brave new worlds

Nesta história distópica a sociedade ocidental regrediu consideravelmente e atinge níveis absurdos na forma como trata as mulheres. Reclusas não as espera nada mais do que procriar ou servir o papel de esposas dedicadas. As aulas restringem-se a tudo o que as fará desempenhar melhor esse papel de mulher submissa e servil.

Nesta sociedade em transição as mulheres que conheceram a anterior realidade vêem com pesar e frustação as limitações de mentalidade e futuro das jovens filhas. É assim que algumas mulheres decidem fugir de casa para engrossarem as fileiras da resistência, enquanto são identificadas como terroristas. E aos terroristas apanhados nada mais espera que uma execução pública em horário nobre televisivo.

A história centra-se numa jovem que se sente marcada pela sociedade quando a mãe decidiu fugir. Guarda com rancor esta traição que lhe poderá custar um futuro promissor e vê com expectativa as execuções, com esperança de reconhecer alguma das mulheres executadas, por outrora terem realizado abortos, ou por se terem revoltado com as novas normas.

Este conto lembra a sociedade descrita em The Handmaid’s Tale de Margaret Atwood, pela forma como as mulheres são diminuídas ao seu papel reprodutor numa sociedade de vigilãncia e lavagem cerebral tão elevadas que os próprios indivíduos acabam por participar voluntariamente na repressão dos que os rodeiam.

Uma história pesada que, não estando entre as favoritas, consegue quebrar a imparcialidade do leitor quanto aos factos relatados.