sem nexo.

Dominador de palavras, Yann Martel escreveu quatro contos que constituem uma interessante selecção de histórias aparentemente simples, mas que se revelam pequenas licções de vida.

Sendo este o primeiro livro que li do tão falado autor de Vida de Pi, a expectativa não me levou a ficar desiludida, muito pelo contrário, ainda mais a considerar o tão afamado livro como uma das próximas leituras.

Spoilers Ahead

Conto preferido – o segundo – o compositor de tal obra revela-se um empregado da limpeza que apesar do seu talento, permanece eternamente desconhecido sem se poder dedicar à composição de música. Conclusão – deve-se seguir os nossos talentos ou deixar que os sonhos sejam substituídos por pequenas certezas futuras que nos afastam do que gostamos?

2 comments

  1. “… deve-se seguir os nossos talentos ou deixar que os sonhos sejam substituídos por pequenas certezas futuras que nos afastam do que gostamos?”

    Mas ele continua a compôr, não é? apesar de desconhecido continua a fazer aquilo que ama.
    E quanto À pergunta: infelizmente às vezes o estômago fala mais alto, gritando coisas como:
    – Ó, Alimenta-me Porra! Tenho fooooooomeeeeeee!
    E às vezes é difícil compôr com esta vozeirada toda :p

  2. Continua a compor, mas não se dedica totalmente nem como gostaria, e a sua obra apenas atinge um pequeno público. Apesar de grandiosa, a música apenas é tocada em locais decadentes para meia dúzia de pessoas.
    Sim… infelizmente não nos podemos dedicar unica e exclusivamente ao que gostamos de fazer… :S

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.