brave new worlds

** Leitura não aconselhável a pessoas sensíveis **

Paolo Bacigalupi é conhecido pelas suas histórias ecologicamente responsáveis, ou não fosse o autor de livros como Windup Girl e Ship Breaker. Não esperem algo semelhante de Pop Squad. A história começa com um episódio de extrema violência, mas relatado de tal forma pouco sentimental que parece que o que estão a exterminar são baratas e não crianças.

“Sorry, kids. Mommy’s gone.”

I pull out my Grange. Their heads kick back in sucessive jerks, bang bang bang down the line, holes appearing on their foreheads like paint and their brains spattering out the back. Their bodies flip and skid on the back mirror floor. They land in jumbled piles of misaligned limbs. For a second, gunpowder burn makes the stench bearable.

Num mundo onde foi descoberto o elixir da juventude são proibidas os nascimentos, como forma de evitar o crescimento populacional. As pessoas vivem dezenas de anos aperfeiçoando-se e desfrutando da vida em plenas capacidades físicas. Mas talvez não psicológicas – como manter eternamente o interesse em viver se todo o ciclo de vida foi suspenso?

Talvez em busca de algo mais, algumas mulheres deixam de se apresentar à toma periódica do elixir e escolhem engravidar clandestinamente, dando à luz crianças que têm de esconder silenciosamente, em casa, numa vã esperança de conseguirem evitar um esquadrão de extermínio que irá limpar qualquer ser infantil que exista.

É de forma bastante chocante que o autor nos leva a questionar a relação entre humanidade e efemeridade, apresentando-nos uma sociedade eterna onde a relação com os sentimentos e a capacidade de empatia sofrem uma transfiguração aterradora.