
Arrepiante e inovador, Metro 2033 apresenta-nos uma humanidade pós-apocalíptica, que sobrevive no subsolo. Após uma guerra que devastou a superfície da Terra, a atmosfera encontra-se contaminada por radioactividade e os seres humanos foram obrigados a retirar-se para a rede do metro. Cada estação de metro corresponde a uma colónia, ligada às restantes pelos túneis escuros onde antes circulavam as carruagens. Das passagens para o exterior chegam monstros estranhos, alguns humanóides, originados pela radioactividade. O mundo que nos é apresentado é de medo, precariedade e incerteza: para além de todos os perigos que rodeiam as colónias, os sobreviventes ainda se dedicam a guerras violentas e sem sentido que os enfraquecem.
É numa das estações com comunicação para o exterior que encontramos o nosso herói, Artyom. Orfão, conhece um guerreiro que terá como objectivo investigar o aumento de invasões pelos monstros que acompanhou um aumento da sensação de medo. Antes de partir, o guerreiro confia em Artyom para empreender uma longa viagem pelos túneis. Caso não regresse, o jovem deverá transportar uma mensagem a uma das estações mais fortes, que detém ainda alguma tecnologia. Cliché? Sem dúvida. Felizmente existe muito mais na história do que uma demanda de um jovem herói, que detém a chave para a salvação da humanidade.

Entre o perigo de contaminação pela radioactividade e os monstros que descem da superfície, há que enfrentar o medo dos túneis, uma sensação de pânico que vai mudando de zona para zona e induzindo diferentes efeitos secundários. De estação em estação Artyom vai conhecendo várias personagens que o ajudam a enfrentar o obstáculo seguinte. É na descrição do espírito de cada estação convertida em colónia que a história se torna fascinante. Nas estações mais afastadas das entradas, onde o quotidiano é mais estável, algumas povoações adoptaram ideologias políticas extremas, mantendo como heróis figuras das quais se pouco recordam: Che Guevara, Hitler ou Lenine.
Com uma boa caracterização de ambiente, Metro 2033 surpreende pelos detalhes das várias estações, uma multiplicidade de culturas em tão pouco espaço, e pelas descrições dos horrores existentes nos túneis. Infelizmente, a história centra-se demasiado no herói jovem a quem tudo acontece e que a todos pode salvar, e existem demasiados episódios menos importantes que poderiam ser eliminados, contando a história em mais páginas do que teria sido necessário. Mesmo assim, a demanda revela-se menos linear do que seria de esperar e existem detalhes fascinantes que fazem com que a leitura valha a pena.
Para quem deseje conhecer um pouco mais do livro, a editora Gailivro disponibilizou metade das páginas num site próprio.
