Uma biblioteca da literatura universal – Hermann Hesse

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Sejam lendas, poemas ou narrativas ficcionais, seja Italo Calvino, Hermann Hesse, Jacque Bonnet ou outro qualquer, existem, nos livros sobre livros, quase sempre referências literárias que se repetem. E assim é, também, neste Uma biblioteca da Literatura Universal, livro que peguei com intenção de continuar a mesma onda que Bibliotecas cheias de Fantasmas.

Se Bibliotecas cheias de fantasmas é um livro exuberante no que respeita ao gosto dos livros, da leitura e das bibliotecas, uma leitura fascinante para quem partilha este gosto e o vê dessa forma exaltado, Uma biblioteca da literatura universal apresenta-se bastante mais aborrecido, pomposo, até arrogante na sua opinião estanque e presunçosa. Ou então, apenas, irritantemente divergente da minha ou intencionalmente provocadora.

O  livro começa por uma listagem pouco fascinante de obras, passando por quase todos os pontos fundamentais da literatura, seja a nível histórico, seja a nível geográfico. Pouco fascinante porque existem poucas ou nenhumas descrições do que trata o livro, sendo quase uma enunciação de títulos que transmite pouca paixão.

Depois desta enunciação, vêm as opiniões divergentes que denotam pouca flexibilidade. Ora bem, segundo Hermann Hesse, os livros não se devem ler por acaso, nem se deve ler o que nos aparece à frente, sendo apologista de que se construa um nicho de preferência no qual se reconhecem as características que se apreciam. Opinião divergente porque esta perspectiva difere totalmente da minha, que leio tudo aquilo pelo qual vou sentindo curiosidade, sem amarras, oscilando entre ficção cientifica, banda desenhada ou literatura mais clássica, e encontrando, onde menos espero, um dos próximos favoritos.

Opinião divergente porque para Hermann Hesse todos os livros devem ser lidos à velocidade de um caracol quando, concordo, existem livros que carecem de uma leitura atenta e outros… bem…. nem tanto. Divergente, novamente, porque sim, leio muita coisa com o intuito único de me divertir, de presenciar criatividade, de experimentar novas ideias. Se o objectivo de se expressar assim era obter uma reacção… bem, conseguiu.

Depois de  mostrar a sua irritação para com os que lhe pedem opiniões literárias (até que se compreende, um escritor não é um editor), Hermann Hesse conta um episódio divertido em que terá sido convidado a dar uma palestra numa terriola esquecida. O resultado é que… bem… quem o recebeu nem sabia que ele era escritor pelo que quem assistiu à palestra estava tudo menos preparado para um serão literário. Engraçado como este episódio cómico me recordou a primeira história do livro Contos Maravilhosos do autor em que um anão na corte de uma donzela mimada e fútil expõe o seu extenso conhecimento sem que ninguém o compreenda e lhe dê valor – a postura do anão fez-me recordar a do autor neste conto, ainda que o final em nada esteja relacionado.

Herman Hesse cataloga e etiqueta tudo. Livros, autores ou leitores, numa postura de opinião vincada, quase moralista, chamando de quem lê e absorve o que lê quase de papagaio e de quem lê e gera imagens relacionadas com outros temas de não leitores, porque poderiam estar a ler aquele livro bem como outro qualquer que as imagens provêm da mente do leitor e não do livro que lê. Opiniões que são, por vezes, interessantes mas que conseguiram irritar-me e afastar-me do texto demasiadas vezes.

Em Portugal Uma biblioteca da Literatura Universal foi publicado pela Cavalo de Ferro.

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