The Magic Order – Millar e Olivier Coipel

Mark Millar descreve The Magic Order como um cruzamento entre The Sopranos e Harry Potter. Colocada esta expectativa, encontramos um conjunto de sociedades secretas, mais propriamente de famílias, que usam a sua magia para evitar que os humanos se apercebam dos monstros e de outros múltiplos inimigos. A história centra-se numa família específica, mostrando como possuem profissões normais e como escondem os seus verdadeiros poderes.

As primeiras páginas estabelecem logo o tom da história, mostrando o assassinato de um mágico e contrastando-o com a inocência de uma criança. Violenta, e apresentando alguma nudez, a história possui um tom negro e uma aura de perigo que se sente até nos episódios mais neutros.

The Magic Order não é temporalmente linear. A narrativa vai saltitando entre linhas temporais diferentes, estabelecendo paralelismo entre diferentes gerações de mágicos. Este paralelismo não pretende, apenas, criar empatia e caracterizar personagens, mas também, deixar pistas para o final mirabolante que revela uma série bastante menos linear do que nos quis fazer querer.

Tal como muitas famílias, a que é aqui apresentada é disfuncional. Persistem as quezílias entre membros da família, traumas e picardias. Mas se, numa família sem poderes, estes desentendimentos levam quase sempre ao afastamento, numa família de mágicos as consequências podem ser mais graves.

The Magic Order (adaptado para série na Netflix) estabelece-se como uma história movimentada, carregada de acção e violência, onde se destaca o excelente aspecto visual, quase sempre dominado por sombras. A existência de magia é a desculpa perfeita para tecer alguns belíssimos, mas marcantes episódios. O ambiente é soturno, denotando alguma sexualidade mas confrontando-a quase sempre com um lado negro.

The Magic Order é uma história bastante diferente de Mark Millar, ainda que possua alguns traços que podemos encontrar noutras histórias: nem a bondade nem a maldade são absolutas, e as suas expressões mais extremas têm uma origem compreensível.

O resultado é uma história retorcida repleta de magia onde se segue uma família disfuncional. As reviravoltas tornam-na inesperada, por vezes, o que juntando à acção constante nos levam a uma emocionante leitura!

The Magic Order foi publicado em Portugal pela G Floy.

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